Idade Média

8 janeiro 2012

Cluny: ‘alma da Idade Média’ ‒ III. Celeiro e moinho hoje museu

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:20
Antigo celeiro de Cluny, andar superior. Hoje é museu
Sobre os prédios de Cluny (celeiro, torres, fachada, etc.) ver também:

A conservação dos alimentos foi sempre uma preocupação em toda sociedade organizada. Na Antiguidade encontram-se obras notáveis pelo engenho com que o problema foi solucionado.

A Bíblia nos fala do patriarca José aconselhando o faraó de Egito a acumulação de trigo para 7 anos de seca e fome que viriam. Os celeiros construídos então salvaram o povo egípcio e muitos outros de povos diversos que, acossados pela fome, acudiram ao Egito.

Andar superior do celeiro

A Bíblia fala também da sabedoria de Salomão rei-profeta erigindo prédios destinados a preservar e acumular as riquezas materiais. O modelo de suas cavalariças, por exemplo, ainda é objeto de estudo e imitação.

Porém, após a queda do Império Romano, o caos também tomou conta da produção na Europa.

A fome, os saques e pilhagens praticados pelos bárbaros invasores e pelos supérstites da ordem romana tornaram impossível a formação de reservas alimentares para o inverno ‒ especialmente rude na Europa setentrional.

Para pior, nos tempos do Império Romano a produção agrícola era vista com menosprezo. Julgava-se digna de seres inferiores e era quase toda garantida por servos escravos. Resultado: poucos sabiam aproveitar bem a terra e faltava comida.

A visão cristã da agricultura devolveu sua nobreza ao trabalho da terra e promoveu uma retomada num patamar altamente produtivo.

EXEMPLOS DE VIDA DOS ABADES SANTOS DE CLUNY

Celeiro: o teto é de 1275 aprox.

Os monges beneditinos assumiram a liderança do movimento de restauração da atividade agro-alimentar. Foi a “revolução verde” medieval que gerou uma riqueza em quantidade e variedade de alimentos até então desconhecida.

O problema vital de conservar os alimentos até a próxima safra, colheita ou simplesmente até o próximo verão foi resolvido magistralmente pelos monges de São Bento.

Cluny criou uma escola de aproveitamento da terra e dos recursos que até hoje causa admiração.

A abadia foi demolida facinorosamente pela Revolução Francesa, porém, ficam prédios que são exemplos característicos da grandeza da escola agrícola cluniacense.

Veja-se o exemplo do granel, ou celeiro, destinado a proteger grãos e farinhas da intempérie, mofos, pragas e animais predadores durante o ano todo até a próxima colheita.

Andar inferior do celeiro

O celeiro de Cluny foi um dos poucos edifícios que se salvou da depredação revolucionária.

Ele foi construído no século XIII, mais provavelmente por volta de 1275. Ele ficava no canto sudeste do imenso complexo constituído pela abadia e suas dependências.

A construção é de tal maneira harmoniosa e acolhedora que foi transformada em museu. Ali são exibidos incontáveis objetos produzidos pelos monges, restos dos prédios demolidos e modelos de Abadia de Cluny.

“Torre do Moinho”, ou “Torre dos queijos”, colada no celeiro

O prédio do celeiro está semi-enterrado e tem dois andares. O de baixo é mais frio e úmido (ideal para vinhos e queixos), e o de cima é arejado e seco encima para os grãos. Desta forma ficava garantida uma temperatura ideal para conservar os diversos alimentos.

Apenas a parte superior sobressaia do chão permitindo a abertura de janelas para ventilação e iluminação.

O imenso telhado foi feito de madeira de carvalho e castanheira. Até hoje é o mesmo da época.

Para se ter uma idéia de como foi bem feito, basta considerar que tendo sido construído por volta de 1275, no início do século XX precisou apenas de uma restauração muito leve para virar museu.

Quer dizer 625 anos de existência e uso quase sem danos relevantes!

Panorâmica da cidade: no centro a Torre do Moinho e o celeiro

No andar inferior está o porão (nível mais baixo, parcialmente subterrâneo). A farinha era armazenada no andar superior ou celeiro.

O celeiro atual, entretanto, é só uma parte do original. Ele foi reduzido em comprimento durante as adições do século XVIII para o mosteiro. Agora estende-se 36 metros para dentro das paredes da abadia.

Por ali podemos considerar a grandeza do projeto original.

Cluny segundo gravura. A Revolução destruiu quase tudo.

À direita encontra-se a “Tour de Moulin” (a “Torre do Moinho”) da mesma data.

O moinho foi outra das grandes invenções medievais. O moinho das abadias aproveitava energias renováveis ‒ o vento, a correnteza dos rios ‒ e como seu nome indica servia originalmente para moer os grãos e fazer a farinha.

Fachada de Cluny, gravura

Portanto, em Cluny ficava colado no celeiro. A Torre do Moinho é também conhecida como “Tour des Fromages” (“Torre dos Queijos”) pela utilização do andar enterrado para conservar os derivados do leite.

O moinho medieval, com o tempo virou uma fonte de energia que propulsionava incontáveis tipos de máquinas simplificando os trabalhos e multiplicando a produção por várias vezes.

Ainda sob este ponto de vista, as abadias beneditinas, e notadamente Cluny contribuíram para o desenvolvimento econômico e o enriquecimento medieval.

COMO ERAM E COMO VIVIAM OS MONGES DE CLUNYCluny, a Jerusalém celeste encarnada (1)
Cluny: o “exército do Senhor” na Jerusalém celeste encarnada (2)
Cluny: o “fasto” e a “hierarquia angélica” na Jerusalém celeste encarnada (3)
Cluny, monges-guerreiros e “anjos do Apocalipse” na Jerusalém celeste encarnada (4)
Cluny, como viviam os monges da Jerusalém celeste encarnada (5)
São Bernardo: reação para segurar a queda de Cluny (6)
A decadência de Cluny e o ocaso da Cristandade medieval (7)

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18 dezembro 2011

Nas almas das cancões perfeitas de Natal: fé, coragem, ternura

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 6:06

É a noite de Natal. A Missa de Galo vai começar. Na igrejinha toda coberta de neve, iluminada e bem aquecida, todos entram de depressa.

Ao longe ficaram as casinhas da aldeia, a fumaça sobe das chaminés, a lareira está acesa, as suculentas, deliciosas e apetitosas iguarias da culinária alemã já estão no forno…

É a festa de Natal que segue à festa litúrgica.

O coro canta “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”) (a música está no vídeo embaixo).

“Noite tranqüila, noite silenciosa, noite santa.

“Tudo dorme, só está acordado o nobre e santíssimo Casal!

“O nobilíssimo menino de cabelos cacheados dorme em celestial tranqüilidade.”

A canção manifesta submissão de espírito, reverência e compaixão. Mas também alta cogitação.

Foi num ambiente desses que o povo da bravura e da proeza militar compôs essa canção de Natal universal: o “Stille Nacht, heilige Nacht” (“Noite Feliz”).

Uma outra canção natalina alemã conta que os dois iam juntos: Nossa Senhora, a flor de delicadeza, e o Menino, o tesouro do Universo!

E atravessaram um bosque de espinhos que havia sete anos que não florescia.

Veja vídeo
Vídeo: Noite Feliz: as almas
das canções de Natal perfeitas

Nossa Senhora sozinha, trazia o Menino Jesus amparado junto a seu coração.

Mas, enquanto Nossa Senhora atravessava o bosque, os espinhos transformavam-se em rosas perfumadas para Ela.

E Ela compreendeu: foi um gesto de amabilidade de seu Filho!

Comprazida, Ela olhou maternalmente para o Divino Infante. Ele estava dormindo, mas governava a natureza!

Eis o paradoxo do povo germânico: esse povo dos grandes exércitos impecavelmente ordenados, dos couraceiros com capacetes encimados por águias, na hora da ternura sabe cantar afetuosamente o Natal como nenhum outro.

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11 dezembro 2011

Natal num castelo da França

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 5:04

« Gloire à Dieu au plus Haut des Cieux, Et paix sur la Terre au hommes de bonne volonté »

[“Glória a Deus nas alturas! E paz na Terra aos homens de boa vontade!”]

Em Belém, nenhum albergue abriu suas portas para a Sagrada Família.

E o Menino Jesus nasceu numa pobre gruta, aquecido pelo calor de um boi e de um asno.

Como reparação, no Natal de cada ano, salões franceses abrem suas portas ao Divino Menino, sua Santa Mãe e o Patriarca São José.

Veja vídeo
CLIQUE PARA VIDEO:
Natal num castelo da França

Em salões nobremente decorados, num ambiente penetrado pelo sorriso e cortesia, etiqueta e elegância, uma sociedade de salão apresenta-se diante de um presépio que não tem nada do salão.

Mas, o Menino-Deus está ali, Nossa Senhora e São José, príncipes da Casa de David, também.

O charme e a beleza, a graça e o encanto, homenageiam ao Rei dos Reis.

Visite nossas páginas dedicadas ao Natal.

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Ó Jesus que tanto se humilhou por nós!


Ó Majestade Onipotente!

Ó criança tão pequenina e Rei tão poderoso, vinde reinar inteiramente sobre nós!

É um ato de submissão dos mais requintados salões da Terra, ao Divino Monarca que conquistou o Mundo deitado naquele simples presépio!

No Céu, a Corte dos anjos se rejubila juntamente com a Corte dos homens glorificando o Divino Menino Rei e Redentor.

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4 dezembro 2011

O espinho e o Menino Jesus: uma piedosa lenda de Natal

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 2:01

Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.

Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.

Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Veja vídeo
CLIQUE PARA VIDEO:
o sonho do Menino
Jesus do Espinho

Contemplou também a glória de sua Ressurreição. Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

escola de Murillo

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida.

Visite nossas páginas dedicadas ao Natal.

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Assim também e representado na tela da escola de Murillo.

Anônimo sevilhano

É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central. No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.

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27 novembro 2011

Igreja Católica: alma do Natal

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 2:58

O Natal é comemorado em toda a face da Terra.

Mas, cada povo o comemora a seu próprio modo.

Por quê?

A Igreja Católica, vivendo na alma de povos diferentes, produz maravilhosas e diversas harmonias. Ela é inesgotável em frutos de perfeição e santidade.

Ela é como o sol quando transpõe vidros de cores diferentes. Quando penetra num vitral vermelho, acende um rubi; num fragmento de vitral verde, faz fulgurar uma esmeralda!

O gênio da Igreja passando pelos povos alemães produz algo único; passando pelo povo espanhol faz uma outra coisa inconfundível e admirável, e depois mais aquilo e aquilo outro num outro povo, num outro continente, numa outra raça.

No fundo é a Igreja iluminando, abençoando por toda parte. É Deus que na Sua Igreja realiza maravilhas da festa de Natal.

Canta a liturgia : “Puer natus est nobis, et Filius datur est nobis…”

“Um Menino nasceu para nós, e o Filho de Deus nos foi dado.

“Cujo império repousa sobre seus ombros e o seu nome é o Anjo do Grande Conselho”.

“Cantai a Deus um cântico novo, porque fez maravilhas”.

Veja vídeo
Vídeo: Igreja Católica:
alma do Natal

Aquele Menino nos foi dado — e que Menino! Então, cantemos a Deus um cântico novo.

O Natal do católico é sereno, cheio de significado, e ao mesmo tempo elevado como o interior de uma igreja!

A vitalidade inesgotável da festa natalina é sobrenatural, produz na alma católica uma paz profunda, uma sede insaciável de heroísmo, e um voltar-se completamente para as coisas do Céu.

No Natal, a graça da Igreja brilha de um modo especial na alma de cada católico. E de cada povo que conserva algo de católico na face da Terra inspirando incontáveis formas de comemorar o nascimento do Redentor!

Porque a Igreja é a alma de todos os Natais da Terra!

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13 novembro 2011

Cerimonial de uma ceia real na Inglaterra no início da Guerra dos Cem Anos

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:00

No 25 de setembro de 1338, às cinco horas da tarde menos um quarto, o grande salão do Palácio de Westminster ainda não estava iluminado a não ser por quatro tochas mantidas por braços de ferro selados aos ângulos das paredes e das quais o luar incerto e trêmulo tinha grande dificuldade em dissipar a escuridão provocada pela diminuição dos dias, já tão sensível ao fim do verão e começo do outono.

Entretanto essa luz era suficiente para guiar nos preparativos da ceia a criadagem do castelo que se via, no meio do lusco-fusco, apressar-se em cobrir com iguarias e vinhos, os mais apreciados daquela época, uma longa mesa escalonada em três alturas diversas, a fim de que cada um dos convivas pudesse ai sentar-se no lugar que lhe designava seu nascimento ou seu rango.

Logo que os preparativos foram concluídos, o maître d’hotel entrou gravemente por uma porta lateral, fez com vagar o turno de inspeção dos serviços para certificar-se que cada coisa estava em seu lugar; depois, feita a revisão, parou diante de um lacaio que aguardava suas ordens cerca da grande porta, e disse-lhe com a dignidade de um homem que conhece a importância de suas funções: Tudo está bem; soai a água.

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30 outubro 2011

O rei e o feudalismo na sociedade e no Estado medievais

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:55
Carcassonne, fortaleza construída pelo rei São Luís IX

Bem entendido, em princípio o feudalismo com toda sua autonomia não existia à margem ou contra o rei, símbolo supremo do povo e do País.

Pelo contrário, existia abaixo do monarca, sob a sua égide tutelar e sob o seu poder supremo, para conservar em seu favor esse grande todo orgânico de regiões e de localidades autónomas, que era então uma Nação.

Mesmo nas épocas em que o esfacelamento de facto do poder real fora levado mais longe, jamais se contestou o princípio monárquico unitário.

Uma nostalgia da unidade régia – e até, em muitos lugares, da unidade imperial carolíngia, abarcativa de toda a Cristandade – jamais cessou de existir na Idade Média.

Assim, à medida que os reis foram recuperando os seus meios de exercer um poder efectivamente abrangente de todo o reino e representativo do bem comum deste, o foram exercendo.

Claro está que esse imenso processo de fixação, de definição e de organização, em nível local e depois regional, seguido de um não menor processo de rearticulação unificadora e centralizadora nacional, não se operou sem que aparecessem aqui ou acolá reivindicações excessivas, unilateral e apaixonadamente formuladas, da parte dos que representavam justas autonomias ou promoviam necessárias rearticulações.

Nobre entre um eclesiástico e um camponês

E tudo isto conduzia, em geral, a guerras feudais que eram por vezes longas e entrelaçadas com conflitos internacionais.

Tal era o duro tributo assim pago pelos homens em razão do pecado original, dos pecados actuais, da moleza ou da maior complacência com que resistem ao espírito do mal, ou então a este se entregam.

Sem embargo de todos estes obstáculos, o sentido profundo da história do feudalismo e da nobreza não se explica sem tomar em consideração o que ficou dito.

E desta forma se modelaram a sociedade e o Estado medievais.

Na realidade, as origens e o desenvolvimento do regime feudal e da hierarquia que o caracterizava deram-se aqui e lá de modos diversos, sob a acção de circunstâncias também diferentes, não se aplicando a todos os Estados europeus, mas a vários deles.

A título exemplificativo, entretanto, pode-se descrever como acima o processo constitutivo desse regime.

Muitos traços desse quadro encontram-se na história de mais de um reino que, entretanto, não teve um regime feudal no sentido pleno do termo. Exemplos frisantes de tal, são as duas nações ibéricas, Portugal e Espanha.

Camponeses cultivam a terra protegidos pelo senhor feudal e pela Igreja

Muitos historiadores vêem no feudalismo instituído em certas regiões da Europa, e nas situações fundiárias para-feudais formadas em outras, perigosos factores de desunião.

Entretanto, a experiência tem mostrado que a autonomia, considerada em si mesma, não é necessariamente factor de desunião.

Por exemplo, ninguém vê hoje em dia, na autonomia dos Estados integrantes das repúblicas federativas existentes no Continente americano, factores de desunião; pelo contrário, modos de relacionamento ágeis, plásticos, fecundos, de uma união entendida com inteligência.

Porque regionalismo não quer dizer hostilidade entre as partes, ou destas com o todo, mas autonomia harmónica, como também riqueza de bens espirituais e materiais, tanto nos traços comuns a todas as regiões, quanto nas características peculiares a cada uma delas.

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23 outubro 2011

O senhor feudal no aparecimento das regiões

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:54
Hirschhorn, Alemanha

Nas novas circunstâncias criadas pelo ordenamento feudal, os homens puderam ir estendendo as suas vistas, as suas cogitações e as suas actividades a campos gradualmente mais vastos.

Constituíram-se então regiões modeladas frequentemente por factores locais diversos
como:
as características geográficas,
as necessidades militares,
os intercâmbios de interesse,
o afluxo de multidões de peregrinos a santuários com muita atracção, até em zonas distantes;
o afluxo de estudantes a universidades de grande renome
e de comerciantes a feiras mais reputadas.

Contribuíram também para caracterizar tais regiões afinidades psicológicas peculiares, decorrentes dos mais variados factores: a tradição de lutas conduzidas em comum, às vezes por muito tempo, contra um adversário externo; as semelhanças de linguagem, de costumes, de expressões artísticas, etc.

O bem comum regional abarcava assim os diversos bens comuns mais estritamente locais. Era, por isso mesmo, mais alto e mais nobre.

Berna, Suíça

As rédeas do mando desse bem comum regional iam ter normalmente às mãos de algum senhor de mais amplos domínios, mais poderoso, mais representativo da região inteira, e assim mais capaz de lhe aglutinar as várias partes, reunindo-as num só todo sem prejuízo das respectivas autonomias: tudo isto para efeitos de guerra como para as actividades inerentes à paz.

A esse senhor regional – ele próprio miniatura do rei na região, como o simples senhor-proprietário o era na localidade mais restrita – tocava assim uma situação, com um conjunto de direitos e deveres intrinsecamente mais nobres.

Tomar, Portugal

Assim, o senhor feudal – o proprietário-senhor nobre de cujo direito de propriedade participava um grande número de trabalhadores manuais através de um liame um tanto parecido com as actuais enfiteuses – ficava devendo ao seu respectivo senhor uma vassalagem análoga, se bem que não idêntica, à que esse senhor, por sua vez, prestava ao rei.

No topo da hierarquia social ia-se formando desse modo uma hierarquia nobiliárquica.

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16 outubro 2011

Deveres da classe nobre no feudalismo e participação no poder real

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:53

A classe nobre formou-se como uma participação subordinada no poder real.

Estava a cargo dela o bem comum de ordem privada, que era a conservação e o incremento da agricultura e da pecuária, das quais viviam tanto nobres quanto plebeus.

E também estava a cargo dela o bem comum de ordem pública – decorrente da representação do rei na zona – mais elevado, de natureza mais universal, e por isso intrinsecamente nobre.

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9 outubro 2011

Do caos à Civilização: obra beneditina

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 7:13
São Bento

No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais.

No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia.

Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.

Até inícios do século XIV os beneditinos tinham dado à Igreja 24 Papas, 200 cardeais, 7.000 arcebispos, 15.000 bispos e 1.500 santos canonizados. Em seu auge, a Ordem Beneditina reuniu 37.000 mosteiros.

E não é uma questão apenas de números.

A Ordem era tão admirada, que nela foram concluir seus dias 24 imperadores, 10 imperatrizes, 42 reis e 15 rainhas.

Essa colossal rede monástica explica a transformação do caos que existia no início da Idade Média, na civilização por excelência, a despeito de invasões e guerras.

Quando os gregos sofreram a invasão dos dórios no século XII a.C., recaíram durante três séculos no analfabetismo.

 copista medieval

O engajamento dos monges medievais com a leitura, escrita e educação evitou esse terrível destino aos europeus, após a catástrofe da queda do Império Romano do Ocidente.

Não menos devastadoras foram as invasões posteriores de vikings, saxões, magiares ou maometanos.

Mas a determinação inabalável de bispos e monges salvou a Europa de um segundo colapso.

De acordo com o historiador malês Cristopher Dawson, as hordas saquearam mosteiros e queimaram bibliotecas, mas os monges impediram que a luz do conhecimento fosse extinta.

Universidade de Salamanca

Alguns mosteiros ficaram célebres pelo domínio de certos ramos do saber.

Os monges de Saint-Bénigne em Dijon, na França, davam aulas de medicina.

Os do mosteiro de Veja vídeoSaint-Gall mantinham uma escola de pintura e gravação.

Em conventos alemães podiam-se assistir aulas em grego, hebreu e árabe.

Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos, especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras.

São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de toda parte.

São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: 

“Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes”.

Toda a série de aulas do Prof. Woods AQUI
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2 outubro 2011

Origens históricas do feudalismo

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:51
Carlos Magno

No século IX, o grandioso Império Carolíngio ficou reduzido a escombros pelos desacordos entre seus descendentes e nobres.

Sobre essas ruínas lançaram-se em novas e devastadoras incursões os bárbaros, os normandos, os húngaros e os sarracenos.

Não podiam as populações, assim acometidas de todos os lados, resistir a tantas calamidades com o mero recurso ao já muito debilitado poder central dos reis.

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25 setembro 2011

A Igreja inspirou os sistemas jurídicos baseados no Direito

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 7:09


Segundo o professor de Direito Harold Berman, citado pelo Prof. Thomas E. Woods, os modernos sistemas legais “são um resíduo secular de atitudes e posições religiosas, que têm sua primeira expressão na liturgia, ritos e doutrinas da Igreja, e só depois nas instituições, conceitos e valores da Lei” (“How the Catholic Church built Western Civilization”, p. 187).

A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável.

O Papa Gelásio definiu os limites da ordem temporal e espiritual.

O primeiro corpo sistemático de leis foi o Código Canônico.

O conceito de direitos individuais, que se atribui erroneamente aos pensadores liberais dos séculos XVII e XVIII, de fato deriva de Papas, professores universitários, canonistas e filósofos católicos medievais.

Veja vídeo
A Igreja medieval
preservou e generalizou o Direito

Deve-se também à Igreja o Direito Internacional. Pela influência d’Ela, os processos jurídicos e os conceitos legais substituíram os juízos dos germanos baseados na superstição.

A Revolução igualitária, que se iniciou no século XV, gerou pensadores como o filósofo britânico do século XVII Thomas Hobbes, para quem a sociedade humana é impossível sem uma espécie de despotismo.

Para ele, o soberano deveria definir o que é verdadeiro e o que é errado, isto é, agir de um modo iluminado e arbitrário.

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18 setembro 2011

Como um medieval via a liturgia da Missa

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:50

Os capítulos que Guilherme Durand (séc. XIII) consagrou à explicação da Missa então entre os mais surpreendentes de sua obra: “Rational”.

Eis aqui, por exemplo, como ele interpreta a primeira parte do Divino Sacrifício.

“O canto grave e triste do Introito abre a cerimônia: ele exprime a espera dos Patriarcas e dos Profetas. O coro dos clérigos representa o côro dos Santos da Antiga Lei, que suspiram antes da vinda do Messias, que eles, entretanto não verão”.

“O bispo entra, então, e ele aparece como a figura viva de Jesus Cristo. Sua chegada simboliza o aparecimento do Salvador, esperado das nações”.

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11 setembro 2011

Relações entre patrões e empregados nas corporações de ofício

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 7:20
Mestre açougueiro e aprendiz

Durante toda a Idade Média, no início as oportunidades são as mesmas para todos, e o aprendiz só não se torna mestre por falta de jeito ou indolência.

O aprendiz liga-se a seu mestre por um contrato de aprendizagem — sempre esse laço pessoal, caro à Idade Média — comportando obrigações a ambas as partes: para o mestre, a de formar seu aluno no ofício, e seu sustento durante esse tempo; para o aprendiz, obediência a seu mestre e dedicação ao trabalho.

Transpôs-se assim ao artesanato a dupla noção de “fidelidade-proteção”, que une o senhor a seu vassalo.

Mas como aqui uma das partes contratantes é uma criança de 12 a 14 anos, todos os cuidados são tendentes a reforçar sua proteção.

Deste modo, por um lado manifesta-se maior indulgência para com suas faltas, estorvamentos e até vagabundagens; por outro, delimitam-se severamente os deveres do mestre: ele não pode ter mais que um aprendiz por vez, para que seu ensino seja frutuoso; não pode explorar seus alunos, descarregando sobre eles uma parte de seu trabalho.

Mestre padeiro e aprendiz

O aprendiz só poderá exercer a profissão como mestre depois de exercer a maestria por um ano, para que se tenha certeza de suas qualidades técnicas e morais.

“Ninguém deve ter aprendiz se não for tão sábio e tão rico que o possa ensinar, governar e sustentar, e isso deve ser conhecido pelos homens que protegem o ofício” — dizem os regulamentos.

Eles fixam também quanto o mestre deve despender diariamente com a alimentação e manutenção do aluno.

Os mestres são ainda submetidos a um direito de visita, exercido pelos jurados da corporação, que vem a domicílio examinar como o aprendiz é alimentado, ensinado e tratado.

O mestre tem para com ele os deveres e obrigações de um pai. Entre outras coisas, deve velar por sua conduta moral.

O aprendiz lhe deve respeito e obediência, apesar de conservar uma certa independência.

No caso de ele abandonar a casa de seu mestre, este deve esperar um ano antes de tomar outro, e durante esse período é obrigado a recebê-lo, se voltar.

Todas as garantias do lado mais fraco, e não do mais forte.

O tempo do aprendizado varia segundo as profissões. Em geral é de 3 a 5 anos.

No final o aluno põe à prova suas habilidades perante os jurados de sua corporação.

Essa é a origem da obra-prima, cujas condições se irão complicando com o correr dos séculos.

Armeiros

Ele deve pagar uma taxa, aliás mínima, que corresponde à sua quota da corporação.

Em alguns ofícios em que o comerciante deve provar sua solvabilidade, exige-se uma caução.

Foram estas as condições da maestria na Idade Média.

A partir do século XIV elas haviam sido independentes, mas a partir de então começam a se ligar ao poder central.

O acesso à maestria vai sendo dificultado pouco a pouco.

Por exemplo, tornou-se então obrigatório em quase todas as corporações um estágio intermediário de 3 anos, como companheiro; o postulante devia desembolsar o que se chamou “compra do ofício”, variando de 5 a 20 soldos.

(Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)

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4 setembro 2011

O Brasil e os templários no plano da Providência

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 13:48
Milagre de Ourique

Portugal nasceu sendo rei D. Afonso Henriques. Na batalha de Ouriques, ele estava na indecisão do resultado da luta contra Castela, e apareceu a ele Nosso Senhor com as cinco chagas, pregado na Cruz, e incitando-o a que ele não perdesse o ânimo e que continuasse para frente. Porque a Providência queria um Portugal português.

Ele continuou a batalha e ganhou. E daí as cinco chagas de Nosso Senhor estarem na origem do reino de Portugal, que era antes um condado e que passou a reino no tempo dele.

A origem de Portugal e toda sua vida é, portanto, profundamente embebida de coisas católicas.

Nós dizemos que os reis de Portugal, ou Pedro Alvares Cabral, descobriu o Brasil. Essas coisas são muito controvertidas, e uma delas é flagrantemente errada.

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28 agosto 2011

Distinções e atributos dos Lordes : títulos e coroas

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 10:11
Escudo do conde de Shrewsbury

O barão par da Inglaterra porta um diadema com seis pérolas.

A coroa começa no visconde. O visconde porta uma coroa com incontáveis pérolas; o conde, uma coroa de pérolas sobre pontas entremeadas com folhas de groselha, mais baixas; o marquês, pérolas e folhas de igual altura; o duque real, um círculo de cruzes e de flores de lis; o príncipe de Gales, uma coroa semelhante à do rei, mas não fechada.

O duque é ‘muito alto e muito poderoso príncipe’; o marquês e o conde, ‘muito nobre e poderoso senhor’; o visconde, ‘nobre e poderoso senhor’; o barão, ‘verdadeiramente senhor’.

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21 agosto 2011

Nobreza: privilégios honoríficos e práticos; ônus pesados e custosos

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:47

A nobreza é uma classe privilegiada. Seus privilégios são, antes de mais nada, honoríficos: direitos de precedência, etc. Alguns decorrem de encargos que a nobreza possui.

Assim, apenas o nobre tem direito à espora, ao cinturão e ao estandarte, o que lembra que originalmente só os nobres tinham possibilidade de equipar um cavalo de guerra.

Ao lado disso ele goza de exceções, que no princípio eram comuns a todos os homens livres.

Tal é a exceção da “taille” (imposto sobre o vinho) e de certos impostos indiretos, cuja importância, nula na Idade Média, não cessou de crescer no século XVI, e sobretudo no século XVIII.

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14 agosto 2011

As sociedades de comércio e as corporações de ofício: triunfos da autonomia operária e burguesa

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 6:24
Orvieto, parada na festa de Corpus Christi:
bandeiras das corporações de sapateiros e açougueiros

Para melhor se defenderem, e por um costume caro à época, os comerciantes têm o hábito de se associarem.

Há no princípio, para os navios, o que se chama a “conserva”: dois ou mais navios decidem fazer juntos sua viagem, e esta decisão é objeto de um contrato, que não se rompe sem se expor a sanções e a uma multa.

De outro lado, os comerciantes de uma cidade, onde quer que eles se encontrem, formam uma associação e elegem um representante seu para os administrar, e, se for necessário, assumir a responsabilidade ou a defesa de seus interesses.

As ferrarias mais importantes têm um cônsul permanente — ou pelo menos durante a grande “estação” comercial, que vai de São João (24 de junho) a Santo André, em novembro — fiscalizando os armazéns.

Marseille nos oferece o exemplo dessa instituição dos cônsules, comum nas cidades do Mediterrâneo, cujas decisões só podiam ser suprimidas pelo reitor da comuna e tinham até força da lei.

Havia também cônsules na maior parte das cidades da Síria e do Norte da África, em Acre, Ceuta, Bougie, Túnis e nas Baleares.

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7 agosto 2011

A nobreza podia ser adquirida, de preferência por méritos, ou perdida por deméritos

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:45
João II, rei da França, aduba cavaleiros, iluminura século XIV-XV, BNF

A nobreza é hereditária, mas pode também ser adquirida, seja como retribuição de serviços, seja pela aquisição de um feudo nobre.

Foi o que aconteceu em grande escala pelos fins do século XIII. Numerosos tinham sido os nobres mortos ou arruinados nas grandes expedições, então muitos tornaram-se nobres, fato que deu origem a uma reação da nobreza.

A cavalaria enobrecia aquele a quem ela era conferida. E com o correr dos tempos surgiram os títulos de nobreza, que na verdade foram distribuídos muito parcimoniosamente.

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24 julho 2011

Feudalismo: reciprocidade de fidelidade e serviço

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:43
Homenagem de Eduardo I a Felipe o Belo da França

As obrigações que ligam o vassalo a seu senhor levam à reciprocidade: “O senhor deve tanta fidelidade e lealdade a seu homem como o homem a seu senhor” — diz Beaumanoir.

Esta noção de dever recíproco, de serviço mútuo, se encontra muitas vezes em textos, tanto literários como jurídicos.

“O senhor deve mais reconhecimento a seu vassalo do que este a seu senhor” — observa Etienne de Fougères no seu “Livre des Manières”.

Philippe de Novare comenta em apoio dessa constatação: “Aqueles que recebem serviços e jamais o recompensam bebendo de seus servos o suor, que lhes é veneno mortal ao corpo e à alma”.

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