Idade Média

13 abril 2014

Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

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Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento. Vida e milagres de Santo Amando, século XII. Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59
Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento.

Vida e milagres de Santo Amando, século XII.

Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59

Leia o post anterior: A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

No livro “Charlemagne” de Alphonse Vétault (Tours, Ed. Alfred Mame et fils, 1876) se encontra uma Epístola ad Baugulfum abbatem Fuldens.

É uma carta do imperador Carlos Magno endereçada a esse abade de Fuldens:

Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos Longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus Todo-Poderoso, saudação.

Há frases aqui que cantam e tem uma grandiloquência que não se sabe como elogiar: “Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus todo poderoso, saudação”.

Numa saudação está tudo dito.

Saiba vossa devoção a Deus, que depois de ter deliberado com nossos fiéis, estimados que os bispados e mosteiros que, pela graça de Cristo, foram colocados sob nosso governo, além da ordem da vida regular e as prática da nossa santa religião, deve, também aplicar seu zelo ao estudo das letras, e ensinar aqueles que com auxílio de Deus, possam aprendê-las, cada qual segundo sua capacidade.

Assim, enquanto a regra bem observada sustenta a honestidade dos costumas, a preocupação de aprender e de ensinar, de bem aprender e de ensinar, põe a ordem do idioma, de maneira que aquele que queiram agradar a Deus vivendo bem, não lhe negligenciaram de lhe agradar falando bem.

O pensamento, muito interessante, é este:

Pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo há, em nosso reino, muitas dioceses e abadias.

Nós queremos que essas dioceses e abadias se empenhem em ensinar a ler as pessoas que estejam em condições de aprender, com a graça de Deus.

Soror Baldonivia escrevendo. Vida de Santa Radegunda, século XII. Mediateca François Mitterrand, Poitiers
Soror Baldonivia escrevendo. Vida de Santa Radegunda, século XII.

Mediateca François Mitterrand, Poitiers

Porque ensinar a ler, naquele tempo, parecia uma coisa muito difícil. Eram poucos os que sabiam ler.

Então, parecia especialmente próprio pedir a graça de Deus para que alguém apren¬desse a ler.

Era um tempo muito próximo da invasão dos bárbaros, e aquele passado bárbaro próximo inspirava um certo arrepio quando se tratava de aprender a ler e escrever.

Então, ele diz: que aprendam a ler e escrever os que possam. Por quê?

Porque é conveniente que aqueles que louvam a Deus vivendo de um modo digno, também aprendam a louvar a Deus falando de um modo digno.

Os senhores vejam que linda ideia. A ideia de que a virtude traz consigo todas as espécies de boas maneiras, de boas atitudes.

E que, portanto, aquele que é virtuoso deve normalmente tender a falar bem, a se exprimir bem, a fazer bem feitas todas as coisas.

Como no Evangelho está dito de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele fazia bem tudo quanto Ele tinha de fazer.

Então, os senhores tem aí um princípio que é muito caro a nós, e que é muito pouco caro a um catolicismo deturpado.

E é o princípio de que a religião é empenhada próxima e diretamente em promover a salvação das almas.

São João Evangelista escreve o Apocalipse.As Sagradas Escrituras exigiam a alfabetização maciça dos fiéis.

Mas que como uma espécie de corolário, ela tem empenho em favorecer toda espécie de bem, de beleza, de dignidade de vida e de esplendor de existência entre os homens.

Que isto, por sua vez, dá glória a Deus e por sua vez facilita a virtude.

Os senhores tem aí um aspecto profundamente anticatólico das teologias modernas como a da Libertação, cujo efeito normal é tender para o primarismo, para as péssimas maneiras, para a sujeira, para a ostensiva falta de compostura.

Isso não só é incompatível com a religião, mas desvia as almas da verdadeira religião.

Porque Deus sendo autor de todas as formas de ordem, umas formas de ordem se apoiam nas outras; e aqueles que sabem, por exemplo, comer dignamente, falar corretamente, postar-se decentemente tem nisso um apoio para a virtude.

Essa é a ideia fundamental que Carlos Magno exprime.

Ideia fundamental que a Igreja teve em mente durante toda a sua existência, e que na Idade Média é patente.

Toda a elevação da civilização da barbárie até o estado generalizado em que se encontrava no fim da Idade Média, se deveu a esse princípio.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 6/1/73. Sem revisão do autor)
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6 abril 2014

A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

São Leão III Papa sagra Carlos Magno

imperador do Sacro Império na noite de Natal do ano 800

Leia o post anterior: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

A Igreja reconheceu e coroou na terra Carlos Magno que Deus por certo terá coroado no Céu, em virtude da promessa divina a São Pedro: “tudo o que atares sobre a terra será atado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos céus.(Mt 16, 19).

A coroação tem este lado de bonito, que é a ideia do poder de um Papa.

O Império Romano pagão não nasceu dos Papas. Ele foi feito pelo Senado romano.

O Senado romano é que criou a grandeza romana. Os imperadores romanos apareceram durante a decadência da república romana; uma instituição pagã, portanto, mas que se cristianizou com Constantino.

O Papa se julgava no poder de recompor o Império Romano! Recompôs e fundou o Sacro Império Romano, quer dizer, o Império Romano Sagrado, feito para a defesa da Fé.

Aí se realizava aquele diálogo misterioso de Nosso Senhor com São Pedro, no momento em que Nosso Senhor foi preso.

Os teólogos sempre interpretaram que quando Nosso Senhor, na hora de ser preso, perguntou a São Pedro se tinha espadas consigo, São Pedro respondeu: “Tenho duas”. Nosso Senhor respondeu: “Isto basta!”

Os bons teólogos dizem que é São Pedro afirmando que ele tinha os dois gládios na mão exprimiu simbolicamente o gládio da Igreja, que é espiritual, e o gládio do Estado, que é o poder da força militar, para reduzir as heresias e liquidar com o mal.

Carlos Magno no centro dos imperadores.

Cetro para a sagracão de Carlos VI, século XIV

Esses dois gládios bastam a São Pedro para cumprir a sua missão.

Nessa noite de Natal do ano 800, o Papa acabava de forjar na pessoa de CVarlos Magno um gládio de ouro, que era o Sacro Império Romano Alemão, com a missão de defender a Fé por toda a Cristandade.

Maravilhas, belezas! Elas nos lembram dias tão diferentes, que são os dias em que nós vivemos, em que tudo está exatamente no sentido oposto.

Mas há certos ideais que nunca morrem, porque eles são diretamente deduzidos da Fé, e são imortais como a Fé!

E quando a gente ouve contar esses fatos, a gente compreende que a História do mundo não pode terminar assim. E que ela não pode terminar simplesmente numa derrota.

Tem que haver uma monumental desforra. E a Revolução laicista e igualitária tem que ser pisada de maneira a se constituir o Reino de Maria, para o qual o mundo foi construído.

O mundo foi criado por Deus para que, em determinado momento, o reino dEle sobre o mundo fosse pleno. É preciso que isto se realize.

E nós então temos, da lembrança dessas coisas, uma esperança no futuro.

Nada de mais anacrônico do que o Império de Carlos Magno, mas é um anacronismo criador.

A lembrança desse Império cria uma esperança e a certeza de um futuro. Nós caminhamos para a restauração daquela ordem de que foi Carlos Magno um símbolo.

Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre  Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).
Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre

Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).

Nós podemos pedir a Carlos Magno que reze por nós.

Nem todos os episódios da vida de Carlos Magno são inteiramente claros. A Igreja não se pronunciou bem exatamente sobre se ele é santo ou não santo.

Mas, em certas regiões da Europa, se festeja uma festa do bem-aventurado Carlos Magno que os antepassados dos progressistas tomados de zelo — porque nessas horas os progressistas têm zelo — quiseram abolir a festa de Carlos Magno.

Mas o Beato Pio IX lançou um Breve no qual ele declarava que, nos lugares onde Carlos Magno era cultuado como bem-aventurado, o culto podia continuar.

Nós podemos no interior de nossas almas, pedir a Carlos Magno que nos dê essa força invencível, para nós fundarmos o Reino de Maria, como ele fundou a Idade Média, da qual ele foi a pedra angular.

Santa Joana d’Arc recebia revelações do Céu, e ela sabia bem onde estariam Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, como ela disse, não é?

Então, digamos como Santa Joana d’Arc: Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, rogai para que acabe o caos contemporâneo e que venha logo o Reino de Maria!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

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30 março 2014

Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III

Leia o post anterior: Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

Carlos Magno foi um homem de uma piedade acendrada, mas ao mesmo tempo era analfabeto.

E esse analfabetismo nos mostra muito quão pouca coisa é aprender a ler e escrever mecanicamente como se faz modernamente.

Há um vício para aqueles que aprendem a ler e escrever e é a ideia de que o pensamento começa no livro.

Segundo este vício, quando o sujeito se dispõe a pensar qualquer coisa, a primeira coisa que deve fazer é comprar um livro para ler algo, e depois pensar sobre o que leu.

Então ele pode achar que Carlos Magno não sabendo ler nem escrever não poderia ter pensamento.

Porém, ele tinha uma tal noção das coisas, uma tal inteligência, que sem saber ler nem escrever ele organizou a educação em todo o seu Império, chamando homens como o monge Alcuíno, abade de York. Essa sabedoria o ensino moderno não comunica aos estudantes.

Ele deixava os Bispos decidirem os assuntos da Igreja que só eles podem decidir, mas no fim ele fazia o uso da palavra.

E ele entrava no cerne dos debates teológicos que os Bispos tratavam. E, em geral com sucesso. Era ele que tinha a fórmula teológica certa. Entrementes, Carlo Magno foi um homem que não tinha passado por Seminários.

Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III
Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III

Os senhores compreendem o que é que era um homem desses. Ele foi o arrimo da Igreja, ele foi a glória da Igreja, ele foi o filho da Igreja.

Não invadiu os direitos da Igreja, respeitou a soberania da Igreja, reconheceu-Lhe todo o poder.

E por causa disso, a Igreja também o coroou.

Todo mundo sabe o lindíssimo fato de que no ano de 800, estava ele na velha basílica de São Pedro — até hoje se mostra o lugar onde ele estava ajoelhado, rezando antes de o Papa entrar para a Missa do Galo — quando o Papa São Leão III entrou trazendo uma coroa de ouro.

E o Papa declarou que na pessoa dele, reconstituía o Império Romano esboroado, e o proclamava Imperador do Império Romano.

Carlos Magno, por modéstia, não quis.

O Papa levou-o até um balcão onde todo o povo o aclamou:

“Viva Carlos Magno, nosso Imperador!”

Estava restaurado assim o Império Romano, que haveria de durar por volta de mil anos.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

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23 março 2014

Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

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Busto-urna com relíquias de Carlos Magno. Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.
Busto-urna com relíquias de Carlos Magno.

Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.

Leia o post anterior: Momento providencial em que apareceu Carlos Magno
Carlos Magno, grande guerreiro foi ao mesmo tempo um grande formador de homens.

Ele formou um conjunto de heróis que passou para a História como o conjunto dos conjuntos, que foram os Doze Pares de Carlos Magno.

Quando se fala de Par de Carlos Magno, se fala também de uma relação ideal entre um senhor e seu servidor.

Na ordem temporal, nunca a relação entre um chefe e seus súditos foi tão nobre, tão elevada, tão forte, nunca condição de súdito foi tão categórica, mas ao mesmo tempo comunicativa de tanta grandeza, quanto alguém ser um Par de Carlos Magno.

Entre Carlos Magno e seu pares havia um andar de diferença. E ele era de tal maneira, que todos os Pares juntos não davam o que ele era.

Mas um Par de Carlos Magno era como que uma projeção de um aspecto da personalidade dele.

Um Par de Carlos Magno era como um filho e um embaixador de Carlos Magno, trazendo consigo toda a carlomanicidade que ele tinha, participando da majestade de Carlos Magno, da força, da grandeza… Eram outros ele mesmo, embora ele fosse inconfundível.

Nessa relação está exatamente a beleza do nexo que o unia a eles.

De outro lado, uma coisa muito bonita era a solidariedade desses Pares. Uma solidariedade sem vaidade, sem inveja, que visava apenas o serviço do Imperador.

Estátuas dos Pares da França em volta do túmulo de São Remígio, Reims

E no serviço do Imperador, a Causa da Civilização Cristã e, portanto, da Igreja Católica, e portanto, de Nossa Senhora, e portanto, de Nosso Senhor Jesus Cristo no mais alto dos Céus, por uma série de mediações, que Carlos Magno servia.

E por isso, eles eram intimamente unidos entre si. E o modelo ideal da amizade nobre, forte, varonil, despretensiosa e leal é a amizade que reuniu os Pares de Carlos Magno.

Por causa disto, por uma tradição cristã em todos os países da Europa, a alta nobreza procurou tomar o título de Par, exatamente um Par do Reino, no Reino Unido, um Par do Reino na França.

Eram uma cópia de Carlos Magno com seus Pares, de tal maneira Carlos Magno era a personificação de toda a perfeição de relações com os seus súditos, que ele elevava à condição de filhos e de outros “eu mesmo”, embora ele os mantivesse, ao mesmo tempo, claramente na posição de súditos.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)



Leia o post seguinte: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

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16 março 2014

Momento providencial em que apareceu Carlos Magno

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Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.  Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.
Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Leia o post anterior: Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval
O Império romano cristianizado havia sido derrubado pela avalanche dos bárbaros. Os bárbaros eram todos eles ou arianos ou pagãos.

O arianismo era uma heresia que pode ser vagamente comparada ao protestantismo.

O ariano era tão anticatólico quanto o é o protestante, quer dizer, cortado da Igreja, herege, excomungado, inimigo.

Um bispo ariano chamado Úlfilas tinha pervertido os pagãos bárbaros para a religião ariana.

De maneira que grande parte dos bárbaros que invadiram o Império Romano, que era católico, vinham com a intenção de impor a religião ariana.

Outros eram pagãos, e a intenção deles era impor o paganismo.

Uns e outros eram bárbaros. E como bárbaros, eram incompatíveis por hábito, por psicologia, por tendência natural, à civilização.

Eles se estabeleceram no Império Romano do Ocidente, e foram espandongando, querendo ou não querendo, a civilização.

Basta dizer que em geral os bárbaros dormiam nas praças públicas das cidades, porque eles sentiam falta de ar de dormir dentro das casas. Não compreendiam que se pudesse dormir dentro de casa.

Mas havia uma tribo bárbara que sentia falta de ar em dormir na cidade. Quando chegava a noite, eles abriam a porta da cidade e iam dormir no mato, porque na praça da cidade eles não sentiam respiração.

Os bárbaros viam que os romanos eram alfabetizados, mas muito decadentes, corruptos e maus soldados. E eles achavam que a razão disso era a alfabetização.

E então, eles tinham o maior desprezo ao homem que se alfabetizasse. O alfabetizado era mais ou menos o efeminado.

Carlos Magno deteve os fluxos invasores pagãos e islâmicos na Europa. Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França
Carlos Magno deteve os fluxos invasores pagãos e islâmicos na Europa.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Quando os bárbaros começaram a impor a sua tirania detestável sobre o solo europeu, no Império debandando, só ficou de pé a Igreja.

A Igreja, com suas dioceses, com seus conventos, etc., continuou de pé.

Então o ponto de salvação para sair do abismo era fortalecer a Igreja. Aí vem nova catástrofe: a Península Ibérica é invadida por maometanos, por causa da moleza dos visigodos que habitavam a Espanha.

A onda árabe começou a invadir a Europa semi-romana e semi-bárbara a partir dos Pirineus.

Sem falar que muitos maometanos tomavam barcos, desembarcavam na Itália, no sul da França, e começavam as invasões também.

De maneira que esta chaga viva, que era a Europa daquele tempo, ainda começou a sofrer a pancadaria maometana.

Foi nesse momento, em que tudo parecia perdido, que Deus suscitou esse homem extraordinário que foi Carlos Magno.

Um homem que, a meu ver, foi um verdadeiro profeta. Quer dizer, um homem que realizou o Reino de Deus, porque tinha o dom de compreender no que ele consistia e o dom de levar os outros a unirem as suas vontades para essa realização.

Tinha o dom, além do mais, de vencer, de derrubar os obstáculos que se opusessem a essa realização.

Carlos Magno era de uma família que já há duas gerações tinha o reino dos francos.

A sabedoria de Carlos Magno nos conselhos do Império.  Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.
A sabedoria de Carlos Magno nos conselhos do Império.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Essa família, também ela dividida por lutas intestinas, tinha certo ascendente entre os francos que eram um dos povos bárbaros que havia na Europa.

Carlos Magno, dirigindo os francos, fez cinquenta e tantas expedições militares em que ele espandongou os bárbaros completamente. Depois também conteve o poderio maometano.

E com isto ele recuou as portas da História. Quer dizer, a História parecia condenar irremissivelmente o povo latino a desaparecer sob a pressão germânica e a pressão maometana. Carlos Magno salvou a latinidade e a catolicidade.

Esse homem era hercúleo. De alta estatura, de traços muito regulares e muito bem feitos, tendo conservado até ancianidade alguma coisa de moço.

Mas ao mesmo tempo, no seu tempo de moço com qualquer coisa da maturidade da ancianidade, ele incutia respeito no tempo de moço, como se ele fosse um velho. E sabia infundir entusiasmo no tempo de velho, como se ele fosse moço.

Ele era um homem tão amável, tão gentil, que a legenda popular dizia que ao longo de sua barba branca, quando ele sorria nasciam flores, e que a sua barba era toda florida.

Ele era chamado rei da barba florida.

Por aí os senhores podem imaginar a riqueza dessa personalidade: terrível no combate mas ao mesmo tempo tão amável, tão gentil, que os outros julgavam ver flores nascerem de sua barba.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72.
Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

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9 março 2014

Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval

Carlos Magno, iluminura do século XV. British Library
Carlos Magno, iluminura do século XV.

British Library

Leia o post anterior

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira teceu os seguinte comentários sobre o grande imperador:

Nós lemos o seguinte sobre Carlos Magno, na grande “História Universal” de João Baptista von Weiss, historiador alemão católico condecorado pelo Papa Beato Pio IX com a Ordem de São Gregório:

Em 772, com 30 anos, Carlos tomou o governo do reino dos francos. Com razão Carlos se chamou Magno. Mereceu esse nome como general e conquistador, como ordenador e legislador de seu imenso império e como incentivador de toda a vida espiritual do Ocidente.

Por seu governo, as idéias cristãs alcançaram vitórias sobre os bárbaros. Sua vida foi uma constante luta contra a grosseria e a barbárie, que ameaçavam a Religião Católica e a nova cultura que nascia.

Nada menos que 53 expedições militares foram por ele empreendidas, a saber: dezoito contra os saxões, uma contra a Aquitânia, cinco contra os lombardos, sete contra os árabes, da Espanha, uma contra os turíngeos, quatro contra os ávaros, duas contra os bretões, uma contra os bávaros, quatro contra os eslavos, cinco contra os sarracenos da Itália, três contra os dinamarqueses e duas contra os gregos.

No Natal do ano de 800, o Papa São Leão o elevou à dignidade de Imperador, fundando assim a mais nobre instituição temporal da Cristandade, O Sacro Império Romano Alemão.

A 29 de fevereiro de 814, Carlos faleceu, depois de ter recebido a Sagrada Comunhão. Foi enterrado, segundo a legenda, em um nicho da Catedral de Aix-la-Chapelle, em posição ereta, sentado em um trono, cingido de espada e com o livro dos Evangelhos nas mãos.

É ele o modelo dos imperadores católicos, o protótipo do cavalheiro e a figura central da grande maioria das canções de gesta medievais”.

Quando se fala de Carlos Magno, de seus feitos e de sua grandeza, me vem à ideia a figura extraordinária de Moisés, também com seus feitos e sua grandeza.

Moisés estabeleceu a ordenação política e social do povo eleito, que era a pré-figura da Cristandade.

Ele recebeu a revelação dos Dez Mandamentos da Lei, o que levou o povo eleito até as portas da Terra Prometida, tirando-o do cativeiro.

Ele estabeleceu os elementos fundamentais para que o povo eleito se fixasse e dele viesse a nascer o futuro Salvador.

Moisés, catedral de Edinburgo, Escócia
Moisés, catedral de Edinburgo, Escócia

Carlos Magno teve uma tarefa que, considerada em essência, foi análoga à de Moisés.

Ele tomou o povo eleito verdadeiro, que não eram mais os judeus, que eram uma prefigura do povo eleito.

Mas o povo verdadeiro, que é o povo católico, que estava sujeito a uma servidão iminente da parte dos piores adversários.

E por uma luta tremenda, ele venceu esses adversários todos e estabeleceu os fundamentos da Civilização Cristã.

Para nós nos darmos ideia um pouco do que foi a tarefa de Carlos Magno, nós temos que considerar as condições de seu tempo.

Até o século V de nossa era, o Império Romano do Ocidente cobria toda a Europa Ocidental.

E, em linhas muito gerais, estendia as suas fronteiras desde o Reno e do Danúbio até Portugal, no sentido do Ocidente; até a Inglaterra no sentido do norte, e até a Itália no sentido do sul. Era portanto uma imensa unidade.

Ainda mais imensa porque as vias de comunicações muito mais lentas naquele tempo do que no nosso, faziam com que fosse muito difícil um imperador governar toda essa extensão.

De maneira que as dimensões do Império, calculadas em proporção com a máquina administrativa e política que deveria mantê-lo uno, eram proporções verdadeiramente gigantescas.

 
(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)Leia o post seguinte: Momento providencial em que apareceu Carlos Magno

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23 fevereiro 2014

No 1200º aniversário: Carlos Magno sob a luz dourada da História e da lenda

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Busto-relicário de Carlos Magno.

Fundo: catedral de Aachen, Alemanha, capital de seu império

 

Em 28 de janeiro de 2014, a Cristandade comemorou 1.200 anos do falecimento do imperador Carlos Magno (*748–†814).

Em sua pessoa o Papa instituiu o Sacro Império Romano Germánico, obra prima da ordem social e política cristã, hoje infelizmente posta de lado.

Eventos culturais do mais alto nível estão anunciados pela Europa toda para comemorar a data.

O Museu Nacional da Suíça, por exemplo, lhe consagra uma exposição especial reunindo objetos prestigiosos, verdadeiras relíquias, emprestados por numerosos museus e instituições suícas e estrangeiras.

É difícil, reconhecem os organizadores, montar o quadro completo dos imensos progresos que o grande imperador católico, venerado em certas dioceses como Beato, trouxe para a Civilização Cristã.

No domínios da educação, da arte, da arquitetura e da religião não houve como ele.

Salas temáticas serão consagradas à personalidade do grande Carlos e seus colaboradores mais próximos. A seu império, aos conventos, igrejas e palácios que mandou construir e retratam de modo vivo sua época de influência pessoal nas décadas de 740 a 900.

Todo um outro tema é o culto devotado a Carlos Magno pela Igreja Católica.

E ainda outro é a extraordinária produção de lendas que o povo foi criando em torno de sua magnífica e riquíssima personalidade após sua morte.

Não é tão importante saber se o Carlos Magno histórico correspondeu à legenda. Pois há, além do Carlos Magno histórico, o Carlos Magno da lenda.

Na história, entrementes, vê-se bem como o Carlos Magno da legenda contém toda uma teoria do rei perfeito elaborada pelo espírito popular.

Então, compreende-se bem a importância histórica da legenda.

O Carlos Magno da legenda teve mais influência na história do que o Carlos Magno da realidade, pois correspondeu a um anseio profundo dos homens.

Foi a câmara escura da mente popular que elaborou o Carlos Magno da legenda, o rei perfeito.

Vê-se aqui bem como trabalha o mais fundo do subconsciente humano, como ele tem noções difíceis de formular em abstrato, e que os especialistas de biblioteca muitas e muitas vezes não compreendem bem.

Compreende-se o bem o ato de virtude que fizeram os povos cristãos elaborando a imagem do imperador ideal.

Mas se compreende também quão fundo caiu o homem moderno, “liberado” das “crendices” medievais.

Basta ver a TV, os jornais ou a Internet. Onde há alguém, histórico ou legendário que chegue aos pés do grande Carlos?

Iniciamos hoje uma série de posts sobre o imperador Carlos Magno na lenda e também – e quanto! – na História cristã.

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3 dezembro 2013

Criança recém-nascida, mas Rei de toda majestade e de toda glória

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O Divino Infante, com majestade de verdadeiro Rei, repousa em seu presépio, embora seja ainda uma criança recém-nascida.

Ele, Rei de toda majestade e de toda glória, o criador do Céu e da Terra, Deus encarnado feito homem.

Ele, detentor desde o primeiro instante de seu ser — portanto já no claustro de Nossa Senhora — de mais majestade, mais grandeza, mais manifestações de força e de poder que todos os homens, em toda a História da humanidade.

Ele, conhecedor de todas as coisas, sabendo incomparavelmente mais do que qualquer cientista.

Ele, em vários momentos, manifestando na fisionomia, sempre variável, esta majestade feita de sabedoria, de santidade, de ciência e de poder.

Imaginemos perceber tudo isso misteriosamente expresso na fisionomia desse Menino.


Às vezes ao mover-se e no movimento aparecendo sua faceta de Rei.

Abrindo os olhos e no olhar externando um fulgor de tal profundidade que n`Ele divisamos um grande sábio.

Rodeando-O, uma atmosfera que nimba de santidade todos aqueles que d`Ele se acercam.

Uma atmosfera de pureza tal, que as pessoas não se aproximam daquele local sem antes pedir perdão por seus pecados; mas, ao mesmo tempo, sentindo-se atraídas à emenda pela santidade que emana daquele sagrado recinto.

(Fonte: Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 29-12-1973. Sem revisão do autor. “Catolicismo”)
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26 novembro 2013

O relicário dos três santos Reis Magos na catedral de Colônia

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Urna dos Três Reis Magos, catedral de Colônia, Alemanha

Nenhum comentador da adoração prestada ao Menino Jesus pelos três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltasar — nega que era conveniente eles irem adorá-lo, para representar os vários povos da gentilidade aproximando-se de seu berço desde o começo.

Era conveniente também que fossem magos, para representar toda a sabedoria antiga prestando homenagem ao Menino-Deus.

Sabemos que, naquela época, mago era adjetivo para o homem de uma sabedoria extraordinária.

Eram sábios, os que foram adorar o Messias.

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19 novembro 2013

Enlevo pela Idade Média revive episódios históricos

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Com armas, armaduras, estandartes, cruzes e apetrechos, milhares de europeus revivem cada ano grandes momentos da gesta medieval.

Eles recriam ambientes e exércitos que causam inveja ao cinema pela exatidão da reconstituição histórica.

Na Inglaterra por volta de 20.000 pessoas participam de 300 re-encenações por ano, segundo a BBC.

Elas são sempre mais numerosas.

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12 novembro 2013

Bula “Universitas Parens Scientiarum” do Papa Gregório IX regulamentando a Universidade de Paris

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Gregório IX, autor da Bula “Universitas Parens Scientiarum”
Gregório IX, autor da Bula “Universitas Parens Scientiarum”

A Universidade é uma criação da Igreja Católica na Idade Média. Até as Universidades modernas usufruem de direitos e privilégios concedidos pelos Papas na era medieval.

Em diversos posts deste blog tratamos da importância capital do impulso dado pelos Papas às Universidades.

A seguir apresentamos um exemplo de como os Papas fizeram isso.

Trata-se da Bula “Universitas Parens Scientiarum” de 13 de abril de 1231, emitida pelo Papa Gregório IX (1227-1241), regulamentando as atividades da Universidade de Paris, mais conhecida como a Sorbonne.

Numa época como a nossa em que as Universidades Católicas se revoltam contra as legítimas autoridades eclesiásticas e até decapitam em esfinge ao Santo Padre, como aconteceu na PUC de São Paulo, o documento a seguir produz um efeito ordenativo restaurador:

Gregório bispo, servidor dos servidores de Deus, a seus amados filhos, a todos os mestres e estudantes de Paris, saudação e benção apostólica.

Paris, mãe das ciências, como uma outra Cariath Sepher, cidade das letras, brilha com um esplendor precioso, grande sem dúvida.

Ela faz ouvir de si as maiores coisas, graças àqueles que nela apreendem e ensinam (…)

Paris medieval, época em que nasceu e floresceu a atual Universidade da Sorbonne
Paris medieval, época em que nasceu e floresceu a atual Universidade da Sorbonne

Desta maneira, é fora de dúvida que aquele que em dita cidade se esforçar para perturbar uma graça tão resplandecente ou aquele que não se opuser claramente e com força àqueles que a perturbam, desagrada profundamente a Deus e aos homens.

É por isso que, tendo considerado atentamente os problemas que nos foram submetidos a propósito da discórdia que ali nasce por instigação do diabo e que perturba gravemente os estudos, Nós julgamos, após ouvir o conselho de nossos irmãos, que é preferível resolver os problemas de modo mais prudente com um regulamento do que por uma decisão judicial.

Reunião dos doutores da Universidade de Paris
Reunião dos doutores da Universidade de Paris

Assim, no que concerne ao estatuto dos estudantes e das escolas, Nós decidimos que se deverão aplicar as seguintes regras:

Aquele que será escolhido como Chanceler de Paris deverá, na hora de sua posse, jurar diante do bispo, ou por decisão dele, diante do capítulo de Paris, na presença de dois mestres convocados para isso em representação da Universidade dos estudantes de Teologia e de Direito, lealmente e segundo a sua consciência, que ele não concederá licença de ensinar senão a homens dignos em função do lugar e do momento, segundo o estatuto da cidade, a honra e o renome das Faculdades, e recusará a licença aos indignos, afastando toda acepção de pessoa ou de origem.

Antes de conceder a licença a quem quer que seja, nos três meses a contar desde a apresentação do pedido de licença, ele deverá fazer-se examinar com diligencia, pelos mestres em teologia presentes na cidade e também por outras pessoas honestas e cultivadas, para que por meio deles se possa conhecer o valor, as ambições e outras coisas que se examinam nessas ocasiões.

Tendo assim examinado tudo o que convém fazer e parecer oportuno, o Chanceler, de acordo com sua alma e consciência, concederá ou recusará ao candidato a licença solicitada.

Quanto aos mestres de teologia e direito, quando eles começarem a dar aulas, prestarão juramento público de dar fiel testemunho das coisas ditas. O Chanceler jurará também não revelar jamais as declarações dos mestres se for em detrimento deles, da sua liberdade e do direito dos cônegos de Paris, que continuam com todo seu vigor inicial.

Estudantes na Universidade de Paris
Estudantes na Universidade de Paris

No caso dos médicos, dos artistas e dos outros, o Chanceler prometera examinar lealmente os mestres e admitir pessoas dignas, excluindo as indignas.

Além do mais, sendo verdadeiro que o mal se infiltra facilmente onde reina a desordem, Nós vos concedemos o poder de estabelecer sábias constituições ou regulamentos sobre os métodos e os horários das lições, das discussões, sobre as vestimentas apropriadas e as cerimônias funerárias.

Sobre os bacharéis: quem deverá dar as aulas, a hora, o autor escolhido, as taxas dos aluguéis e a proibição de certas casas, bem como o poder de castigar devidamente aqueles que se rebelarão contra estas constituições ou regulamentos, expulsando-os se mister (…).

Aquele que cometer um crime que postula prisão será detido no cárcere do bispo, ficando o Chanceler absolutamente proibido de manter uma prisão privada.

Nós proibimos, além do mais, que qualquer estudante venha preso por causa de uma dívida, pois isso está proibido por decisões canônicas regulares.

Nem o bispo, nem seu vigário, nem o Chanceler poderá pronunciar uma pena pecuniária para levantar uma excomunhão ou qualquer outra censura.

O Chanceler não poderá exigir dos mestres aos quais concedeu licença, juramento algum, ou qualquer sinal de submissão, ou outra forma, e não exigirá em virtude deste documento soma alguma de dinheiro ou obrigação, mas se contentará com o juramento acima indicado.

Estatutos da Universidade de Paris
Estatutos da Universidade de Paris

Nós proibimos formalmente os estudantes de andarem armados e ordenamos que a Universidade interdite aqueles que perturbarem a paz e o estudo.

Aqueles que fingem serem estudantes sem frequentar as aulas nem terem mestres, jamais poderão gozar das franquias (libertas) dos estudantes (…).

Que ninguém infrinja esta decisão, constituição, concessão, proibição e interdição, ou ouse opor-se a ela com audácia temerária.

E se alguém ousar atentar, saiba que encontrará a indignação de Deus todo-poderoso e dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Latrão, nos idos de abril, do quinto ano de nosso pontificado.

(Fonte: Internet Medieval Sourcebook, http://www.fordham.edu/halsall/french/bul.htm, Gregório IX (1227-1241), Bula “Universitas Parens Scientiarum”, datada de 13 de abril de 1231. “Chartularium Universitatis Parisiensis”, éditions H. Denifle et E. Chatelain, Paris, Delalain, 1889, Tome 1, p. 136-139. Auteur: Kareen Healey kareenh@dsuper.net).
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5 novembro 2013

Templários: fé, prudência e bravura ensinadas por São Bernardo de Claraval

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São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes
São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes

O grande paladino de Nossa Senhora, São Bernardo abade de Claraval, falou sobre a vida que devem levar aqueles que combatem por Jesus Cristo, com estas palavras:

“Quando se aproxima a hora do combate, armam-se de fé os cavaleiros, abrem-se a Deus em sua alma e cobrem-se, por fora, de ferro, não de ouro, a fim de que assim sejam bem apercebidos de armas, não adornados com jóias, infundam medo e pavor aos seus inimigos, sem excitar sua cobiça.”

Aqui a gente vê a prudência do santo. No tempo da guerra medieval muitos cavaleiros tomados por um certo mundanismo que invadia o ambiente da Cavalaria, gostavam de se apresentar com couraças de ouro ou prata, recamadas de pedras preciosas.

Agora, acontece que o ouro e a prata oferecem ao adversário um obstáculo muito menos forte do que o ferro.

Por outro lado, quando os maometanos viam uma couraça de ouro e de prata reluzente de pedras preciosas, o gênio comercial fazia com que houvesse o desejo de apreender aquilo que ingenuamente estava rutilando de objetos dignos de cobiça.

Então, São Bernardo entra argutamente no assunto e diz: para quem combate seriamente por Jesus Cristo, nada de mundanismo, nada de couraças que atraem o ódio do adversário, atraem a cobiça do adversário e não lhe metem medo.

Nós precisamos ter couraças que metam medo e não atraiam a cobiça. Quer dizer, é um modo de apresentar onde se apalpa a prudência do santo.

“É preciso ter cavalos fortes e velozes, não formosos e bem ajaezados”.

Oração antes de combate
Oração antes de combate

A outra ideia é lembrar exatamente que o cavalo bonito em batalha não serve; e é preciso ter cavalos fortes e velozes também.

Cavalo veloz serve para ir para a frente, mas para trás também.

Mas a questão é que quando é preciso recuar, na hora de recuar, é preciso recuar.

E se há um momento em que a virtude da prudência manda fugir, é preciso saber fugir.

O cavalo veloz é muito bom para o ataque, porque o impacto da lança do adversário está em razão da velocidade do cavalo.

Mas, por outro lado, o cavalo veloz é muito bom na hora da fuga e a gente vê que São Bernardo estima o cavalo para os dois efeitos. Então, ele dá essa recomendação absolutamente pertinente.

Ele continua:

“pois o verdadeiro cavaleiro pensa mais em vencer do que em fazer proezas”.

Como isto é bem achado!

A proeza não adianta de nada, o que adianta é vitória.

O que o cavaleiro quer é esmagar o inimigo e implantar o Reino de Maria.

Se um tal processo, ou tal outro processo dá mais resultado mais vistoso ou menos, pouco importa. O que é preciso é alcançar o resultado.

“e os cavaleiros mundanos precisamente o que desejam é causar admiração e pasmo e não causar medo”.

A defesa de Acre pelos cavaleiros de Malta
A defesa de Acre pelos cavaleiros de Malta

Ora, diz ele, o que é preciso para um cavaleiro católico é causar turbação e medo.

Depois ele continua:

“Mostrando-se em tudo verdadeiros israelitas, que se adiantam ao combate pacífica e sossegadamente; mas apenas o clarim dá o sinal do ataque, deixando subitamente sua natural benignidade, parecem gritar com o salmista: Não temos odiado, Senhor, aos que te aborrecem? Não temos consumido de dor, ao ver a conduta de teus inimigos?”

Quer dizer, o exército católico marcha calmo e tranquilo em direção ao adversário. Quando chega perto, exclama: Senhor, não é verdade que odiamos o teu adversário? E começa então uma batalha que ninguém agüenta, que ninguém é capaz de deter, uma investida que ninguém é capaz de deter.

O contraste é magnífico: calma, fleuma, reflexão, e depois, em determinado momento, o ataque furioso. Esse ataque só o homem refletido faz; o homem irrefletido não faz.

É toda uma apologia da reflexão dirigindo todas as coisas, ou seja, da sabedoria dirigindo todas as coisas.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 3.12.66, sem revisão do autor).
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29 outubro 2013

O verdadeiro nome da arquitetura gótica é ‘arquitetura cristã

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Catedral de Reims, França
Catedral de Reims, França

Se houvesse uma qualificação para se dar ao estudo que daremos prosseguimento, poderíamos dizer que ela se relaciona à filosofia da arquitetura.

Daniel Ramée, Viollet-Leduc e alguns outros autores especialistas mostraram como se desanuvia o fim moral e o alcance intelectual dos procedimentos técnicos, que são os meios materiais mais importantes e úteis das artes.

Contudo, ao estudarmos as condições que constituem os méritos do estilo gótico, precisamos ir além da beleza estética.

As descrições entusiásticas de nossos antigos monumentos, das visões engenhosas ou poéticas, a justa admiração das obras-primas do espírito humano são de fundo comum, estão abertas a todos aqueles que pensam, e, mesmo àqueles que se contentam em sentir vagamente tais obras; esta distinção essencial é perfeitamente enunciada na obra de Eugène Loudun:

Catedral de Aachen, Alemanha
Catedral de Aachen, Alemanha

“Há duas admirações: aquela do grande público, e aquela do homem instruído. O homem instruído vê as qualidades de uma obra-prima e as explica.

“O grande público, o vulgar, também admira … ele não saberia dizer por que ele admira, mas ele sente que o que ele tem diante dos olhos é admirável. Um camponês não exclamará: é belo!

Catedral Notre Dame de Paris

“Mas ele levará consigo uma imagem do que viu, e, em algum momento, lhe virá uma lembrança que lhe fará levantar a cabeça, como que para vê-la novamente [Eugène Loudun, L'Italie moderne, p.27 - Paris, Rétaux-Bray, 1886, in Revue du monde catholique, 1e novembre 1886].”

Capela de Assis, Itália
Capela de Assis, Itália

Esse sentimento de entusiasmo, quer ele seja mudo ou ruidoso, o estilo gótico inspira ao mais alto grau, e, mais do que em qualquer outro sistema da arquitetura.

Contudo, é preciso dizer que, entre a maior parte dos escritores, os motivos da admiração de tal estilo estão sempre do lado das causas reais: a ornamentação, os pequenos detalhes sobre os quais se insiste são, sobretudo, somente acessórios, cuja supressão não mudaria nada e nem destruiria o mérito essencial da obra.

Esse mérito, que trataremos em expor: é a fonte do sentimento religioso por trás de tal sistema, de onde, por seu alcance real, constataremos sua superioridade intelectual e moral, e, pelos quais, tal sistema é capaz de nos impressionar de uma forma tão intima, profunda e durável.

Catedral de Laon, França
Catedral de Laon, França

Não podemos nos deter nos louvores da ogiva ou nos méritos do arco duplo, nem muito menos nas maravilhosas rosáceas e nos vitrais, nas esculturas sobre a pedra e sobre a madeira, nem nos detalhes secundários, comuns aos diversos estilos, ou que qualquer outro estilo pode se apoderar.

É preciso demonstrar que o estilo gótico é independente de todas essas minúcias, e que ele encerra em si mesmo os princípios que lhe são próprios, a mais alta expressão da arte jamais atingida.

(Autor: Alphonse Castaing, “Le style gothique, ses origines, sa supériorité matérielle et morale”, Revue du monde catholique, 1er novembre 1886. Apud Annales Historiae)
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22 outubro 2013

Melhores vinhos modernos: herança das abadias medievais

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Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l'Abbé, faugères; Domaine de l'abbaye du Petit Quincy, chablis; Le Clos du Cellier aux Moines. Fundo: antiga abadia de Paray-le-Monial
Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l’Abbé, faugères;

Domaine de l’abbaye du Petit Quincy, chablis;

Le Clos du Cellier aux Moines

Fundo: antiga abadia de Paray-le-Monial

Os vinhedos da Gália do tempo dos romanos – que inclui a França, mas partes de outros países europeus – foram plantados pelos legionários durante suas guerras de conquista no século I.

Eles tinham uma muito grande sofisticação na produção, escreveu o especialista em vinhos Marcel Larchiver em seu livro de referência “Vinhos, vinhas e vinhateiros”:

“Para os romanos, o vinho era ao mesmo tempo um objeto de comércio e de luxo, mas também um néctar divino do qual lhes parecia impossível renunciar. Por isso, o vinhedo era rodeado de todos os cuidados”.

Porém, o Império Romano veio abaixo no século V e a anarquia e os saques das hordas bárbaras destruiram a plantação.

Foi nessa época de caos, morte e destruição que se desenvolveu o apostolado da Igreja Católica.

Já desde o século IV a Igreja estimulava o desenvolvimento das vinhas. Em primeiro lugar porque o vinho era necessário para a consagração na Missa e para a Comunhão.

Os bispos fundaram importantes vinhedos, e esta obra contribuiu a fortalecer sua imagem ante o povo.

Mas vieram também os mosteiros. Na França medieval havia mais de um milhar de mosteiros masculinos entre os quais 250 abadias cistercienses e mais de 400 abadias beneditinas.

O vinho também era necessário para fortalecer os numerosos peregrinos que batiam nas portas das abadias para pedir hospedagem e alimentação gratuita após longas jornadas de caminhada.

O vinho que os medievais apreciavam também tinha efeitos benéficos para a saúde e era usado para tratar os doentes.

A abadia de Cîteaux foi fundada em 1098 e adquiriu em 1100 um terreno então desconhecido, mas onde hoje se faz o famosíssimo Vougeot. Ali, os monges plantaram uma vinha hoje universalmente cobiçada.

Abbaye de Valmagne, Coteaux du Languedoc; Domaine da abadia du Petit Quincy;  Corbières Deo Gratias, abadia de Corbières. Fundo: abadia na Aquitânia
Abbaye de Valmagne, Coteaux du Languedoc; Domaine da abadia du Petit Quincy;

Corbières Deo Gratias, abadia de Corbières. Fundo: abadia na Aquitânia

Eles coletaram, uma a uma, as pedras brancas que impediam a plantação e as usaram para fazer cercas de pedra que delimitavam a propriedade, afastavam os ladrões e concentravam o calor do sol.

Nasceu assim o Clos (fechado) de onde o nome Clos Vougeot.

Os leigos intercalavam as vinhas com árvores frutíferas para completar os lucros.

Mas, os monges interditaram absolutamente esse costume para não empobrecer a terra e evitar a sombra sobre as uvas.

Eles se empenharam em selecionar as melhores cepas, requintar o processo de vinificação e definir os melhores locais.

Nasceram assim mais de uma centena de “appellations” francesas que são de origem puramente monástico.

Os monges viajavam muito e trocavam informações sobre técnicas por via oral, por isso faltam registros sobre o assunto.

Eles ensinavam aos populares como fazer sem receber nada em troca, salva a gratidão que o povo foi manifestando a seus benfeitores.

O prestígio dos vinhedos monacais atravessou as fronteiras francesas. Um certo Dom Denise, monge italiano ingressou num mosteiro da Borgonha só para roubar o segredo do vinho.

O fruto de sua espionagem ficou registrado numa “Memória” que acabou sendo descoberta há uma década numa biblioteca de Florença.

O documento demostra que os eclesiásticos reclusos haviam desenvolvido a ponta da técnica e que seus métodos não perderam um milímetro de atualidade.

Le Clos du Cellier aux Moines; Abbaye de Valmagne, Coteaux du Languedoc;  Deo Gratias, abadia de Corbières; Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l'Abbé.  Fundo: abadia de Royaumont, Ile de France.
Le Clos du Cellier aux Moines; Abbaye de Valmagne, Coteaux du Languedoc;

Deo Gratias, abadia de Corbières; Abbaye Sylva Plana, Le Songe de l’Abbé.

Fundo: abadia de Royaumont, Ile de France.

Acresce que as propriedades dos monges possuíam uma estabilidade de séculos, e os vinhos, portanto, herdavam séculos de requintes.

Porém, a torpeza da Revolução Francesa golpeou a própria base desta paciente construção: a propriedade.

As abadias de Cluny e Cîteaux foram arrasadas e todos os bens da Igreja foram confiscados, depredados e vendidos a vil preço.

Alguns desses vinhedos haviam sido vendidos a particulares em tempos anteriores em circunstâncias diversas.

Foi o caso de vinhedos que produzem vinhos cujo simples nome faz sonhar os entendido: por exemplo o de Romanée cedido em 1631, e o de Clos de Bèze em 1651.

Ainda hoje são produzidos vinhos abaciais na origem, graças ao empenho de sucessores dos compradores dos vinhedos monásticos durante os desmandos democráticos revolucionários.

Os dias atuais exigem objetivos de rentabilidade que nem passavam pela cabeça dos monges que aspiravam à eternidade, e esses vinhos passam airosos o teste.

Mas, o exemplo dos religiosos medievais ainda exerce boa influência.

Como diz um dos atuais proprietários, citado por “Le Figaro”: “num local como este não há opção: nós temos a obrigação de fazer o melhor”.

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15 outubro 2013

Suger, abade de Saint Denis: não poupar arte nem riqueza no culto sagrado

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O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis
O abade Suger aos pés de Jesus Cristo, vitral da abadia de Saint-Denis

Dom Suger (1081-1151) foi abade de Saint-Denis (França), desde 1122 até sua morte.

Hábil diplomata, foi conselheiro de Luís VI e de Luís VII e Regente durante a Segunda Cruzada.

Foi chamado de “pai da monarquia francesa”.

Suger formulou uma justificação filosófica para a vida e a arte, notadamente para suas realizações arquitetônicas. Compartilhando o sentir medieval, ele concebia os monumentos como obras de teologia.

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8 outubro 2013

Descobertas grandes e surpreendentes

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No início do século VII, o monge Eilmer voou mais de 180 metros com uma espécie de asa delta.

Posteriormente o padre jesuíta Francesco Lana-Terzi estudou o vôo de modo sistemático e descreveu a geometria e a física de uma nave voadora.

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1 outubro 2013

Monges inventores de tecnologias logo comunicadas a todos

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Os monges cistercienses ficaram famosos pela sua sofisticação tecnológica.

Uma grande rede de comunicações ligava os mosteiros, e entre eles as informações circulavam rapidamente.

Isso explica que equipamentos similares aparecessem simultaneamente em abadias, por vezes a milhares de milhas umas das outras.

No século XII o mosteiro de Clairvaux, na França, copiou 742 vezes um relatório sobre o aproveitamento da energia hidráulica, para que chegasse a todas as casas cistercienses do Velho Continente.

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24 setembro 2013

Dignidade pessoal nas classes sociais medievais: clero, nobreza e povo

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As três classes sociais: clero, nobreza e povo  Religioso, nobre e plebeu
As três classes sociais: clero, nobreza e povo

Religioso, nobre e plebeu

Havia na Idade Média uma forma de distinção própria a cada classe social.

Ela era condicionada à função de cada qual na sociedade.

Havia uma distinção eclesiástica, uma distinção aristocrática e uma burguesa.

É necessário não confundir a distinção, segundo a concepção medieval, com a dos tempos modernos.

No Ancien Régime, por exemplo, a distinção eclesiástica era ter o cabelo empoado, usar lencinho, e uma série de atitudes congêneres que davam idéia de um homem adamado, freqüentando a sociedade mundana.

Hoje, o bispo avançado procura parecer com qualquer um, um sindicalista ou um invasor de terras do tipo emessetista.

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17 setembro 2013

Nobreza: segunda classe da epoca medieval

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A nobreza era a classe militar
A nobreza era a classe militar

Na época medieval, a nobreza era a classe militar, obrigada a lutar em tempo de guerra.

Formava por isso a segunda classe social. A primeira, obviamente, era o clero.

O senhor feudal devia garantir a segurança do território

Os plebeus não eram obrigados a combater na época de guerra, a não ser que o contrato com o senhor o exigisse.

E ainda assim, apenas dentro de certos limites de tempo e espaço.

Desta maneira, não lutavam durante o tempo das colheitas, nem deviam deslocar-se além de uma certa distância do lugar onde moravam.

Porém podiam engajar-se como mercenários, ganhando dinheiro com a guerra e enriquecendo com os saques.

O nobre era obrigado a combater, tendo a pagar o imposto do sangue, muito penoso naquela época.

As condições existentes para o tratamento adequado dos traumatismos e mutilações recebidos em combate eram muito precárias no início da Idade Média.

E só foram melhorando nos últimos séculos medievais por obra do clero que criou os hospitais e desenvolveu a medicina.

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10 setembro 2013

São Silvestre I: tirou a Igreja da miséria das catacumbas e a fez merecidamente pomposa e soberana

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São Silvestre I, (280-335 d.C.)
São Silvestre I, (280-335 d.C.)

continuação do post anterior

O princípio da constantinização é duplo:

Primeiro, de ordem política. Esse princípio parte do reconhecimento de que a Igreja Católica é a única verdadeira. E é fácil de perceber que Ela é a única Igreja verdadeira; todo homem que pode conhecer a Igreja e não adere, é culpado.

E a Igreja deve do Estado, a proteção e o apoio, o respeito e as honras que se tributam ao que é divino.

A Igreja é uma entidade mais nobre e poderosa do que o Estado na ordem profunda das coisas, porque Ela é divina.

Daí então a famosa comparação de São Gregório VII: a Igreja é como o sol, e o Estado é como a lua.

A lua recebe a sua luz do sol e o Estado recebia todo o seu lume da Igreja.

Segundo, as coisas esplêndidas e magníficas da terra foram feitas sobretudo para o culto de Deus, e não sobretudo para o uso do homem.

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