Idade Média

9 dezembro 2014

São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, totalmente ignorantes da doutrina divina, que obrigaram aos outros pela violência das armas

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São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristoteles,

esmaga Averroes, ‘sábio’ maometano

Luis Dufaur

O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:

“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

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2 dezembro 2014

Bento XIV: “muçulmanos, os piores entre os celerados”

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S.S. Bento XIV.
Pierre Hubert Subleyras (1699-1749) Palácio de Versailles

 

Carta do Papa Bento XIV de louvor  à Ordem Militar Hospitalar de São João de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas

“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.

Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados.

Brasão da Ordem de Malta

Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles.

“Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade.

“Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.

(Autor: S.S. Bento XIV (1675 – 1758, Papa desde 17.08.1740), Carta Quoniam Inter de 17 de dezembro de 1743).

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24 novembro 2014

“Uma espécie de rei eterno”(10) — São Luís, estadista da Cristandade 9

São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.
São Luís, estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.

continuação do post anterior: Reordena o Reino de Jerusalém
São Luís IX realizou a perfeição da França. Encarnou o país da harmonia, da bondade, da generosidade de alma e da inteira entrega a Nossa Senhora.

Ele parece presente na Sainte-Chapelle e em outros lugares que cantam a glória de Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima.

Foi um santo segundo a alma da França, como São Fernando III de Castela, seu primo-irmão, foi o santo que a Espanha aguardava, ou Santo Henrique imperador foi o anelado da Alemanha.

Ele contribuiu para fazer da Idade Média uma Jerusalém terrestre, imagem da celeste.

Na Alemanha, quando alguém perguntava: “Como você vai?” e o outro ia muito bem, dizia: “Eu vou como vai o bom Deus na França”.

Pois, sob o santo estadista, a França imprimiu na Europa o equilíbrio ideal entre os senhores feudais, a realeza e o povo, entre o Papa e o Imperador, entre os soberanos vizinhos.

O governante sem sabedoria perde seu povo e o rei sábio o salva. Sem sabedoria, o poder civil ou eclesiástico se transforma em instrumento de perdição.

Por isso, Dom Guéranger, o grande abade de Solesmes, formulou um elogio lapidar do santo: “A Sabedoria eterna desceu um dia de seu trono no Céu e pousou sobre São Luís”.

 

FIM
Estátua de São Luís na basílica de Montmartre, Paris Fundo Eskimo Nebula, NGC 2392, Hubble Space Telescope
Estátua de São Luís na basílica de Montmartre, Paris

Fundo Eskimo Nebula, NGC 2392, Hubble Space Telescope

Notas:

 

(*) São Luís tornou-se então o árbitro da Cristandade, por suplência e em caráter excepcional, exercendo a função própria ao Imperador — no caso o ímpio Frederico II, que se tornara inepto para exercê-la; e também exercendo o papel de mediador entre o Imperador e os Papas Gregório IX e Inocêncio IV, pois sua autoridade moral superava às dos supremos titulares tanto do plano temporal quando do espiritual.

1) Dom Prosper Guéranger O.S.B., L’anné liturgique, http://www.abbaye-saint-benoit.ch/gueranger/anneliturgique/pentecote/pentecote05/003.htm.

2) Georges Bordonove, Saint Louis, conferencia pronunciada em Paris, em 16-12-92 na Fundação Dosne-Thiers.

3) Henri Pourrat, Les Saints de France, Editions Contemporaines Boivin, 1951.

4) Henri Pourrat, Id. ibid.

5) Na época de São Luís, a libra tournois era cunhada pela abadia de Tours, que lhe dava o nome. Continha 6,74 gramas de ouro, ou 80,88 gramas de prata. Em reais, a libra tournois de ouro valeria: 6,74 gramas X R$ 93,00 = R$ 626,82. Cfr.: http://fr.wikipedia.org/wiki/Livre_tournois; http://ourohoje.com/.

6) Cathédrale Notre-Dame de Paris, La Couronne d’Épines, Association Maurice de Sully, Montligeon, 2014, pp. 29 e ss.

7) Id. ibid.

8) René Grousset, Histoire des Croisades et du Royaume Franc de Jerusalem, Plon, Paris 1936, vol. III, p. 489; J. F. Michaud, História das Cruzadas, Editora das Américas, São Paulo, Vol. V, pp. 87/88.

9) Georges Bordonove, Saint Louis, col. Les rois qui ont fait la France, Ed. Pygmalion, Paris, 1984, p. 314.

10) Georges Bordonove, Saint Louis, id. ibid., p.319.

 

 

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17 novembro 2014

Reordena o Reino de Jerusalém — São Luís, estadista da Cristandade 8

São Luís na Cruzada
São Luís na Cruzada

continuação do post anterior: As Cruzadas
A rainha Margarida de Provence salvou Damietta com um punhado de cavaleiros e reuniu o imenso resgate de 400.000 bizantinos de ouro, libertando assim o rei, a maioria dos cavaleiros e grande parte do exército prisioneiro.

São Luís trasladou-se a São João d’Acre, onde consultou os barões do Reino sobre permanecer ou não na Terra Santa.

A rainha-mãe Branca de Castela havia informado que o rei da Inglaterra tramava invadir a França e que o reino corria grande perigo.

Segundo Joinville, São Luís explicou:

“Eu não tenho paz nem trégua com o rei da Inglaterra. Mas o povo de Terra Santa quer impedir-me de partir. Eles dizem que se eu for embora, sua terra estará perdida e será destruída e que eles preferem sair comigo. Eu vos rogo pensar nisto e responder-me em oito dias”.

Os nobres, incluídos os dois irmãos do rei e os grandes senhores, julgaram que o estado do exército exigia voltar para a França, a fim de se reorganizarem.

Estátua de São Luis. Fundo: rua medieval de Jaffa.
Estátua de São Luis. Fundo: rua medieval de Jaffa.

O conde de Jaffa, senhor feudal na Terra Santa, defendeu a ideia de ficar, apoiado por Joinville. São Luís decidiu:

“Eu vim para proteger o Reino de Jerusalém e não para perdê-lo. Que os que desejarem ficar comigo falem corajosamente”.

Luís IX autorizou os outros a partir. E ficou quatro anos tentando pôr fim às desavenças entre os príncipes cristãos do diminuído Reino de Jerusalém.

O monarca fortificou os pontos estratégicos e ele próprio carregou pedras para construir castelos. Segundo o historiador Bordonove, São Luís assumiu a missão de um rei de Jerusalém sem ter o título.

Na sua mente, o objetivo de reconquistar a Terra Santa não havia mudado. Ele retornou à França em 1254, quando morreu sua mãe.

Na hora de regressar, quis ser o último a subir no navio. Seu irmão queixou-se pelo atraso. O rei respondeu:

“Conde de Anjou, se eu vos sou pesado, desembaraçai-vos de mim; mas nunca abandonarei meu povo”.

O espírito medieval exigia do grande chefe ser o primeiro a avançar e o último a se retirar.

“Jerusalém!  Nós iremos até Jerusalém!”

Para Luís IX, o fracasso da Cruzada foi um castigo pelos seus pecados, de seus nobres e do povo da França em geral.

O Reino deveria requintar a justiça de sua ordem hierárquica e sacral com piedade e humildade.

A França inteira e ele próprio deveriam se oferecer a Deus. Porém, languidesciam na Europa o heroísmo religioso, a generosidade de alma e a inteira entrega a Nosso Senhor Jesus Cristo.

O rei não encontrou apoios proporcionados e sua saúde fraquejava. Mas, apoiado na promessa divina, zarpou de Aigues-Mortes rumo à África em 2 de julho de 1270.

São Luis mandou construir Aigues Mortes como base e porto para as Cruzadas
São Luis mandou construir Aigues Mortes como base e porto para as Cruzadas

Pisando terra moura, ele “ordenou a seu capelão que lançasse a proclamação de guerra da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Luís, rei de França, seu sargento”, contra a Tunísia, como narra Henri Pourrat.

O verão daquele ano foi abrasador e os poços de água estavam contaminados. O exército foi atingido pelo tifo, inclusive o rei, que havia entregado ao delfim Felipe seu testamento espiritual.

Redigido antes de partir, constituía uma obra sublime de união da Religião e da política, da Fé e da monarquia, de Cristo e da França.

A morte de São Luís
A morte de São Luís

“Meu bom filho, a primeira coisa que eu te ensino é engajar teu coração no amor de Deus. Sustenta os bons costumes do reino e destrói os malvados. Trabalha para que todos os vilões pecadores sejam varridos da Terra e, especialmente, faz tudo que te for possível para abater heresias e blasfêmias”.(9)

Seus mais próximos ouviram-no murmurar com insistência: “Jerusalém! Nós iremos até Jerusalém!” Foi seu último desejo.

Deitado sobre um leito de cinzas em forma de cruz, com as mãos cruzadas sobre o peito e o olhar posto no Céu, entrou no Paraíso e na História no dia 25 de agosto de 1270, aos 56 anos de idade.

Carlos de Anjou, seu irmão, infligiu uma dissuasiva derrota aos sarracenos; o sultão de Túnis aceitou um tratado favorável aos cristãos e a Cruzada encerrou-se.

O corpo do monarca foi trasladado para a Sicília, onde reinava Carlos, e inumado na catedral de Monreale, perto de Palermo.

Seus ossos foram levados para a Catedral de Notre-Dame em Paris, e sua disputa como relíquias foi tão grande, que eles se acham hoje dispersos nos mais variados locais da França.

Continua no próximo post

 

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10 novembro 2014

As Cruzadas — São Luís, estadista da Cristandade 7

São Luis embarca para a Cruzada
São Luis embarca para a Cruzada

continuação do post anterior: Árbitro da Cristandade
São Luís tinha certeza de que Deus queria dele a libertação de Jerusalém. E repetia que desejava salvar as almas dos muçulmanos, convertendo-os.

Joinville, contudo, para quem a salvação desses ímpios passava pelo extermínio, espantava-se ouvindo as intenções de tão grande chefe de armas.

Em 1240, para se livrar das potências marítimas italianas cuja politicagem prejudicara as Cruzadas anteriores, São Luís IX ordenou a construção de uma imensa fortaleza e um porto no Mediterrâneo.

Abriu-se uma estrada entre os pântanos, canalizaram-se fios de água, erigiram-se muralhas e torres de defesa e armazenamento.

A população local, que até então morava em palafitas, sentiu-se protegida com o surgimento da cidade de Aigues-Mortes, verdadeira maravilha arquitetônica a partir da qual o santo monarca embarcou para as Cruzadas — tanto para a sétima, em 25 de agosto de 1248, que durou seis anos, quanto para a oitava, em 1270.

Na VII Cruzada o rei desembarcou diante de Damietta, fortaleza que controlava o acesso ao Cairo, sede do Sultão, chefe máximo dos islamitas no Egito.

São Luís desenhou o plano de ataque. Os cavaleiros mais experimentados desceriam primeiro e estabeleceriam uma cabeça de ponte para repelir os contra-ataques mouros. O grosso do exército desembarcaria depois.

Porém, muitas naves não compareceram no dia combinado, desviadas pelos ventos. O Santo ordenou o ataque antes de os muçulmanos concentrarem mais tropas.

A frota real e a dos grandes senhores impressionavam pelo seu esplendor. Assim que a ponta de lança da cavalaria atingiu a terra, foi assediada por grande número de mouros, velozes e hábeis.

A confusão na praia foi geral. São Luís então pulou na água — como descreve Joinville —, todo armado, magnífico, com capacete luzidio e armadura de ouro; e pisou em terra junto com seus homens mais fiéis.

O pânico tomou conta dos islâmicos, que abandonaram a imponente fortaleza. O santo temeu uma emboscada e enviou observadores ao castelo que confirmaram a deserção geral.

São Luís ataca Damietta
São Luís ataca Damietta

Em Damietta, São Luís aguardou a parte do exército que faltava, enviou patrulhas de reconhecimento e pagou informantes para obter dados sobre a estrada até o Cairo e o estado de ânimo dos adversários. Cairo era mais populosa que qualquer cidade da Europa.

O único obstáculo no caminho era a fortaleza da Mansurah. Para atacá-la, era preciso atravessar um braço do rio Nilo que não tinha pontes. Um beduíno denunciou um passo, que a cavalaria atravessou, sendo que metade dos cavalos ia nadando e a metade deles tocava no fundo.

A ordem real era de fincarem pé enquanto o resto do exército cruzava o rio. Os muçulmanos hostilizavam a cavalaria, e fugiam quando esta reagia. O conde de Artois, irmão do rei, perdeu a paciência e foi atrás dos seguidores de Alá, que entraram na fortaleza deixando as portas abertas.

Quando o conde penetrou com os seus, as portas se fecharam: era uma arapuca. A ponta de lança da milícia real, composta de nobres e cavaleiros das Ordens Militares, foi massacrada por desobediência a São Luís.

O rei, que estava doente e comandava na retaguarda, percebeu a magnitude do desastre. Após diversos embates, os cruzados foram desarticulados e o santo caiu prisioneiro.

São Luís prisioneiro no Egito
São Luís prisioneiro no Egito

Os muçulmanos exigiram um alto resgate e a entrega da cidade de Damietta em troca da liberdade do monarca.

Enquanto a rainha Margarida providenciava esse dinheiro em Damietta, São Luís permaneceu numa prisão onde ocorreram fatos singulares.

O sultão Almoadam ficara ébrio de orgulho com a vitória, mas os mamelucos, que constituíam sua guarda pessoal, resolveram assassiná-lo no final do banquete da vitória.

Almoadam foi ferido, fugiu até o alto de uma torre, de onde caiu oferecendo em prantos o seu próprio trono em troca da vida. Octai, chefe dos mamelucos e os seus, traspassaram-no com inúmeros golpes.

Logo a seguir, Octai foi até a tenda de São Luís com a mão ensanguentada, dizendo:

“Almoadam já não existe. Que me darás por ter-te libertado de um inimigo que premeditava a tua ruína e a nossa?”

São Luís nada respondeu. O infiel apontou-lhe a espada, e exclamou irado:

“Não sabes que eu sou senhor de tua pessoa? Faze-me cavaleiro, ou serás morto!” São Luís respondeu: “Faze-te cristão, e te farei cavaleiro”. Octai abaixou a espada e retirou-se sem lhe fazer mal.(8)

Continua no próximo post

 

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3 novembro 2014

Árbitro da Cristandade — São Luís, estadista da Cristandade 6

São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.  Fundo: rosácea de Notre Dame.
São Luís estátua em Saint Louis, Missouri, EUA.

Fundo: rosácea de Notre Dame.

continuação do post anterior: “Ressurreição” e Cruzada

A partir 1241 pioraram as notícias provenientes da Europa Oriental e da Terra Santa. A invasão dos mongóis atingiu a Polônia, a Hungria e a Romênia, após devastar a Rússia e a Ucrânia.

O chefe mongol Subedei mirava o coração da Europa, mas após esmagar o rei da Hungria em Mohi, voltou às pressas para a Ásia por razões não esclarecidas.

A corajosa rainha Branca ficou muito temerosa, mas São Luís parecia ser o único a intuir que a invasão não prosperaria.

“Quando viu a Europa ameaçada pelos tártaros — conta Pourrat —, São Luís disse: ‘Tende coragem minha mãe; ou nós os colocamos nas portas do inferno ou eles nos abrirão as portas do Céu’”.

O santo foi arguto estrategista e homem de fé: ou ele os venceria e eles iriam para o inferno enquanto pagãos horrivelmente criminosos, ou ele morreria e iria para o Céu. Nada se perderia lutando contra eles.

Uma das situações mais tempestuosas para arbitrar se deu na Bretanha, um ducado enfeudado à França mas quase independente dos pontos de vista de governo, cultural, étnico e linguístico.

Lá, Pierre de Dreux, parente de São Luís, tornou-se Duque. Audaz chefe de guerra, mas turbulento senhor feudal, Pierre ganhou o apelido de “Mauclerc” (mau clérigo) por suas exações à Igreja.

Seus atritos com os bispos bretões lhe valeram diversas excomunhões. Os Papas pouco conseguiram junto a este homem que dividiu a nobreza com conflitos de toda ordem.

Após inúmeras desordens, São Luís entrou militarmente na Bretanha e o despojou do ducado por felonia. “Mauclerc” insurgiu-se, mas o exército real, apoiado por boa parte da nobreza bretã, extinguiu a revolta.

Pierre de Dreux se submeteu ao jovem rei em Paris, em 1234. São Luís não o humilhou, mas dispôs que a Bretanha ficaria na posse do filho dele, João, o qual, por sua vez, juraria vassalagem ao rei da França juntamente com os nobres rebeldes.

O santo monarca concedeu a Pierre de Dreux o pequeno feudo de Braine. Assim, “Mauclerc” tornou-se “Braine” e acompanhou o rei na Cruzada ao Egito, onde foi gravemente ferido e morreu ao voltar, recebendo digna sepultura na necrópole familiar de Dreux.

Árbitro entre Papas e Imperador

 

São Luis em encontro com o Papa Inocêncio IV, em Lyon, 1248.
Louis-Jean-Francois Lagrenee (1724 – 1805)

Muito mais complicada era a secular luta entre o máximo poder temporal da Cristandade — o Imperador do Sacro Império — e o supremo poder espiritual, e indiretamente temporal, dos Papas.

O Imperador Frederico II Hohenstaufen investiu contra os pontífices Gregório IX e Inocêncio IV, tendo sido excomungado duas vezes. Gregório IX qualificou-o de “Anticristo”.

Inocêncio IV, um ano apenas após sua eleição, fugiu da Itália perseguido por ele. Nobres partidários de um e de outro estavam em situação de guerra civil e religiosa na Alemanha e na Itália.

Nesse confronto, o rei santo, que já era o mais respeitado dos príncipes cristãos, poderia ter feito prevalecer sua influência sobre o Papa e o Imperador.

Porém, ele se recusou a tal, pois queria reconciliá-los respeitando suas superioridades. A França estava prosperando tanto, que podia arcar sozinha arcar com o ônus da Cruzada.

Mas Luís queria uni-los nesta santa empresa. Gregório IX ofereceu a coroa imperial ao conde Roberto de Artois, irmão de São Luís. Contudo, o rei não aceitou, pois podia parecer usurpação e falta de respeito ao Imperador.

Em 3 de maio de 1241, arcebispos franceses que iam a um Concílio convocado por Gregório IX foram presos por Frederico II. São Luís IX pediu-lhe explicações, ao que ele respondeu secamente:

“Que vossa majestade real não se espante quando César prende no aperto e na angústia aqueles que vieram para criar angústia a César”.

São Luís IX retrucou com tanta habilidade que os arcebispos foram libertados.

Banido da Itália, Inocêncio IV instalou-se em Lyon e marcou para 1245 um Concílio que julgaria o Imperador. Este reuniu um exército em Turim, visando impedir a assembleia.

São Luís IX lhe fez saber, com tato e força: “Não toqueis no Soberano Pontífice, para não incorrerdes na cólera de Deus”.

São Luís mediador num litígio entre o rei da Inglaterra e seus barões. Georges Rouget (1783-1869), Versailles
São Luís mediador num litígio entre o rei da Inglaterra e seus barões.
Georges Rouget (1783-1869), Versailles

O Imperador entendeu: enviou ao Concílio um jurista para defendê-lo, comunicou que iria à Cruzada contra os mongóis e os sarracenos, e que indenizaria a Santa Sé.

Mas não cumpriu o prometido, voltando aos abusos. Foi então excomungado. Abandonado por boa parte de seus adeptos, pediu a intercessão de Luís IX. Este marcou um encontro sigiloso com Inocêncio IV na abadia de Cluny.

São Luís implorou ao Papa que aceitasse a proposta do imperador em troca da obrigação de ir para a Cruzada. O litígio só acabou com a morte do imperador.

No fim do caso, São Luís ficou consolidado como árbitro da Cristandade, nele confiando Papas, imperadores, episcopados e nobreza, além de corporações de ofício, de estudantes e cidades livres.(*)

Continua no próximo post

 

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27 outubro 2014

“Ressurreição” e Cruzada — São Luís, estadista da Cristandade 5

São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada
São Luís acorda e anuncia a decisão de partir na Cruzada

continuação do post anterior: A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle

São Luís regressou de Taillebourg padecendo uma disenteria que se agravou rapidamente. Esta havia sido a causa da morte de seu pai, Luís VIII.

A rainha-mãe, Branca de Castela, pediu ao abade de Saint-Denis — abadia onde repousam os restos dos reis da França — para expor à veneração pública o corpo do glorioso São Dionísio, protetor do reino, bem como as relíquias de São Eleutério e São Rústico, seus companheiros de martírio. São Luís já tinha feito seu testamento, e murmurava em voz baixa:

— “Olhai para mim. Eu era o homem mais rico e mais nobre do mundo, o mais poderoso de todos pelos tesouros, pelo meu poder e pelos meus amigos, e eis que não posso obter da morte sequer uma trégua, nem uma hora à doença. De que valeu tudo isso?”

Quando ele perdeu o conhecimento, os médicos anunciaram seu fim iminente. O Palácio Real encheu-se de lamentações, suspiros e prantos. O clero recebeu ordem de preparar as exéquias.

Em certo momento, acreditou-se que o santo-herói tinha morrido. Joinville conta:

“Ele chegou a tal ponto, que uma das damas em volta quis puxar o pano por cima do rosto, dizendo que estava morto. Outra não quis. E enquanto discutiam, Nosso Senhor agiu nele e lhe devolveu a saúde.

“Tão logo pôde falar, pediu que lhe impusessem a Cruz, e assim foi feito. Então, ao ouvir dizer que ele falara, a rainha-mãe manifestou o maior júbilo que podia.

“Mas quando soube que o filho se tinha cruzado [decidido ir para a Cruzada], como ele mesmo dizia, ela ficou num estado de luto como se o tivesse visto morto”.

Vitral da catedral Notre Dame representando a São Luís
Vitral da catedral Notre Dame
representando a São Luís

São Luís IX explicou que Nosso Senhor o havia tirado dentre os mortos para que adotasse a Cruz, montasse um exército e reconquistasse Jerusalém, que gemia desde 1187 sob a tirania muçulmana.

As rainhas Branca e Margarida, os conselheiros reais e as altas autoridades eclesiásticas tentaram de tudo para dissuadi-lo. Mas em vão.

Ele tinha certeza de que fora salvo das fauces da morte para cumprir essa missão, e não por uma simples misericórdia de Deus. Do antigo reino de Jerusalém só ficava São João d’Acre e mais alguns portos periclitantes.

O espírito sobrenatural da Cruzada estava morto. São Luís IX o ressuscitaria com o fervor dos tempos de Godofredo de Bouillon e seus companheiros de expedição.

Reformador sábio e prudente

Prevendo uma ausência longa ou definitiva, Luís IX quis, antes de se lançar na Cruzada, apalpar o estado do reino, dar proteção aos mais fracos e conciliar os poderosos.

Em 1247, inspetores percorreram o reino como outrora os missi dominici de Carlos Magno. Dominicanos e franciscanos, Ordens que viviam um momento de fervor e seriedade, iam em duplas anotando as queixas dos pobres nos campos e nas cidades, sem tomarem contato com os bailios (governadores de província, ao mesmo tempo juízes, chefes militares e coletores de impostos).

O inquérito permitiu a São Luís modificar o Conselho Real, trocar três-quartos dos bailios e definir os limites precisos de seus poderes.

Também moderou os poderes judiciários da alta nobreza, fazendo com que todo o reino pudesse apelar ao rei como juiz supremo.

O escudo de ouro de São Luís
O escudo de ouro de São Luís

São Luís também estabeleceu regulamentos relativos aos costumes das corporações de ofício — os “sindicatos” da época — concedendo-lhes autonomia e estabilidade.

Reorganizou a Prefeitura de Paris e criou uma moeda: o escudo de ouro e o grand denier de prata para facilitar o comércio, pôr fim às fraudes e moralizar a atividade econômica.

Um governante hodierno que mexesse tanto nos costumes do país seria antipatizado, mas o carisma real e a luz da santidade do monarca brilharam nessas reformas e ele foi abençoado pelo povo.

O escudo de ouro foi a primeira moeda, no sentido moderno, emitida por um rei. Nela estava cunhado o escudo — de onde o nome — com o brasão fleurdelisé do santo rei.

O escudo de São Luís foi padrão até a Idade Moderna, sendo reeditado pelos seus sucessores e imitado por bispos, príncipes e senhores que emitiam moeda, e até mesmo pelos Papas, porque era digno de fé e isento de fraude.

A moeda foi conservada por muitos como uma medalha religiosa! Assim, houve um plebiscito mudo aprovando a confiança dos franceses em seu rei.

Continua no próximo post

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20 outubro 2014

A Coroa de Espinhos e a Sainte-Chapelle — São Luís, estadista da Cristandade 4

São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle. Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.
São Luis: estátua da capela inferior da Sainte Chapelle.

Fundo: capela superior. Coroa de Espinhos no relicário atual.

continuação do post anterior: O banquete de Saumur

Enquanto punha ordem na França e preparava a Cruzada, São Luís executou um projeto que marca a França até hoje.

Em 1239, o Império de Bizâncio consignou a Coroa de Espinhos a banqueiros venezianos como penhor de uma dívida de 135.000 libras tournois.(5)

A quantia equivalia à metade das entradas do reino francês em um ano! Porém, se comparada com os orçamentos multibilionários dos governos atuais, parece exígua: aproximadamente R$ 84.620.700,00.

São Luís assumiu a dívida, com a condição de a relíquia ficar sob a guarda da casa real francesa, em uma negociação que poderia ser comparada a empréstimos atuais envolvendo o FMI e bancos multinacionais.

Assinados os acordos e apurada a autenticidade da relíquia, ela foi levada à França por religiosos dominicanos.

No dia 10 de agosto de 1239, o santo monarca, seu irmão o príncipe Roberto I de Artois e o Arcebispo de Sens receberam a Santa Coroa, conferiram seus registros de autenticidade e entraram em cortejo na cidade de Villeneuve-l’Archevêque, na França.

Descalços e vestidos com túnicas de penitentes, o rei e o príncipe trasladaram o relicário de ouro e sua caixa de prata até a catedral de Sens.

São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame Jules David, Paris, 1861
São Luís carrega na procissão a Coroa de Espinhos até Notre. Dame Jules David, Paris, 1861

No dia 11 eles foram de barco até o castelo real de Vincennes, fora dos muros de Paris, e no 18 de agosto, carregando nos ombros o incomparável símbolo do Rei dos reis, o soberano e o príncipe penitentes entraram solenemente na capital em meio às aclamações populares.

No dia seguinte São Luís dispôs a construção da Sainte-Chapelle, para guardar definitivamente a sagrada relíquia, que entrementes ficou na basílica de Saint-Denis.(6)

E providenciou a aquisição de mais sete relíquias da Crucifixão, entre elas a do Santíssimo Sangue de Cristo, da Pedra que fechou o Santo Sepulcro, partes da Santa Lança e da Santa Esponja.

A edificação da Sainte-Chapelle custou 35.000 libras tournois, e o relicário da Coroa de Espinhos e demais relíquias da Paixão consumiram outras 135.000, devido ao ouro e às pedras preciosas empregados.

A Sainte-Chapelle foi concebida como um relicário gigante feito de cristal e pedra.

O movimento da luz através dos imensos vitrais muda o colorido interno e cria uma atmosfera irreal, verdadeiramente sobrenatural, onde a arte mais delicada e a espiritualidade mais alta se fundem num só, segundo Bordonove.

São Luís mandou construir a Sainte Chapelle para servir de relicário da Coroa de Espinhos
São Luís mandou construir a Sainte Chapelle para servir de relicário da Coroa de Espinhos

O imponderável faz esquecer as formidáveis colunas de pedra e as imensas portas da melhor madeira, convidando a alma para um voo místico.

O pensamento se descola da espessa matéria como que espiritualizada pela arte, para partir como um foguete rumo ao Céu. Na Sainte-Chapelle os valores culturais e espirituais assumem a pedra e a matéria como a alma se une ao corpo.

Que ninguém se engane, conclui o referido historiador: São Luís está presente na Sainte-Chapelle não porque as flores de lis da França e os castelos de Castela — símbolos de seu brasão — enchem os muros, mas porque na Sainte-Chapelle lateja a própria alma do santo estadista.

A Sainte-Chapelle [foto] é a capela do Palácio Real e, juntamente com suas relíquias, pertencia à Coroa, e não à Igreja, assentando aliança entre o Rei dos Céus e o rei da França.

A Coroa de Cristo legitimava a Coroa da França, sua vassala por excelência nesta Terra, e ambas se uniam como as duas faces de uma mesma medalha.

“Na linguagem dos liturgistas, a Coroa de Espinhos tornou-se um penhor de Deus confiado ao povo francês. Deus havia penhorado sua Coroa ao rei da França até o dia do Juízo Final, quando Jesus Cristo em pessoa viria bater na porta do Palácio Real de Paris para recobrar a posse da coroa de Seu Reino”.(7)

Até o fim do mundo, a monarquia francesa seria a guardiã da Coroa com que o Redentor julgará a humanidade e encerrará a História. As relíquias foram definitivamente instaladas e a capela consagrada em 26 de abril de 1248.

A pedido de São Luís, foi instituída uma festa litúrgica em 11 de agosto para comemorar a chegada da Santa Coroa à França. Dois meses depois da consagração, o Santo Rei partiu para sua maior campanha militar: as Cruzadas.

Continua no próximo post

 

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13 outubro 2014

O banquete de Saumur — São Luís, estadista da Cristandade 3

São Luís na batalha de Taillebourg.  Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles
São Luís na batalha de Taillebourg.

Ferdinand-Victor-Eugène Delacroix 1798-1863, Galerie des Batailles, Versailles

continuação do post anterior: Rei enquanto santo e santo enquanto rei

Em 1237, o novo rei investiu seu irmão Afonso como conde de Poitiers, um riquíssimo, brilhante e populoso feudo. Mas, infelizmente, um ninho de revoltas da nobreza local!

Atiçados pelo rei Henrique III, da Inglaterra, que sonhava ser rei da França, os senhores feudais não cessavam de fazer intrigas. Já germinava a discórdia que desfecharia na guerra dos Cem Anos.

Os intrigantes haviam motejado o jovem monarca como “rei dos monges”, como “devoto” incapaz de defender sua herança.

São Luís IX quis conferir à investidura do irmão um caráter oficial e solene.

As festas incluíram um famoso banquete no castelo de Saumur e foram descritas por Joinville, autor de uma inigualável biografia do rei santo e espécie de primeiro-ministro do conde de Champagne, um dos mais poderosos, ricos e autônomos senhores da França.

— “O rei reuniu uma grande Corte em Anjou. Eu estava lá e dou testemunho que foi a melhor ordenada que já vi”.

E após descrever os grandes homens do reino sentados à mesa em suas brilhantes roupagens, prossegue:

“Atrás deles havia bem aproximadamente 30 cavaleiros vestidos com túnicas de seda que os protegiam. E, por trás dos cavaleiros, um grande número de lacaios com as armas do conde de Poitiers bordadas sobre tafetá.

“O rei estava vestido com uma túnica de seda bordada de cor azul, tendo por cima um manto de seda vermelha bordada e forrada de arminho, com um chapéu de algodão sobre a cabeça, o qual, aliás, não lhe ficava muito mal!!!, porque ele era jovem”.

Assim se apresentou o terceiro franciscano que ia descalço nas procissões, pois assim o exigiam o bem da ordem política e social, a harmonia da ordem cristã, a vocação e o cargo que Deus lhe deu.

O “devoto” no combate

 

São Luís recebe a vassalagem de Henrique III da Inglaterra
São Luís recebe a vassalagem de Henrique III da Inglaterra

Por detrás da deslumbrante festa crepitava o drama. Com as cerimônias, São Luís quis patentear seu poder supremo sobre o feudo.

Mas os insubordinados senhores locais interpretaram-na como provocação e tiraram pretexto para revolta.

O chefe dos dissidentes era Hugues de Lusignan, conde de la Marche, que a exemplo de Iscariote à mesa com Jesus na Última Ceia, estava sentado à mesa do rei. E seu suserano era o rei da Inglaterra, Henrique III.

A murmuração correu como rastilho de pólvora: São Luís queria usurpar os direitos do rei inglês.

A prova?

O festim e a nomeação de seu irmão como conde de Poitou!

Louco de raiva, Hugues de Lusignan abandonou Saumur às pressas, prometeu repudiar a vassalagem ao rei da França e montou uma liga militar contra a Coroa.

O rei da Inglaterra garantiu-lhe tropas que viriam por mar. Os amotinados aguardavam reforços da Espanha e o ataque do imperador alemão, que surpreenderia o rei francês pelas costas.

São Luís não se descuidou: estava perfeitamente informado dos planos, tratativas e reuniões secretas dos adversários. E antes de as tropas inglesas desembarcarem, empreendeu a ofensiva!

Os castelos de Hugues de Lusignan capitularam um após outro. E quando o rei inglês pôs o pé em terra com seu exército, era tarde demais.

Ele, porém, ousou enfrentar o “rei devoto”. O choque se deu em Taillebourg, em 1242, batalha completada em Saintes.

A carga de cavalaria conduzida pelo santo sobre um soberbo cavalo branco decidiu a batalha e mudou os rumos da Europa feudal.

São Luís em Taillebourg. Paul Lehugeur

“Luís — narra o historiador Henri Pourrat(4) —, à testa de somente oito homens de armas, lançou-se sobre a ponte de Chernete e sustentou o embate de mil ingleses, até o momento em que sua gente chegou, entusiasmada com o feito do rei”.

Séculos depois, o pintor Delacroix imortalizou a façanha. Pouco faltou para o rei inglês cair prisioneiro. A partir de Taillebourg, a Europa ficou sabendo que esse rei dos monges manejava a espada com implacável maestria.

Esplêndido vencedor, São Luís manifestou magnanimidade, inteligência, tato político e visão histórica que impressionaram a Europa feudal. Seus conselheiros quiseram convencê-lo a despojar os vencidos.

O santo reafirmou que isso estava no seu direito, mas não pediu senão aquilo que julgou politicamente inteligente.

Ao rei inglês derrotado cedeu as regiões francesas de Limousin, Périgord, Agenais, Saintonge e parte de Quercy, com a condição de tornar-se seu vassalo mediante o sagrado juramento de vassalagem.

Luís IX quis firmar os laços de amor entre os filhos de ambas as coroas. O rei da Inglaterra passou a lhe prestar as homenagens de um subordinado.

Assim fazendo, a Guerra dos Cem Anos ficou adiada de um século. Ao conde Hugues de Lusignan, chefe dos revoltosos, o rei perdoou um terço dos bens. Retirando-se para suas terras, morreu de desgosto.

Continua no próximo post

 

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8 outubro 2014

São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, totalmente ignorantes da doutrina divina, que obrigaram aos outros pela violência das armas

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristotes, esmaga Averroes, 'sábio' maometano
São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristoteles,

esmaga Averroes, ‘sábio’ maometano

O que achar do islamismo e de seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão praticando contra os cristãos, sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e Doutor da doutrina e do método de pensamento da Igreja Católica:

“Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

“Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

“Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para confirmação da fé.

“No entanto, os iniciadores de seitas errôneas seguiram caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islã):

Militantes do ISIL no Iraque
Militantes do ISIL no Iraque

“a) Ele (Maomé) seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.

“b) Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

“c) Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

“d) Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma ação visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da verdade está inspirado de modo invisível.

“Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

“e) Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram.

Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria
Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria

Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da doutrina divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.

“f) Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os fatos do Antigo e do Novo Testamento.

“Tudo isso pode ser verificado ao se estudar a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura de seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura.

“g) Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra creem levianamente”.

(Autor: São Tomás de Aquino. Suma contra los Gentiles. Livro I, Capítulo VI, Club de Lectores, Buenos Aies, 1951, 321. p.76 e ss.).

 

 

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6 outubro 2014

Rei enquanto santo e santo enquanto rei — São Luís, estadista da Cristandade 2

São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos, seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)
São Luís recebe enviados do Velho da Montanha, ou Príncipe dos Assassinos,

seita islâmica. Guy-Nicolas Brenet  (1728 — 1792)

continuação do post anterior: O filhote de Leão

São Luís teria preferido viver num mosteiro, na abstinência e na meditação, explicou em conferência o renomado historiador Georges Bordonove.(2)

Porém, nasceu num berço de ouro agitado pela História e com uma missão divina: reger a filha primogênita da Igreja e tornar-se o árbitro da Cristandade no século XIII.

Sua aspiração à santidade foi realizada na responsabilidade tremenda de monarca e estadista europeu.

“Ele sabia comparecer em grande pompa, acolher faustosamente, dava festas e festins quando necessário. Ele respeitava altamente sua condição de rei.

“Mas na vida privada ignorava o luxo, misturava muita água no vinho e nos molhos para lhes tirar o gosto. Quando ia às procissões, levava calçados sem sola para ocultar que caminhava com os pés nus, na lama ou no pedregulho, pois as ruas de Paris não estavam pavimentadas”, explicou Bordonove.

Segundo o historiador Henri Pourrat, São Luís era “louro, delgado, de ombros um pouco curvos, alto e de fisionomia serena. Joinville disse dele: ‘Asseguro-vos que nunca vistes um homem de tão bela aparência, quando armado. E, mais ainda, era o mais altivo cristão que os pagãos jamais conheceram’”.(3)

O aspecto físico exprimia seu valor moral. São Luís IX foi um dos homens mais extraordinariamente bem apresentados de seu reino. E a França, como sempre, o fulcro do bom gosto e da elegância!

Mas também “era um soldado intrépido, hábil na hora de conduzir uma carga de cavalaria, pondo em risco em primeira linha sua pessoa, levando um elmo dourado que se destacava por cima de todos os barões do reino e que o tornavam alvo natural dos disparos.

Entrementes, tinha horror pelo sangue derramado e após a batalha se empenhava em cuidar dos feridos e salvar os prisioneiros dos abusos”, acrescenta o historiador Bordonove.

São Luís inquietava até seus capelães, que temiam pela sua saúde. Ele saía de seus êxtases ou meditações quase esgotado, no limite do desmaio.

Mas sabia ser o mais brilhante da corte, distinto, generoso e alegre, no protocolo oficial e na vida privada. Ria à vontade, dava às vezes gargalhadas, mas nunca às custas de alguém e jamais permitindo uma expressão grosseira ou ofensiva.

Nele, o chefe de guerra era a outra face do místico. O homem piedoso e amante da virtude da pobreza constituía a outra face do monarca mais brilhante da Europa.

O tato do diplomata revertia na caridade do esmoler, e a suavidade do santo, na esperteza sagaz do diplomata.

Ele se tornou o árbitro dos conflitos da Europa e da Cristandade do século XIII porque foi santo, e foi santo porque praticou heroicamente as virtudes no exercício político do mais requintado trono da Europa e do mais terrível dos exércitos da Cristandade.

Uma coisa estava contida na outra e eram perfeitamente inseparáveis, a ponto de que, se tivesse fraquejado no múnus monárquico, não teria sido santo, e vice-versa.

Ele foi rei cristianíssimo como nenhum de seus sucessores. E o fiel por excelência do Papado até mesmo quando dizia, com inflexível lógica e imenso respeito, algumas verdades ao próprio Papa e aos bispos de vários ducados do reino.

Continua no próximo post

 

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29 setembro 2014

O filhote de Leão — São Luís, estadista da Cristandade 1

Em 25 de abril de 1214 um menino nasceu no castelo de Poissy, perto de Paris.

Há hoje no local um mosteiro para honrar aquela criança, que conhecemos pelo nome de São Luís IX, Rei da França.

O feliz evento aconteceu em meio a uma tormenta política. Nesse ano, seu avô, o rei Felipe Augusto, derrotou na batalha de Bouvines uma coalizão de príncipes e nobres franceses revoltados, apoiados pelo rei da Inglaterra, João Sem-Terra, sustentados pelo imperador Othon IV e auxiliados por tropas flamengas da Holanda e da Lorena.

João Sem-Terra cobiçava a coroa francesa e o imperador alemão Othon IV tinha sido excomungado pelo Papa.

A vitória de Bouvines foi considerada um “autêntico juízo de Deus” que salvou o trono a ser ocupado um dia pelo principezinho.

Quando ele aprendeu a escrever, assinava Luís de Poissy, gostava de cantar na igreja e ouvir os feitos bélicos de Bouvines dos próprios lábios de seu avô.

Ao subir ao trono, os conselhos do velho monarca inspiraram-no no exercício do poder régio.

Filhote de Leão

Seu pai, Luís VIII, o Leão, faleceu quando voltava de uma Cruzada contra os hereges albigenses. Sua prematura morte causou consternação.

O reino da França estava muito longe de ser a respeitada estrutura política que São Luís legou depois à sua descendência.

No sul, ainda crepitava a revolta da heresia cátara, panteísta e imoral, que corrompia os costumes até além Pirineus.

A Europa cristã estava ameaçada em todas suas fronteiras, e graves desordens grassavam em seu interior.  Os mongóis arrasavam a Europa Central e miravam o coração da Europa.
A Europa cristã estava ameaçada em todas suas fronteiras, e graves desordens grassavam em seu interior.

Os mongóis arrasavam a Europa Central e miravam o coração da Europa.

No leste, após ser derrotado em Bouvines, Othon IV renunciara à coroa imperial, afastando-se da política.

Porém, os partidários do erro, que negavam o poder do Papa de destituir imperadores, soberanos, bispos e abades, ainda ateavam crises, desmandos e guerras.

Os Papas estavam absorvidos por esse conflito teológico e político.

Na França, o poder da família real era pequeno se comparado ao do rei da Inglaterra, que também era duque da Normandia e da Aquitânia e cujas terras estendiam-se do Canal da Mancha ao Mediterrâneo.

Ademais, turbulentos senhores feudais geravam desordens, atritos e guerras locais.

Na Espanha e no Mediterrâneo, os muçulmanos promoviam incursões, infestavam o mar com sua pirataria e ameaçavam os portos cristãos.

As notícias do leste da Cristandade eram alarmantes: os mongóis devastavam países batizados havia não muito tempo e parecia que ninguém deteria sua marcha infernal rumo ao Ocidente.

Margarida de Provence, esposa de São Luís
Margarida de Provence, esposa de São Luís

Do decadente e cismático Império de Bizâncio provinham muitas intrigas e apelos desesperados em virtude do progresso das hordas do Islã na Terra Santa e na Ásia Menor.

Ao pequeno “Louis de Poissy” incumbiu o dever de salvar o reino e equilibrar a Europa que soçobrava.

Sua mãe, a piedosa rainha Branca de Castela, era constituída da matéria-prima dos verdadeiros chefes de Estado.

Enérgica e diplomática, ela foi nomeada regente durante a minoridade do rei, que herdou sua piedade e seu caráter.

São Luís foi sagrado aos 12 anos, em 29 de novembro de 1226, na catedral de Reims, mas só assumiu o poder régio em 1234.

Casou-se com uma princesa de nome poético, Margarida de Provence, que levou consigo o grão-ducado de seu pai, reforçando o poder da casa real e trazendo estabilidade e segurança.
Continua no próximo post

 

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22 setembro 2014

Símbolos Papais requintados na Idade Média

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Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Anel do Pescador que foi de Bento XVI.

No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

O Anel do Pescador é dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

Isto se fazia através de um pouco de cera quente no fim do texto ou para fechar o envelope. O Papa aplicava então o Anel, que deixava cunhado seu nome e a Barca.

Férula, originalmente do Beato Pio IX.
Férula, originalmente do Beato Pio IX.

Depois passou a ser usado em todos os documentos oficiais da Igreja, que são conservados no Vaticano.

Cada Anel do Pescador é destruído pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana assim que se constata a morte do Papa.

A destruição simboliza o fim da autoridade do Papa falecido, e impede que algum outro venha a utilizá-lo indevidamente.

A Férula é usada pelos Papas em lugar do báculo pastoral dos bispos e abades mitrados. Enquanto o báculo, que lembra um cajado de pastor, indica a autoridade na diocese ou na abadia, a Férula, que tem forma de Cruz, indica a jurisdição universal do Papa.

A Férula já era usada nos primórdios da Idade Média. No auge desta, era recebida pelo novo Papa como símbolo de governo, que inclui a punição e a penitência.

A Sedia Gestatória é um trono portátil levado por 12 homens chamados de sediários ou palafreneiros, que vão vestidos de vermelho com ornatos de ouro.

A Sedia Gestatória é acompanhada por dois assistentes que levam os Flabelli, ou flabelos, grandes leques de pena de avestruz que remontam ao século IV.

Os flabelli eram usados pelos magnatas da Antiguidade e nasceram com uma finalidade muito prática: afastar insetos; mas depois permaneceram, pelo seu valor decorativo e pela manifestação da altíssima dignidade do Pontífice.

A mais antiga referência à Sedia Gestatória remonta ao ano 521 e era também reminiscência dos antigos reis. Hoje é certo que ela vinha sendo usada antes do ano 1.000.

Pálio pontifício.
Pálio pontifício.

O Papa também usa o Pálio sobre os paramentos litúrgicos, na Missa ou em outras cerimônias.

Trata-se de uma rica fita circular da qual descem duas faixas de 30 cm, uma pelo peito e outra pelas costas.

O Pálio é ornado com seis cruzes pequenas, vermelhas, para lembrar o Preciosíssimo Sangue derramado na Redenção, e é preso por três agulhas de ouro, que evocam os pregos com que Jesus foi crucificado.

Também os arcebispos usam o Pálio, embora mais simples. Os bispos dos ritos orientais católicos usam-no com mais ornato.

Outra insígnia exclusiva é o Fanon, pequena capa de ombros, como uma dupla murça (mozeta) ou camalha de seda branca com listras douradas.

O Fanon, ou Fano, é reservado somente ao Papa durante as Missas pontificais e representa o escudo da fé que protege a Igreja Católica, personificada no Papa.

Só o Sumo Pontífice, chefe visível da Igreja de Cristo, pode usar o Fanon.

As faixas verticais, de cor dourada, representam a unidade e a indissolubilidade da Igreja latina e oriental. O Fano já era usado no século VIII, porém ficou exclusivo do Papa a partir do fim do século XII.

Sedia Gestatoria, se destacam os fiabelli

O sub-cinctorium, ou succintório, ou subcíngulo, só é usado pelo Papa nas Missas pontificais. Consiste numa faixa estreita e comprida, decorada nas extremidades com uma cruz e um cordeiro, pendendo do lado esquerdo.

Mencionado pela primeira vez no século X, na Idade Média o subcíngulo podia ser usado pelos bispos, e era dotado de uma bolsa com esmolas para distribuir aos pobres. Evoca também a toalha usada por Jesus na Última Ceia para lavar os pés dos Apóstolos.

Embora não tenham sido abolidos, esses símbolos deixaram de ser usados hoje –numa época em que paradoxalmente tanto se fala dos pobres e da pretensa humildade de tantos prelados.

Manto, no quadro usado por S.S. Pio VII na Capela Sistina

O Manto é uma capa muito larga, exclusiva do Papa. Originariamente era vermelha e depois passou a acompanhar as cores litúrgicas. Quando o Papa usava a Sedia Gestatória, portava o Manto.

A primeira referência ao uso do Manto remonta à Divina Comédia de Dante Alighieri, no século XIII.

O Manto é muito maior que o Papa, que ao sentar-se no trono coloca seus pés sobre ele, enquanto os assistentes o espraiam sobre os degraus do trono. Indica a superioridade absoluta do Papa. Bispos e outros dignitários podiam usar mantos menores.

O Manípulo Papal é semelhante aos usados por bispos e padres, com a diferença de que os fios que o unem são dourados e vermelhos, para simbolizar a união das igrejas católicas, ou ritos católicos do Oriente e do Ocidente. É usado na liturgia desde o século VI.

Cabe mencionar o “umbraculum” ou umbrela, rico guarda-chuva de cor dourada e vermelha que os Papas usavam para se proteger do sol. Era prerrogativa exclusiva dos reis e simbolizava o poder temporal do Papado. Teria sido instituído por Alexandre VI, na transição da Idade Média para a Renascença.

É símbolo da vacância do Papado. Atualmente é usado no escudo de armas do Cardeal Camerlengo, que administra a Igreja durante a vacância do Trono de Pedro entre a morte de um Papa e a entronização do seguinte.

Esta insígnia constitui também privilégio das basílicas, sendo habitualmente exposta junto ao altar-mor ou em procissões.

 

 

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15 setembro 2014

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

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Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo

com Cristo Rei no centro.

continuação do post anterior: Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo
A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário. Catedral de Chartres
O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão

que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário.

Catedral de Chartres

Tal concepção de arte implica uma visão profundamente idealista do esquema do universo, e a convicção de que tanto a história quanto a natureza devem ser consideradas como grandes símbolos.

Podemos fazer uma tentativa de entender a visão medieval do mundo e da natureza.

O que é o mundo visível? Qual é o significado das miríadas de formas de vida?

O que devia pensar da Criação, o monge contemplando em sua cela, ou o Doutor meditando no claustro da catedral antes de sua palestra?

É apenas aparência, ou realidade?

A Idade Média foi unânime na sua resposta: o mundo é um símbolo.

Assim como a ideia da obra reside antes na mente do artista, da mesma maneira o universo estava na mente de Deus desde o início.

Deus criou, mas criou através da Sua Palavra, ou seja, através de Seu Filho.

O mundo, portanto, pode ser definido como “um pensamento de Deus realizado através da Palavra”.

São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo Catedral de Chartres
São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo

Catedral de Chartres

Se isto é assim, então em cada ser se esconde um pensamento divino; o mundo é um livro escrito pela mão de Deus, no qual toda criatura é uma palavra carregada de significado.

O ignorante vê as formas – as letras misteriosas – sem compreender nada do seu significado, mas o sábio, a partir do visível, se eleva ao invisível, e na leitura da natureza lê os pensamentos de Deus.

O verdadeiro conhecimento, então, não consiste no estudo das coisas em si mesmas – as formas exteriores –, mas em penetrar no significado profundo delas, que Deus pôs para a nossa instrução.

Desse modo, nas palavras de Honório de Autun, “cada criatura é uma sombra da verdade e da vida”.

Todo ser manifesta em suas profundezas um reflexo do sacrifício de Cristo, a imagem da Igreja, das virtudes e dos vícios.

O mundo material e o mundo espiritual refletem uma só e derradeira realidade.

(Autor: Émile Mâle, The Gothic Image: Religious Art in France of the Thirteenth Century, New York, Harper, 1958, pp 1-2, 5, 9-15, 29).

 

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8 setembro 2014

O cavaleiro medieval

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Combate de Roland contra o gigante Ferragut
Combate de Roland contra o gigante Ferragut

Na Idade Média, os conceitos de cavalaria e de nobreza em certo sentido se confundiam.

Assim, nem sempre o cavaleiro era nobre, mas muitos deles participavam dessa condição; nem todos os nobres eram cavaleiros, embora muitos o fossem.

Que característica do cavaleiro medieval o tornou célebre na História?

O traço marcante foi a Fé.

Daí a coragem que o cavaleiro revelava nas mais terríveis das lutas, as cruzadas, visando libertar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tais empreendimentos almejavam esse objetivo no Oriente, e, na Península Ibérica, aspiravam livrar, do jugo maometano, as populações espanhola e portuguesa.

Batalha de Pharsalos vista com olhos medievais
Batalha de Pharsalos vista com olhos medievais

A grande capacidade de combate desse guerreiro era explicável: tratava-se de defender a Religião, ao que ele se entregava inteiramente, arriscando mesmo a própria vida.

Tal característica existiu no cavaleiro medieval em harmonia com outras notas, aparentemente contraditórias.

O cavaleiro era homem de Fé.

Contudo, dotado também de espírito prático, chegou a edificar grandes fortificações, esplêndidos castelos e, em alguns casos, imponentes catedrais, levando mais longe do que ninguém a arte de construir maravilhas.

Ele, corajoso na luta, requintou, pouco a pouco, as regras de boa educação e do convívio amável.

Altivo perante seus iguais, mas benevolente no trato com o sexo frágil, os velhos, os doentes e os feridos na guerra.

Então, parecia ele, por assim dizer, feito de açúcar.

Entretanto, era só o inimigo ousar qualquer coisa contra os interesses da Igreja que aquele homem tão doce transformava-se num leão.

Ele, um batalhador, não obstante favoreceu enormemente a cultura, revelando-se um propulsor das artes e elevando o tom de vida a um nível menos rústico do que o vigente no início da Idade Média.

Donde se explicam os bonitos móveis, as belas alfaias, a gastronomia refinada, os vinhos excelentes e os sinos harmoniosos surgidos naquela época histórica.

Foram traços estes que o cavaleiro, antes tão rude, paulatinamente imprimiu na vida de então, tornando-a cheia de afabilidade e beleza.

Em suma, colaborando para ser implantada a civilização católica.

Esse era o perfil do cavaleiro medieval.

(Autor: comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 18.12.1992, não revistos pelo autor.)

 

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28 julho 2014

Encuentro de los restos del rey Ricardo III suscita interés mundial

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Ricardo III, último rei inglês da dinastia Plantageneta
Ricardo III, último rei inglês da dinastia Plantageneta

En 1458, hace casi seis siglos, Ricardo III, último rey de Inglaterra perteneciente a la dinastía Plantageneta, murió en la batalla de Bosworth Field, que culminó la Guerra de las Dos Rosas.

Se trató de una guerra civil entre las casas de York – es decir, la dinastía Plantageneta, de quien Ricardo III fue el último heredero – y la de Lencastre – es decir, de la dinastía de Tudor, que obtuvo la mejor; Henrique VII fue coronado e inició la dinastía real de los Tudor.

Shakespeare pone en la boca del rey derrotado, como habiendo sido sus últimas palabras, la famosa expresión: “¡A horse! ¡My kingdom for a horse!” – “¡Un caballo! ¡Mi reino por un caballo!

Ricardo III fue sepultado en el convento franciscano de Leicester. Entretanto, después de Henrique VIII haber confiscado y depredado los monasterios católicos y fundado la cismática Iglesia de Inglaterra, el convento se volvió ruinas.

Se perdió entonces el recuerdo del lugar en donde yacían los restos mortales del último rey Plantageneta.

Vista geral das excavações. O túmulo de Ricardo III é indicado pelo número 1
Vista geral das excavações. O túmulo de Ricardo III é indicado pelo número 1

En febrero de 2012, responsables por excavaciones para construir un estacionamiento en Leicester (centro de Inglaterra), anunciaron haber encontrado lo cimientos del antiguo convento franciscano y el túmulo de Ricardo III.

Huesos rotos y una espada indicaban tratarse de un caballero importante muerto en combate.

Exámenes de DNA permitieron confirmar que eran verdaderamente los restos del rey. La Universidad de Leicester ratificó la autenticidad del descubrimiento. .

Ahora, los restos del rey reposarán en un mausoleo en la catedral de la ciudad. Será construido a un costo total de £ 1 millón (R$ 3,39 millones).

Los planos para el funeral incluyen un nuevo piso en la catedral y un vitral, además de iluminación especial.

El entierro del último Plantageneta será el punto alto de una semana de actos que conmemorarán el descubrimiento de los restos mortales de Ricardo III.

Ricardo III e a rainha Ana, vitral no castelo de Cardiff
Ricardo III e a rainha Ana, vitral no castelo de Cardiff

El hecho fue ampliamente noticiado por la Internet y por la prensa internacional.

Una pregunta salta al espíritu. ¿Por qué el descubrimiento y el posterior re-entierro de un rey medieval suscita tanto interés en una época – el III milenio – en que bajo numerosos puntos de vista se coloca en las antípodas del orden medieval?

El hecho es que todo lo que dice al respecto de la Edad Media – tiempo profundamente católico, jerárquico y sacral – llega hasta nosotros cargado de refrigerios y de luminosos imponderables de sacralidad, de orden y de paz.

El descubrimiento de los restos de un rey sin túmulo conmueve y suscita la veneración y el respeto, llevando a consagrarle un mausoleo digno de un monarca que, a pesar de contradicho, marcó el fin de la era medieval.

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21 julho 2014

Carlos Magno segundo o pintor Albrecht Dürer

No famoso quadro do pintor alemão Albrecht Dürer (1471 – 1528), o artista imaginou em 1512 – portanto muitos séculos depois – a Carlos Magno entre a idade madura e a orla da velhice.

O seu bigode ainda é, em parte, castanho louro, mas uma parte é já branca e completamente alva.

O seu olhar é de um homem experimentado, que está prevenido para ver o adversário vir de qualquer lado e a qualquer momento.

Ele é seguro de si como um Himalaia. Todo seu olhar revela a contínua vigilância, mas todo o modo de ser, seu rosto, seu corpo, tudo o mais indica a contínua estabilidade, a contínua distância psíquica: “se for, veremos. Por enquanto estou tranquilo. E na hora do combate não deixarei de estar tranquilo, porque confio em Deus, meu Senhor”.

Uma coroa magnífica, feita de joias ainda não lapidadas – não se lapidavam as pedras nesse tempo – que se guarda, aliás, na Schatz Kammer, câmara do tesouro imperial, no palácio imperial de Viena hoje em dia.

E um manto maravilhoso de brocado, com a águia imperial servindo de ornato em alguns pontos. Dir-se-ia que a águia é ele, e ele é entre os homens o que a águia é entre os pássaros.

A coroa é encimada pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim como a Cruz esteve no alto do Calvário, no alto dessa glória toda ela reluz também.

Essa Cruz é, ao mesmo tempo, a lembrança adorante de nosso Redentor e Criador.

Mas, de outro lado, é também a glorificação, quase um ato de reparação: fizeram para ele uma cruz, preta, dura, um instrumento de suplício, de infamação, quiseram difamá-Lo.

Agora está no alto da coroa imperial em ouro e pedras preciosas, pronto! Para glorificá-Lo! Como quem diz: “algozes miseráveis que fizestes o que fizestes, aqui está o Sacro Império Romano inteiro, do alto da minha fronte, oferecendo um ato de reparação”!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 22/2/86. Sem revisão do autor)

 

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14 julho 2014

O mais admirável em Carlos Magno: sua altíssima sacralidade

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Carlos Magno busto relicario.
Fundo: cúpula da catedral de Aachen

Leia o post anterior: A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares

O mais admirável da magnífica obra de Carlos Magno foi a criação de um estado de espírito de altíssima sacralidade.

Esse espírito provinha de uma comunicação da graça que abençoava tudo quanto ele fazia.

Por isso sua imensa obra teve uma clave transcendente que está fora de comparação com outras coisas que ele ou outros fizeram.

Esta clave sobrenatural lhe dava uma visão das coisas temporais com uma altura que nem o gênio dá.

Da altura em que ele concebia o poder e a unção de Deus ele via todos os problemas, mesmo naturais do mundo.

Essa participação de Deus formou propriamente o caráter imperial do governo dele.

É uma vastidão de horizontes fenomenal sobre o universo, sobre a vida humana, sobre a terra, as possibilidades do homem, etc., etc., enquanto reflexos de um Deus transcendente.

Ele é um homem que levou uma vida sacrificada terrível, mas tinha a alegria estável da finalidade obtida.

Ele deixou a matriz do feudalismo, suscitando uma grande admiração por um tipo de alma que todos os homens a partir de então e até a Revolução, não deixaram de tender. Essa admiração foi tão grande que até hoje, exceto historiadores preconceituosos, ninguém fala mal dele.

A Igreja, Corpo Místico de Cristo, foi a fonte do espírito que o grande Carlos difundiu.

O mundo só não ficou muito mais carolíngio ainda porque não foi tão católico quanto devia ser. Porque a Igreja é carolingeogênica por definição.

As gente só compreende toda a dimensão da beleza das virtudes pessoais que Carlos Magno teve ou não teve, imaginando-as em Calos Magno.

Carlos Magno teve um problema de casamentos. Isso para um católico é um problema perturbador?

Se você imagina Carlos Magno, você vê a castidade com uma beleza que não é fácil imaginar de outra maneira. Não me interessa, para efeito do que estou falando, este efeito circunscrito, limitado da realidade histórica.

Carlos Magno probo, cultural, fazendo aquele renascimento da cultura, foi completamente diferente de um príncipe Médicis do tempo da Renascença. Quer dizer, ele é um pano de fundo sobre o qual tudo quanto é bonito fica lindo.

Agora o que que é o unum do pano de fundo de Carlos Magno? É o próprio espírito da Igreja, é a Igreja.

São Gregório VII foi para o Papado o que Carlos Magno foi para a ordem temporal.

Vocês, provavelmente não ouviram um elogio tão insistente de Carlos Magno, mas vocês todos não tomam como novidade o que estou dizendo, porque uma graça flutua em torno de nome dele e todos intuem.

Agora, o que que é isto em Carlos Magno? É uma quintessência do espírito da Igreja dado ao laicato. Carlos Magno é o exemplo por excelência do leigo católico.

Não adianta dizer que Carlos Magno não está canonizado. Eu não discuto nada disto.

Eu digo só, que é notório que existe em torno dele esta graça e que sua figura reluzente é uma das poucas coisas que a Revolução não conseguiu destruir. Ela conseguiu pôr em silêncio, mas não conseguiu destruir.

Este fundo revela um predicado na alma dele de onde tudo isto se irradia e o próprio foco deste unum é a Igreja.

Se não fosse a Igreja Carlos Magno não teria nada disto. E o fogo da Igreja se irradia a partir do clero. Esse ponto é preciso não esquecer.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 22/2/86. Sem revisão do autor)

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7 julho 2014

Ciência, invenções, Universidades, hospitais, educação, descobertas, culinária, nomes: a lista interminável do progresso medieval

Muitas vezes os leitores do blog desejam conhecer mais sobre a ciência e as invenções medieval, os grandes nomes e realizações.

Essas matéria foram sendo tratadas em “Glória da Idade Média” em diversos posts.

Eis uma seleção dos links, dentre os muitos do blog, que podem ser de interesse para quem quer conhecer mais:

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30 junho 2014

Convite aos fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé

Castelo de Chaumont

 

 

O historiador Rodney Stark colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental.
Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc.
Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios.
Por que não cresceram como a ocidental e cristã?
Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica.
As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação.
Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé.
Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”.

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