Idade Média

29 setembro 2014

O filhote de Leão — São Luís, estadista da Cristandade 1

Em 25 de abril de 1214 um menino nasceu no castelo de Poissy, perto de Paris.

Há hoje no local um mosteiro para honrar aquela criança, que conhecemos pelo nome de São Luís IX, Rei da França.

O feliz evento aconteceu em meio a uma tormenta política. Nesse ano, seu avô, o rei Felipe Augusto, derrotou na batalha de Bouvines uma coalizão de príncipes e nobres franceses revoltados, apoiados pelo rei da Inglaterra, João Sem-Terra, sustentados pelo imperador Othon IV e auxiliados por tropas flamengas da Holanda e da Lorena.

João Sem-Terra cobiçava a coroa francesa e o imperador alemão Othon IV tinha sido excomungado pelo Papa.

A vitória de Bouvines foi considerada um “autêntico juízo de Deus” que salvou o trono a ser ocupado um dia pelo principezinho.

Quando ele aprendeu a escrever, assinava Luís de Poissy, gostava de cantar na igreja e ouvir os feitos bélicos de Bouvines dos próprios lábios de seu avô.

Ao subir ao trono, os conselhos do velho monarca inspiraram-no no exercício do poder régio.

Filhote de Leão

Seu pai, Luís VIII, o Leão, faleceu quando voltava de uma Cruzada contra os hereges albigenses. Sua prematura morte causou consternação.

O reino da França estava muito longe de ser a respeitada estrutura política que São Luís legou depois à sua descendência.

No sul, ainda crepitava a revolta da heresia cátara, panteísta e imoral, que corrompia os costumes até além Pirineus.

A Europa cristã estava ameaçada em todas suas fronteiras, e graves desordens grassavam em seu interior.  Os mongóis arrasavam a Europa Central e miravam o coração da Europa.
A Europa cristã estava ameaçada em todas suas fronteiras, e graves desordens grassavam em seu interior.

Os mongóis arrasavam a Europa Central e miravam o coração da Europa.

No leste, após ser derrotado em Bouvines, Othon IV renunciara à coroa imperial, afastando-se da política.

Porém, os partidários do erro, que negavam o poder do Papa de destituir imperadores, soberanos, bispos e abades, ainda ateavam crises, desmandos e guerras.

Os Papas estavam absorvidos por esse conflito teológico e político.

Na França, o poder da família real era pequeno se comparado ao do rei da Inglaterra, que também era duque da Normandia e da Aquitânia e cujas terras estendiam-se do Canal da Mancha ao Mediterrâneo.

Ademais, turbulentos senhores feudais geravam desordens, atritos e guerras locais.

Na Espanha e no Mediterrâneo, os muçulmanos promoviam incursões, infestavam o mar com sua pirataria e ameaçavam os portos cristãos.

As notícias do leste da Cristandade eram alarmantes: os mongóis devastavam países batizados havia não muito tempo e parecia que ninguém deteria sua marcha infernal rumo ao Ocidente.

Margarida de Provence, esposa de São Luís
Margarida de Provence, esposa de São Luís

Do decadente e cismático Império de Bizâncio provinham muitas intrigas e apelos desesperados em virtude do progresso das hordas do Islã na Terra Santa e na Ásia Menor.

Ao pequeno “Louis de Poissy” incumbiu o dever de salvar o reino e equilibrar a Europa que soçobrava.

Sua mãe, a piedosa rainha Branca de Castela, era constituída da matéria-prima dos verdadeiros chefes de Estado.

Enérgica e diplomática, ela foi nomeada regente durante a minoridade do rei, que herdou sua piedade e seu caráter.

São Luís foi sagrado aos 12 anos, em 29 de novembro de 1226, na catedral de Reims, mas só assumiu o poder régio em 1234.

Casou-se com uma princesa de nome poético, Margarida de Provence, que levou consigo o grão-ducado de seu pai, reforçando o poder da casa real e trazendo estabilidade e segurança.
Continua no próximo post

 

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22 setembro 2014

Símbolos Papais requintados na Idade Média

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Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Anel do Pescador que foi de Bento XVI.

No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

O Anel do Pescador é dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

Isto se fazia através de um pouco de cera quente no fim do texto ou para fechar o envelope. O Papa aplicava então o Anel, que deixava cunhado seu nome e a Barca.

Férula, originalmente do Beato Pio IX.
Férula, originalmente do Beato Pio IX.

Depois passou a ser usado em todos os documentos oficiais da Igreja, que são conservados no Vaticano.

Cada Anel do Pescador é destruído pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana assim que se constata a morte do Papa.

A destruição simboliza o fim da autoridade do Papa falecido, e impede que algum outro venha a utilizá-lo indevidamente.

A Férula é usada pelos Papas em lugar do báculo pastoral dos bispos e abades mitrados. Enquanto o báculo, que lembra um cajado de pastor, indica a autoridade na diocese ou na abadia, a Férula, que tem forma de Cruz, indica a jurisdição universal do Papa.

A Férula já era usada nos primórdios da Idade Média. No auge desta, era recebida pelo novo Papa como símbolo de governo, que inclui a punição e a penitência.

A Sedia Gestatória é um trono portátil levado por 12 homens chamados de sediários ou palafreneiros, que vão vestidos de vermelho com ornatos de ouro.

A Sedia Gestatória é acompanhada por dois assistentes que levam os Flabelli, ou flabelos, grandes leques de pena de avestruz que remontam ao século IV.

Os flabelli eram usados pelos magnatas da Antiguidade e nasceram com uma finalidade muito prática: afastar insetos; mas depois permaneceram, pelo seu valor decorativo e pela manifestação da altíssima dignidade do Pontífice.

A mais antiga referência à Sedia Gestatória remonta ao ano 521 e era também reminiscência dos antigos reis. Hoje é certo que ela vinha sendo usada antes do ano 1.000.

Pálio pontifício.
Pálio pontifício.

O Papa também usa o Pálio sobre os paramentos litúrgicos, na Missa ou em outras cerimônias.

Trata-se de uma rica fita circular da qual descem duas faixas de 30 cm, uma pelo peito e outra pelas costas.

O Pálio é ornado com seis cruzes pequenas, vermelhas, para lembrar o Preciosíssimo Sangue derramado na Redenção, e é preso por três agulhas de ouro, que evocam os pregos com que Jesus foi crucificado.

Também os arcebispos usam o Pálio, embora mais simples. Os bispos dos ritos orientais católicos usam-no com mais ornato.

Outra insígnia exclusiva é o Fanon, pequena capa de ombros, como uma dupla murça (mozeta) ou camalha de seda branca com listras douradas.

O Fanon, ou Fano, é reservado somente ao Papa durante as Missas pontificais e representa o escudo da fé que protege a Igreja Católica, personificada no Papa.

Só o Sumo Pontífice, chefe visível da Igreja de Cristo, pode usar o Fanon.

As faixas verticais, de cor dourada, representam a unidade e a indissolubilidade da Igreja latina e oriental. O Fano já era usado no século VIII, porém ficou exclusivo do Papa a partir do fim do século XII.

Sedia Gestatoria, se destacam os fiabelli

O sub-cinctorium, ou succintório, ou subcíngulo, só é usado pelo Papa nas Missas pontificais. Consiste numa faixa estreita e comprida, decorada nas extremidades com uma cruz e um cordeiro, pendendo do lado esquerdo.

Mencionado pela primeira vez no século X, na Idade Média o subcíngulo podia ser usado pelos bispos, e era dotado de uma bolsa com esmolas para distribuir aos pobres. Evoca também a toalha usada por Jesus na Última Ceia para lavar os pés dos Apóstolos.

Embora não tenham sido abolidos, esses símbolos deixaram de ser usados hoje –numa época em que paradoxalmente tanto se fala dos pobres e da pretensa humildade de tantos prelados.

Manto, no quadro usado por S.S. Pio VII na Capela Sistina

O Manto é uma capa muito larga, exclusiva do Papa. Originariamente era vermelha e depois passou a acompanhar as cores litúrgicas. Quando o Papa usava a Sedia Gestatória, portava o Manto.

A primeira referência ao uso do Manto remonta à Divina Comédia de Dante Alighieri, no século XIII.

O Manto é muito maior que o Papa, que ao sentar-se no trono coloca seus pés sobre ele, enquanto os assistentes o espraiam sobre os degraus do trono. Indica a superioridade absoluta do Papa. Bispos e outros dignitários podiam usar mantos menores.

O Manípulo Papal é semelhante aos usados por bispos e padres, com a diferença de que os fios que o unem são dourados e vermelhos, para simbolizar a união das igrejas católicas, ou ritos católicos do Oriente e do Ocidente. É usado na liturgia desde o século VI.

Cabe mencionar o “umbraculum” ou umbrela, rico guarda-chuva de cor dourada e vermelha que os Papas usavam para se proteger do sol. Era prerrogativa exclusiva dos reis e simbolizava o poder temporal do Papado. Teria sido instituído por Alexandre VI, na transição da Idade Média para a Renascença.

É símbolo da vacância do Papado. Atualmente é usado no escudo de armas do Cardeal Camerlengo, que administra a Igreja durante a vacância do Trono de Pedro entre a morte de um Papa e a entronização do seguinte.

Esta insígnia constitui também privilégio das basílicas, sendo habitualmente exposta junto ao altar-mor ou em procissões.

 

 

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15 setembro 2014

O simbolismo divino na arte e na natureza visto pela Idade Média

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Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo
Rosácea lateral da catedral de Chartres: resumo da ordem do Universo

com Cristo Rei no centro.

continuação do post anterior: Lendo a ordem sublime de Deus impressa no Universo
A terceira característica da arte medieval reside no fato de que ela é um código simbólico.

Desde o tempo das catacumbas [nos dias da perseguição romana], a arte cristã falava por meio de figuras, ensinando os homens a verem por detrás de uma imagem uma outra coisa superior.

O artista, segundo o imaginavam os Doutores da Igreja, deve imitar a Deus, que sob a letra da Escritura escondeu um profundo significado, e que queria que a natureza também servisse de lição para o homem.

O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário. Catedral de Chartres
O anjo (no alto à esquerda) segura o braço de Abraão

que vai sacrificar seu filho Isaac, prefigura do sacrifício do Calvário.

Catedral de Chartres

Tal concepção de arte implica uma visão profundamente idealista do esquema do universo, e a convicção de que tanto a história quanto a natureza devem ser consideradas como grandes símbolos.

Podemos fazer uma tentativa de entender a visão medieval do mundo e da natureza.

O que é o mundo visível? Qual é o significado das miríadas de formas de vida?

O que devia pensar da Criação, o monge contemplando em sua cela, ou o Doutor meditando no claustro da catedral antes de sua palestra?

É apenas aparência, ou realidade?

A Idade Média foi unânime na sua resposta: o mundo é um símbolo.

Assim como a ideia da obra reside antes na mente do artista, da mesma maneira o universo estava na mente de Deus desde o início.

Deus criou, mas criou através da Sua Palavra, ou seja, através de Seu Filho.

O mundo, portanto, pode ser definido como “um pensamento de Deus realizado através da Palavra”.

São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo Catedral de Chartres
São João Batista anuncia o Cordeiro de Deus: Cristo

Catedral de Chartres

Se isto é assim, então em cada ser se esconde um pensamento divino; o mundo é um livro escrito pela mão de Deus, no qual toda criatura é uma palavra carregada de significado.

O ignorante vê as formas – as letras misteriosas – sem compreender nada do seu significado, mas o sábio, a partir do visível, se eleva ao invisível, e na leitura da natureza lê os pensamentos de Deus.

O verdadeiro conhecimento, então, não consiste no estudo das coisas em si mesmas – as formas exteriores –, mas em penetrar no significado profundo delas, que Deus pôs para a nossa instrução.

Desse modo, nas palavras de Honório de Autun, “cada criatura é uma sombra da verdade e da vida”.

Todo ser manifesta em suas profundezas um reflexo do sacrifício de Cristo, a imagem da Igreja, das virtudes e dos vícios.

O mundo material e o mundo espiritual refletem uma só e derradeira realidade.

(Autor: Émile Mâle, The Gothic Image: Religious Art in France of the Thirteenth Century, New York, Harper, 1958, pp 1-2, 5, 9-15, 29).

 

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8 setembro 2014

O cavaleiro medieval

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Combate de Roland contra o gigante Ferragut
Combate de Roland contra o gigante Ferragut

Na Idade Média, os conceitos de cavalaria e de nobreza em certo sentido se confundiam.

Assim, nem sempre o cavaleiro era nobre, mas muitos deles participavam dessa condição; nem todos os nobres eram cavaleiros, embora muitos o fossem.

Que característica do cavaleiro medieval o tornou célebre na História?

O traço marcante foi a Fé.

Daí a coragem que o cavaleiro revelava nas mais terríveis das lutas, as cruzadas, visando libertar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tais empreendimentos almejavam esse objetivo no Oriente, e, na Península Ibérica, aspiravam livrar, do jugo maometano, as populações espanhola e portuguesa.

Batalha de Pharsalos vista com olhos medievais
Batalha de Pharsalos vista com olhos medievais

A grande capacidade de combate desse guerreiro era explicável: tratava-se de defender a Religião, ao que ele se entregava inteiramente, arriscando mesmo a própria vida.

Tal característica existiu no cavaleiro medieval em harmonia com outras notas, aparentemente contraditórias.

O cavaleiro era homem de Fé.

Contudo, dotado também de espírito prático, chegou a edificar grandes fortificações, esplêndidos castelos e, em alguns casos, imponentes catedrais, levando mais longe do que ninguém a arte de construir maravilhas.

Ele, corajoso na luta, requintou, pouco a pouco, as regras de boa educação e do convívio amável.

Altivo perante seus iguais, mas benevolente no trato com o sexo frágil, os velhos, os doentes e os feridos na guerra.

Então, parecia ele, por assim dizer, feito de açúcar.

Entretanto, era só o inimigo ousar qualquer coisa contra os interesses da Igreja que aquele homem tão doce transformava-se num leão.

Ele, um batalhador, não obstante favoreceu enormemente a cultura, revelando-se um propulsor das artes e elevando o tom de vida a um nível menos rústico do que o vigente no início da Idade Média.

Donde se explicam os bonitos móveis, as belas alfaias, a gastronomia refinada, os vinhos excelentes e os sinos harmoniosos surgidos naquela época histórica.

Foram traços estes que o cavaleiro, antes tão rude, paulatinamente imprimiu na vida de então, tornando-a cheia de afabilidade e beleza.

Em suma, colaborando para ser implantada a civilização católica.

Esse era o perfil do cavaleiro medieval.

(Autor: comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 18.12.1992, não revistos pelo autor.)

 

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28 julho 2014

Encuentro de los restos del rey Ricardo III suscita interés mundial

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Ricardo III, último rei inglês da dinastia Plantageneta
Ricardo III, último rei inglês da dinastia Plantageneta

En 1458, hace casi seis siglos, Ricardo III, último rey de Inglaterra perteneciente a la dinastía Plantageneta, murió en la batalla de Bosworth Field, que culminó la Guerra de las Dos Rosas.

Se trató de una guerra civil entre las casas de York – es decir, la dinastía Plantageneta, de quien Ricardo III fue el último heredero – y la de Lencastre – es decir, de la dinastía de Tudor, que obtuvo la mejor; Henrique VII fue coronado e inició la dinastía real de los Tudor.

Shakespeare pone en la boca del rey derrotado, como habiendo sido sus últimas palabras, la famosa expresión: “¡A horse! ¡My kingdom for a horse!” – “¡Un caballo! ¡Mi reino por un caballo!

Ricardo III fue sepultado en el convento franciscano de Leicester. Entretanto, después de Henrique VIII haber confiscado y depredado los monasterios católicos y fundado la cismática Iglesia de Inglaterra, el convento se volvió ruinas.

Se perdió entonces el recuerdo del lugar en donde yacían los restos mortales del último rey Plantageneta.

Vista geral das excavações. O túmulo de Ricardo III é indicado pelo número 1
Vista geral das excavações. O túmulo de Ricardo III é indicado pelo número 1

En febrero de 2012, responsables por excavaciones para construir un estacionamiento en Leicester (centro de Inglaterra), anunciaron haber encontrado lo cimientos del antiguo convento franciscano y el túmulo de Ricardo III.

Huesos rotos y una espada indicaban tratarse de un caballero importante muerto en combate.

Exámenes de DNA permitieron confirmar que eran verdaderamente los restos del rey. La Universidad de Leicester ratificó la autenticidad del descubrimiento. .

Ahora, los restos del rey reposarán en un mausoleo en la catedral de la ciudad. Será construido a un costo total de £ 1 millón (R$ 3,39 millones).

Los planos para el funeral incluyen un nuevo piso en la catedral y un vitral, además de iluminación especial.

El entierro del último Plantageneta será el punto alto de una semana de actos que conmemorarán el descubrimiento de los restos mortales de Ricardo III.

Ricardo III e a rainha Ana, vitral no castelo de Cardiff
Ricardo III e a rainha Ana, vitral no castelo de Cardiff

El hecho fue ampliamente noticiado por la Internet y por la prensa internacional.

Una pregunta salta al espíritu. ¿Por qué el descubrimiento y el posterior re-entierro de un rey medieval suscita tanto interés en una época – el III milenio – en que bajo numerosos puntos de vista se coloca en las antípodas del orden medieval?

El hecho es que todo lo que dice al respecto de la Edad Media – tiempo profundamente católico, jerárquico y sacral – llega hasta nosotros cargado de refrigerios y de luminosos imponderables de sacralidad, de orden y de paz.

El descubrimiento de los restos de un rey sin túmulo conmueve y suscita la veneración y el respeto, llevando a consagrarle un mausoleo digno de un monarca que, a pesar de contradicho, marcó el fin de la era medieval.

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21 julho 2014

Carlos Magno segundo o pintor Albrecht Dürer

No famoso quadro do pintor alemão Albrecht Dürer (1471 – 1528), o artista imaginou em 1512 – portanto muitos séculos depois – a Carlos Magno entre a idade madura e a orla da velhice.

O seu bigode ainda é, em parte, castanho louro, mas uma parte é já branca e completamente alva.

O seu olhar é de um homem experimentado, que está prevenido para ver o adversário vir de qualquer lado e a qualquer momento.

Ele é seguro de si como um Himalaia. Todo seu olhar revela a contínua vigilância, mas todo o modo de ser, seu rosto, seu corpo, tudo o mais indica a contínua estabilidade, a contínua distância psíquica: “se for, veremos. Por enquanto estou tranquilo. E na hora do combate não deixarei de estar tranquilo, porque confio em Deus, meu Senhor”.

Uma coroa magnífica, feita de joias ainda não lapidadas – não se lapidavam as pedras nesse tempo – que se guarda, aliás, na Schatz Kammer, câmara do tesouro imperial, no palácio imperial de Viena hoje em dia.

E um manto maravilhoso de brocado, com a águia imperial servindo de ornato em alguns pontos. Dir-se-ia que a águia é ele, e ele é entre os homens o que a águia é entre os pássaros.

A coroa é encimada pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim como a Cruz esteve no alto do Calvário, no alto dessa glória toda ela reluz também.

Essa Cruz é, ao mesmo tempo, a lembrança adorante de nosso Redentor e Criador.

Mas, de outro lado, é também a glorificação, quase um ato de reparação: fizeram para ele uma cruz, preta, dura, um instrumento de suplício, de infamação, quiseram difamá-Lo.

Agora está no alto da coroa imperial em ouro e pedras preciosas, pronto! Para glorificá-Lo! Como quem diz: “algozes miseráveis que fizestes o que fizestes, aqui está o Sacro Império Romano inteiro, do alto da minha fronte, oferecendo um ato de reparação”!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 22/2/86. Sem revisão do autor)

 

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14 julho 2014

O mais admirável em Carlos Magno: sua altíssima sacralidade

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Carlos Magno busto relicario.
Fundo: cúpula da catedral de Aachen

Leia o post anterior: A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares

O mais admirável da magnífica obra de Carlos Magno foi a criação de um estado de espírito de altíssima sacralidade.

Esse espírito provinha de uma comunicação da graça que abençoava tudo quanto ele fazia.

Por isso sua imensa obra teve uma clave transcendente que está fora de comparação com outras coisas que ele ou outros fizeram.

Esta clave sobrenatural lhe dava uma visão das coisas temporais com uma altura que nem o gênio dá.

Da altura em que ele concebia o poder e a unção de Deus ele via todos os problemas, mesmo naturais do mundo.

Essa participação de Deus formou propriamente o caráter imperial do governo dele.

É uma vastidão de horizontes fenomenal sobre o universo, sobre a vida humana, sobre a terra, as possibilidades do homem, etc., etc., enquanto reflexos de um Deus transcendente.

Ele é um homem que levou uma vida sacrificada terrível, mas tinha a alegria estável da finalidade obtida.

Ele deixou a matriz do feudalismo, suscitando uma grande admiração por um tipo de alma que todos os homens a partir de então e até a Revolução, não deixaram de tender. Essa admiração foi tão grande que até hoje, exceto historiadores preconceituosos, ninguém fala mal dele.

A Igreja, Corpo Místico de Cristo, foi a fonte do espírito que o grande Carlos difundiu.

O mundo só não ficou muito mais carolíngio ainda porque não foi tão católico quanto devia ser. Porque a Igreja é carolingeogênica por definição.

As gente só compreende toda a dimensão da beleza das virtudes pessoais que Carlos Magno teve ou não teve, imaginando-as em Calos Magno.

Carlos Magno teve um problema de casamentos. Isso para um católico é um problema perturbador?

Se você imagina Carlos Magno, você vê a castidade com uma beleza que não é fácil imaginar de outra maneira. Não me interessa, para efeito do que estou falando, este efeito circunscrito, limitado da realidade histórica.

Carlos Magno probo, cultural, fazendo aquele renascimento da cultura, foi completamente diferente de um príncipe Médicis do tempo da Renascença. Quer dizer, ele é um pano de fundo sobre o qual tudo quanto é bonito fica lindo.

Agora o que que é o unum do pano de fundo de Carlos Magno? É o próprio espírito da Igreja, é a Igreja.

São Gregório VII foi para o Papado o que Carlos Magno foi para a ordem temporal.

Vocês, provavelmente não ouviram um elogio tão insistente de Carlos Magno, mas vocês todos não tomam como novidade o que estou dizendo, porque uma graça flutua em torno de nome dele e todos intuem.

Agora, o que que é isto em Carlos Magno? É uma quintessência do espírito da Igreja dado ao laicato. Carlos Magno é o exemplo por excelência do leigo católico.

Não adianta dizer que Carlos Magno não está canonizado. Eu não discuto nada disto.

Eu digo só, que é notório que existe em torno dele esta graça e que sua figura reluzente é uma das poucas coisas que a Revolução não conseguiu destruir. Ela conseguiu pôr em silêncio, mas não conseguiu destruir.

Este fundo revela um predicado na alma dele de onde tudo isto se irradia e o próprio foco deste unum é a Igreja.

Se não fosse a Igreja Carlos Magno não teria nada disto. E o fogo da Igreja se irradia a partir do clero. Esse ponto é preciso não esquecer.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 22/2/86. Sem revisão do autor)

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7 julho 2014

Ciência, invenções, Universidades, hospitais, educação, descobertas, culinária, nomes: a lista interminável do progresso medieval

Muitas vezes os leitores do blog desejam conhecer mais sobre a ciência e as invenções medieval, os grandes nomes e realizações.

Essas matéria foram sendo tratadas em “Glória da Idade Média” em diversos posts.

Eis uma seleção dos links, dentre os muitos do blog, que podem ser de interesse para quem quer conhecer mais:

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30 junho 2014

Convite aos fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé

Castelo de Chaumont

 

 

O historiador Rodney Stark colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental.
Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc.
Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios.
Por que não cresceram como a ocidental e cristã?
Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica.
As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação.
Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé.
Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”.

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23 junho 2014

A guerra santa em Carlos Magno e seus Pares

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Carlos Magno batalha contra os saxões, British Library

Leia o post anterior sobre Carlos Magno: A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

Vamos imaginar Carlos Magno no momento de se jogar contra os sarracenos que invadiram o sul da Espanha.

Então, ele está com a tenda dele armada, mas é uma tenda bonita, guerreira, militar, com pendões etc., etc.

Uma tenda medieval com guerreiros andando de um lado para o outro com uma compenetração que é de homem que está andando para a guerra sagrada.

Entram cinco, oito, dez homens. São os pares de Carlos Magno que se aproximam. Carlos Magno está majestoso, num repouso fecundo, desses repousos dos quais homens prontos para a batalha.

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16 junho 2014

Os escolásticos medievais fundaram a economia científica

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Um dado muito pouco conhecido é que a Igreja inspirou o pensamento econômico na Idade Média.

Até então os homens não tinham racionalizado os sistemas econômicos.

Alguns grandes pensadores como Aristóteles trataram de alguns problemas muito básicos da atividade econômica.

Porém, a imensa maioria dos homens e as civilizações antigas tocavam a vida econômica em função da agricultura, o artesanato, o comércio e o intercâmbio básico, e não raciocinavam sobre isso.

Para eles, a economia era o que a palavra significa ao pé da letra : as “regras da casa” ou “administração doméstica” ( de ‘eco’ = casa e ‘nomos’ = regras ou costumes).

Joseph Schumpeter, um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX, em sua History of Economic Analysis (1954), disse dos escolásticos (a escola teológica que unificiou a linguagem e a formulação dos conceitos na Idade Média):

“Foram eles os que chegaram, mais perto do que qualquer outro grupo, a serem os ‘fundadores’ da economia científica”.

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2 junho 2014

Reconhecidos os ossos do “Pai da Europa”: Carlos Magno

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Carlos Magno: busto relicário em Aachen, Alemanha

Cientistas alemães anunciaram que, após quase 26 anos de pesquisa, os ossos contidos há séculos em preciosas urnas e relicários da catedral de Aachen, podem ser tidos com grande certeza como os próprios de Carlos Magno, informou The Local, jornal com noticias em inglês editado na Alemanha.

Os estudos científicos e suas conclusões foram apresentados no dia 28 de janeiro de 2014, 1.200º aniversário da morte do grande imperador.

Os cientistas contabilizaram 94 ossos e fragmentos nos relicários do Rei dos Francos, coroado Imperador do Sacro Império Romano Alemão pelo Papa São Leão III.

Carlos Magno tem direito a culto como bem-aventurado em numerosas dioceses da França, Alemanha e Bélgica, com Missa especial e orações próprias.

Imagens do Beato Carlos Magno são cultuadas em igrejas e catedrais dessas dioceses.

O busto relicário contém parte da calota craniana de Carlos Magno

Em 1988, a equipe abriu o sarcófago principal exposto ao culto na Catedral de Aachen.

Porém, os cientistas agiram em segredo, pois se trata de um personagem altamente polêmico, com furiosos inimigos anticristãos. Os resultados do estudo só agora se tornaram públicos.

O professor Frank Rühli, chefe do Centro de Medicina Evolutiva da Universidade de Zurique, Suíça, um dos cientistas responsáveis pelo trabalho, declarou:

“Em virtude dos resultados obtidos desde 1988 até o presente, podemos dizer com grande probabilidade que se trata do esqueleto de Carlos Magno”.

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26 maio 2014

A minúscula carolíngia mudou o rumo da cultura e da alfabetização

O Sacramentário de Tyniecki adotou a minúscula carolíngia, clara, fácil de ler
O Sacramentário de Tyniecki adotoua minúscula carolíngia, clara, fácil de ler

Leia o post anterior: Como e por que Carlos Magno mandou alfabetizar o maior número possível

Nada de mais básico para a leitura do que uma escritura legível e uma boa caligrafia ou tipografia.

O leitor imagine um texto todo escrito em maiúsculas, sem espaços entre uma palavra e outra. Seria muito penoso de ler.

Era o caso da escritura dos romanos da qual provém a nossa.

Os romanos escreviam assim, como está registrado em inúmeros monumentos, como no arco de Septimio Severo em Roma por exemplo.

Devemos a facilidade de leitura da nossa escritura à Idade Média.

E sobre tudo ao imperador Carlos Magno.

Por volta do ano 780, o imperador ordenou que a Escola Palatina, que funcionava em seu palácio, passasse a usar letras minúsculas e pusesse espaços entre as palavras.

Foi assim que se tornou oficial a “Minúscula carolíngia”, antepassada direta de nossa escritura.

Carlos Magno agiu aconselhado pelo abade Alcuíno, monge beneditino de York, e que foi uma espécie de ministro de Educação muito prezado pelo imperador.

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19 maio 2014

Como e por que Carlos Magno mandou alfabetizar o maior número possível

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 2:53
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Carlos Magno, alma do renascimento da cultura e introdutor da alfabetização popular

Leia o post anterior: Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

Continuação da uma Epístola de Carlos Magno endereçada a Baugulgum, abade de Fuldens:

“Está escrito (quer dizer, está escrito no Antigo Testamento ou no Novo Testamento): “Tu serás justificado ou condenado por tuas palavras”. Se bem seja muito melhor agir bem do que ser sábio, entretanto é preciso saber antes de agir.

“Que cada um compreenda tanto mais a vastidão de seus deveres quanto mais a sua língua se entregue sem erro aos louvores de Deus”.

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13 abril 2014

Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 8:18
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Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento. Vida e milagres de Santo Amando, século XII. Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59
Santo Amando, bispo de Maastricht, dita seu testamento.

Vida e milagres de Santo Amando, século XII.

Biblioteca Municipal de Valenciennes, Ms.501, f.58v-59

Leia o post anterior: A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

No livro “Charlemagne” de Alphonse Vétault (Tours, Ed. Alfred Mame et fils, 1876) se encontra uma Epístola ad Baugulfum abbatem Fuldens.

É uma carta do imperador Carlos Magno endereçada a esse abade de Fuldens:

Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos Longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus Todo-Poderoso, saudação.

Há frases aqui que cantam e tem uma grandiloquência que não se sabe como elogiar: “Carlos, pela graça de Deus, rei dos Francos e dos longobardos, patrício dos Romanos, em nome de Deus todo poderoso, saudação”.

Numa saudação está tudo dito.

Saiba vossa devoção a Deus, que depois de ter deliberado com nossos fiéis, estimados que os bispados e mosteiros que, pela graça de Cristo, foram colocados sob nosso governo, além da ordem da vida regular e as prática da nossa santa religião, deve, também aplicar seu zelo ao estudo das letras, e ensinar aqueles que com auxílio de Deus, possam aprendê-las, cada qual segundo sua capacidade.

Assim, enquanto a regra bem observada sustenta a honestidade dos costumas, a preocupação de aprender e de ensinar, de bem aprender e de ensinar, põe a ordem do idioma, de maneira que aquele que queiram agradar a Deus vivendo bem, não lhe negligenciaram de lhe agradar falando bem.

O pensamento, muito interessante, é este:

Pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo há, em nosso reino, muitas dioceses e abadias.

Nós queremos que essas dioceses e abadias se empenhem em ensinar a ler as pessoas que estejam em condições de aprender, com a graça de Deus.

Soror Baldonivia escrevendo. Vida de Santa Radegunda, século XII. Mediateca François Mitterrand, Poitiers
Soror Baldonivia escrevendo. Vida de Santa Radegunda, século XII.

Mediateca François Mitterrand, Poitiers

Porque ensinar a ler, naquele tempo, parecia uma coisa muito difícil. Eram poucos os que sabiam ler.

Então, parecia especialmente próprio pedir a graça de Deus para que alguém apren¬desse a ler.

Era um tempo muito próximo da invasão dos bárbaros, e aquele passado bárbaro próximo inspirava um certo arrepio quando se tratava de aprender a ler e escrever.

Então, ele diz: que aprendam a ler e escrever os que possam. Por quê?

Porque é conveniente que aqueles que louvam a Deus vivendo de um modo digno, também aprendam a louvar a Deus falando de um modo digno.

Os senhores vejam que linda ideia. A ideia de que a virtude traz consigo todas as espécies de boas maneiras, de boas atitudes.

E que, portanto, aquele que é virtuoso deve normalmente tender a falar bem, a se exprimir bem, a fazer bem feitas todas as coisas.

Como no Evangelho está dito de Nosso Senhor Jesus Cristo: Ele fazia bem tudo quanto Ele tinha de fazer.

Então, os senhores tem aí um princípio que é muito caro a nós, e que é muito pouco caro a um catolicismo deturpado.

E é o princípio de que a religião é empenhada próxima e diretamente em promover a salvação das almas.

São João Evangelista escreve o Apocalipse.As Sagradas Escrituras exigiam a alfabetização maciça dos fiéis.

Mas que como uma espécie de corolário, ela tem empenho em favorecer toda espécie de bem, de beleza, de dignidade de vida e de esplendor de existência entre os homens.

Que isto, por sua vez, dá glória a Deus e por sua vez facilita a virtude.

Os senhores tem aí um aspecto profundamente anticatólico das teologias modernas como a da Libertação, cujo efeito normal é tender para o primarismo, para as péssimas maneiras, para a sujeira, para a ostensiva falta de compostura.

Isso não só é incompatível com a religião, mas desvia as almas da verdadeira religião.

Porque Deus sendo autor de todas as formas de ordem, umas formas de ordem se apoiam nas outras; e aqueles que sabem, por exemplo, comer dignamente, falar corretamente, postar-se decentemente tem nisso um apoio para a virtude.

Essa é a ideia fundamental que Carlos Magno exprime.

Ideia fundamental que a Igreja teve em mente durante toda a sua existência, e que na Idade Média é patente.

Toda a elevação da civilização da barbárie até o estado generalizado em que se encontrava no fim da Idade Média, se deveu a esse princípio.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 6/1/73. Sem revisão do autor)
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6 abril 2014

A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

São Leão III Papa sagra Carlos Magno

imperador do Sacro Império na noite de Natal do ano 800

Leia o post anterior: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

A Igreja reconheceu e coroou na terra Carlos Magno que Deus por certo terá coroado no Céu, em virtude da promessa divina a São Pedro: “tudo o que atares sobre a terra será atado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos céus.(Mt 16, 19).

A coroação tem este lado de bonito, que é a ideia do poder de um Papa.

O Império Romano pagão não nasceu dos Papas. Ele foi feito pelo Senado romano.

O Senado romano é que criou a grandeza romana. Os imperadores romanos apareceram durante a decadência da república romana; uma instituição pagã, portanto, mas que se cristianizou com Constantino.

O Papa se julgava no poder de recompor o Império Romano! Recompôs e fundou o Sacro Império Romano, quer dizer, o Império Romano Sagrado, feito para a defesa da Fé.

Aí se realizava aquele diálogo misterioso de Nosso Senhor com São Pedro, no momento em que Nosso Senhor foi preso.

Os teólogos sempre interpretaram que quando Nosso Senhor, na hora de ser preso, perguntou a São Pedro se tinha espadas consigo, São Pedro respondeu: “Tenho duas”. Nosso Senhor respondeu: “Isto basta!”

Os bons teólogos dizem que é São Pedro afirmando que ele tinha os dois gládios na mão exprimiu simbolicamente o gládio da Igreja, que é espiritual, e o gládio do Estado, que é o poder da força militar, para reduzir as heresias e liquidar com o mal.

Carlos Magno no centro dos imperadores.

Cetro para a sagracão de Carlos VI, século XIV

Esses dois gládios bastam a São Pedro para cumprir a sua missão.

Nessa noite de Natal do ano 800, o Papa acabava de forjar na pessoa de CVarlos Magno um gládio de ouro, que era o Sacro Império Romano Alemão, com a missão de defender a Fé por toda a Cristandade.

Maravilhas, belezas! Elas nos lembram dias tão diferentes, que são os dias em que nós vivemos, em que tudo está exatamente no sentido oposto.

Mas há certos ideais que nunca morrem, porque eles são diretamente deduzidos da Fé, e são imortais como a Fé!

E quando a gente ouve contar esses fatos, a gente compreende que a História do mundo não pode terminar assim. E que ela não pode terminar simplesmente numa derrota.

Tem que haver uma monumental desforra. E a Revolução laicista e igualitária tem que ser pisada de maneira a se constituir o Reino de Maria, para o qual o mundo foi construído.

O mundo foi criado por Deus para que, em determinado momento, o reino dEle sobre o mundo fosse pleno. É preciso que isto se realize.

E nós então temos, da lembrança dessas coisas, uma esperança no futuro.

Nada de mais anacrônico do que o Império de Carlos Magno, mas é um anacronismo criador.

A lembrança desse Império cria uma esperança e a certeza de um futuro. Nós caminhamos para a restauração daquela ordem de que foi Carlos Magno um símbolo.

Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre  Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).
Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre

Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).

Nós podemos pedir a Carlos Magno que reze por nós.

Nem todos os episódios da vida de Carlos Magno são inteiramente claros. A Igreja não se pronunciou bem exatamente sobre se ele é santo ou não santo.

Mas, em certas regiões da Europa, se festeja uma festa do bem-aventurado Carlos Magno que os antepassados dos progressistas tomados de zelo — porque nessas horas os progressistas têm zelo — quiseram abolir a festa de Carlos Magno.

Mas o Beato Pio IX lançou um Breve no qual ele declarava que, nos lugares onde Carlos Magno era cultuado como bem-aventurado, o culto podia continuar.

Nós podemos no interior de nossas almas, pedir a Carlos Magno que nos dê essa força invencível, para nós fundarmos o Reino de Maria, como ele fundou a Idade Média, da qual ele foi a pedra angular.

Santa Joana d’Arc recebia revelações do Céu, e ela sabia bem onde estariam Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, como ela disse, não é?

Então, digamos como Santa Joana d’Arc: Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, rogai para que acabe o caos contemporâneo e que venha logo o Reino de Maria!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

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30 março 2014

Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III

Leia o post anterior: Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

Carlos Magno foi um homem de uma piedade acendrada, mas ao mesmo tempo era analfabeto.

E esse analfabetismo nos mostra muito quão pouca coisa é aprender a ler e escrever mecanicamente como se faz modernamente.

Há um vício para aqueles que aprendem a ler e escrever e é a ideia de que o pensamento começa no livro.

Segundo este vício, quando o sujeito se dispõe a pensar qualquer coisa, a primeira coisa que deve fazer é comprar um livro para ler algo, e depois pensar sobre o que leu.

Então ele pode achar que Carlos Magno não sabendo ler nem escrever não poderia ter pensamento.

Porém, ele tinha uma tal noção das coisas, uma tal inteligência, que sem saber ler nem escrever ele organizou a educação em todo o seu Império, chamando homens como o monge Alcuíno, abade de York. Essa sabedoria o ensino moderno não comunica aos estudantes.

Ele deixava os Bispos decidirem os assuntos da Igreja que só eles podem decidir, mas no fim ele fazia o uso da palavra.

E ele entrava no cerne dos debates teológicos que os Bispos tratavam. E, em geral com sucesso. Era ele que tinha a fórmula teológica certa. Entrementes, Carlo Magno foi um homem que não tinha passado por Seminários.

Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III
Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III

Os senhores compreendem o que é que era um homem desses. Ele foi o arrimo da Igreja, ele foi a glória da Igreja, ele foi o filho da Igreja.

Não invadiu os direitos da Igreja, respeitou a soberania da Igreja, reconheceu-Lhe todo o poder.

E por causa disso, a Igreja também o coroou.

Todo mundo sabe o lindíssimo fato de que no ano de 800, estava ele na velha basílica de São Pedro — até hoje se mostra o lugar onde ele estava ajoelhado, rezando antes de o Papa entrar para a Missa do Galo — quando o Papa São Leão III entrou trazendo uma coroa de ouro.

E o Papa declarou que na pessoa dele, reconstituía o Império Romano esboroado, e o proclamava Imperador do Império Romano.

Carlos Magno, por modéstia, não quis.

O Papa levou-o até um balcão onde todo o povo o aclamou:

“Viva Carlos Magno, nosso Imperador!”

Estava restaurado assim o Império Romano, que haveria de durar por volta de mil anos.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

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23 março 2014

Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

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Busto-urna com relíquias de Carlos Magno. Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.
Busto-urna com relíquias de Carlos Magno.

Fundo: catedral de Aachen, capital de seu império.

Leia o post anterior: Momento providencial em que apareceu Carlos Magno
Carlos Magno, grande guerreiro foi ao mesmo tempo um grande formador de homens.

Ele formou um conjunto de heróis que passou para a História como o conjunto dos conjuntos, que foram os Doze Pares de Carlos Magno.

Quando se fala de Par de Carlos Magno, se fala também de uma relação ideal entre um senhor e seu servidor.

Na ordem temporal, nunca a relação entre um chefe e seus súditos foi tão nobre, tão elevada, tão forte, nunca condição de súdito foi tão categórica, mas ao mesmo tempo comunicativa de tanta grandeza, quanto alguém ser um Par de Carlos Magno.

Entre Carlos Magno e seu pares havia um andar de diferença. E ele era de tal maneira, que todos os Pares juntos não davam o que ele era.

Mas um Par de Carlos Magno era como que uma projeção de um aspecto da personalidade dele.

Um Par de Carlos Magno era como um filho e um embaixador de Carlos Magno, trazendo consigo toda a carlomanicidade que ele tinha, participando da majestade de Carlos Magno, da força, da grandeza… Eram outros ele mesmo, embora ele fosse inconfundível.

Nessa relação está exatamente a beleza do nexo que o unia a eles.

De outro lado, uma coisa muito bonita era a solidariedade desses Pares. Uma solidariedade sem vaidade, sem inveja, que visava apenas o serviço do Imperador.

Estátuas dos Pares da França em volta do túmulo de São Remígio, Reims

E no serviço do Imperador, a Causa da Civilização Cristã e, portanto, da Igreja Católica, e portanto, de Nossa Senhora, e portanto, de Nosso Senhor Jesus Cristo no mais alto dos Céus, por uma série de mediações, que Carlos Magno servia.

E por isso, eles eram intimamente unidos entre si. E o modelo ideal da amizade nobre, forte, varonil, despretensiosa e leal é a amizade que reuniu os Pares de Carlos Magno.

Por causa disto, por uma tradição cristã em todos os países da Europa, a alta nobreza procurou tomar o título de Par, exatamente um Par do Reino, no Reino Unido, um Par do Reino na França.

Eram uma cópia de Carlos Magno com seus Pares, de tal maneira Carlos Magno era a personificação de toda a perfeição de relações com os seus súditos, que ele elevava à condição de filhos e de outros “eu mesmo”, embora ele os mantivesse, ao mesmo tempo, claramente na posição de súditos.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)



Leia o post seguinte: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

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16 março 2014

Momento providencial em que apareceu Carlos Magno

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 8:06
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Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.  Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.
Carlos Magno implora a Deus a vitória na batalha.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Leia o post anterior: Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval
O Império romano cristianizado havia sido derrubado pela avalanche dos bárbaros. Os bárbaros eram todos eles ou arianos ou pagãos.

O arianismo era uma heresia que pode ser vagamente comparada ao protestantismo.

O ariano era tão anticatólico quanto o é o protestante, quer dizer, cortado da Igreja, herege, excomungado, inimigo.

Um bispo ariano chamado Úlfilas tinha pervertido os pagãos bárbaros para a religião ariana.

De maneira que grande parte dos bárbaros que invadiram o Império Romano, que era católico, vinham com a intenção de impor a religião ariana.

Outros eram pagãos, e a intenção deles era impor o paganismo.

Uns e outros eram bárbaros. E como bárbaros, eram incompatíveis por hábito, por psicologia, por tendência natural, à civilização.

Eles se estabeleceram no Império Romano do Ocidente, e foram espandongando, querendo ou não querendo, a civilização.

Basta dizer que em geral os bárbaros dormiam nas praças públicas das cidades, porque eles sentiam falta de ar de dormir dentro das casas. Não compreendiam que se pudesse dormir dentro de casa.

Mas havia uma tribo bárbara que sentia falta de ar em dormir na cidade. Quando chegava a noite, eles abriam a porta da cidade e iam dormir no mato, porque na praça da cidade eles não sentiam respiração.

Os bárbaros viam que os romanos eram alfabetizados, mas muito decadentes, corruptos e maus soldados. E eles achavam que a razão disso era a alfabetização.

E então, eles tinham o maior desprezo ao homem que se alfabetizasse. O alfabetizado era mais ou menos o efeminado.

Carlos Magno deteve os fluxos invasores pagãos e islâmicos na Europa. Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França
Carlos Magno deteve os fluxos invasores pagãos e islâmicos na Europa.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Quando os bárbaros começaram a impor a sua tirania detestável sobre o solo europeu, no Império debandando, só ficou de pé a Igreja.

A Igreja, com suas dioceses, com seus conventos, etc., continuou de pé.

Então o ponto de salvação para sair do abismo era fortalecer a Igreja. Aí vem nova catástrofe: a Península Ibérica é invadida por maometanos, por causa da moleza dos visigodos que habitavam a Espanha.

A onda árabe começou a invadir a Europa semi-romana e semi-bárbara a partir dos Pirineus.

Sem falar que muitos maometanos tomavam barcos, desembarcavam na Itália, no sul da França, e começavam as invasões também.

De maneira que esta chaga viva, que era a Europa daquele tempo, ainda começou a sofrer a pancadaria maometana.

Foi nesse momento, em que tudo parecia perdido, que Deus suscitou esse homem extraordinário que foi Carlos Magno.

Um homem que, a meu ver, foi um verdadeiro profeta. Quer dizer, um homem que realizou o Reino de Deus, porque tinha o dom de compreender no que ele consistia e o dom de levar os outros a unirem as suas vontades para essa realização.

Tinha o dom, além do mais, de vencer, de derrubar os obstáculos que se opusessem a essa realização.

Carlos Magno era de uma família que já há duas gerações tinha o reino dos francos.

A sabedoria de Carlos Magno nos conselhos do Império.  Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.
A sabedoria de Carlos Magno nos conselhos do Império.Vitral de Carlos Magno. Catedral de Chartres, França.

Essa família, também ela dividida por lutas intestinas, tinha certo ascendente entre os francos que eram um dos povos bárbaros que havia na Europa.

Carlos Magno, dirigindo os francos, fez cinquenta e tantas expedições militares em que ele espandongou os bárbaros completamente. Depois também conteve o poderio maometano.

E com isto ele recuou as portas da História. Quer dizer, a História parecia condenar irremissivelmente o povo latino a desaparecer sob a pressão germânica e a pressão maometana. Carlos Magno salvou a latinidade e a catolicidade.

Esse homem era hercúleo. De alta estatura, de traços muito regulares e muito bem feitos, tendo conservado até ancianidade alguma coisa de moço.

Mas ao mesmo tempo, no seu tempo de moço com qualquer coisa da maturidade da ancianidade, ele incutia respeito no tempo de moço, como se ele fosse um velho. E sabia infundir entusiasmo no tempo de velho, como se ele fosse moço.

Ele era um homem tão amável, tão gentil, que a legenda popular dizia que ao longo de sua barba branca, quando ele sorria nasciam flores, e que a sua barba era toda florida.

Ele era chamado rei da barba florida.

Por aí os senhores podem imaginar a riqueza dessa personalidade: terrível no combate mas ao mesmo tempo tão amável, tão gentil, que os outros julgavam ver flores nascerem de sua barba.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72.
Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: Carlos Magno, formador de homens de grande estatura, mas submissos à autoridade temporal e à Igreja

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9 março 2014

Carlos Magno: o Moisés da Cristandade medieval

Carlos Magno, iluminura do século XV. British Library
Carlos Magno, iluminura do século XV.

British Library

Leia o post anterior

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira teceu os seguinte comentários sobre o grande imperador:

Nós lemos o seguinte sobre Carlos Magno, na grande “História Universal” de João Baptista von Weiss, historiador alemão católico condecorado pelo Papa Beato Pio IX com a Ordem de São Gregório:

Em 772, com 30 anos, Carlos tomou o governo do reino dos francos. Com razão Carlos se chamou Magno. Mereceu esse nome como general e conquistador, como ordenador e legislador de seu imenso império e como incentivador de toda a vida espiritual do Ocidente.

Por seu governo, as idéias cristãs alcançaram vitórias sobre os bárbaros. Sua vida foi uma constante luta contra a grosseria e a barbárie, que ameaçavam a Religião Católica e a nova cultura que nascia.

Nada menos que 53 expedições militares foram por ele empreendidas, a saber: dezoito contra os saxões, uma contra a Aquitânia, cinco contra os lombardos, sete contra os árabes, da Espanha, uma contra os turíngeos, quatro contra os ávaros, duas contra os bretões, uma contra os bávaros, quatro contra os eslavos, cinco contra os sarracenos da Itália, três contra os dinamarqueses e duas contra os gregos.

No Natal do ano de 800, o Papa São Leão o elevou à dignidade de Imperador, fundando assim a mais nobre instituição temporal da Cristandade, O Sacro Império Romano Alemão.

A 29 de fevereiro de 814, Carlos faleceu, depois de ter recebido a Sagrada Comunhão. Foi enterrado, segundo a legenda, em um nicho da Catedral de Aix-la-Chapelle, em posição ereta, sentado em um trono, cingido de espada e com o livro dos Evangelhos nas mãos.

É ele o modelo dos imperadores católicos, o protótipo do cavalheiro e a figura central da grande maioria das canções de gesta medievais”.

Quando se fala de Carlos Magno, de seus feitos e de sua grandeza, me vem à ideia a figura extraordinária de Moisés, também com seus feitos e sua grandeza.

Moisés estabeleceu a ordenação política e social do povo eleito, que era a pré-figura da Cristandade.

Ele recebeu a revelação dos Dez Mandamentos da Lei, o que levou o povo eleito até as portas da Terra Prometida, tirando-o do cativeiro.

Ele estabeleceu os elementos fundamentais para que o povo eleito se fixasse e dele viesse a nascer o futuro Salvador.

Moisés, catedral de Edinburgo, Escócia
Moisés, catedral de Edinburgo, Escócia

Carlos Magno teve uma tarefa que, considerada em essência, foi análoga à de Moisés.

Ele tomou o povo eleito verdadeiro, que não eram mais os judeus, que eram uma prefigura do povo eleito.

Mas o povo verdadeiro, que é o povo católico, que estava sujeito a uma servidão iminente da parte dos piores adversários.

E por uma luta tremenda, ele venceu esses adversários todos e estabeleceu os fundamentos da Civilização Cristã.

Para nós nos darmos ideia um pouco do que foi a tarefa de Carlos Magno, nós temos que considerar as condições de seu tempo.

Até o século V de nossa era, o Império Romano do Ocidente cobria toda a Europa Ocidental.

E, em linhas muito gerais, estendia as suas fronteiras desde o Reno e do Danúbio até Portugal, no sentido do Ocidente; até a Inglaterra no sentido do norte, e até a Itália no sentido do sul. Era portanto uma imensa unidade.

Ainda mais imensa porque as vias de comunicações muito mais lentas naquele tempo do que no nosso, faziam com que fosse muito difícil um imperador governar toda essa extensão.

De maneira que as dimensões do Império, calculadas em proporção com a máquina administrativa e política que deveria mantê-lo uno, eram proporções verdadeiramente gigantescas.

 
(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)Leia o post seguinte: Momento providencial em que apareceu Carlos Magno

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