Idade Média

23 abril 2008

Fisionomia moral de um cruzado

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O primeiro aspecto que chama atenção na escultura do homem que figura nesta foto é o modo de estar de pé.

Tal escultura pode bem representar o cruzado no apogeu da Idade Média.

Ele apresenta um equilíbrio de corpo perfeito.

Os pés não são pés chatos, como os de pato, com a precária firmeza deste. Não. É a estabilidade corporal do homem, na qual não falta uma certa nota de elegância, em que entra algo de espiritual.

As pernas, o tronco, os braços, representam a solidez física perfeita de um homem que venceu a ação da gravidade.

Ele não cedeu em nada à preguiça.

Mas também não está efervescente, não tem a mentalidade do homem de negócios, que fala em cinco telefones ao mesmo tempo…

Mantém-se inteiramente tranqüilo, mas de uma tranqüilidade tal, que seu repouso se volta inteiro para a ação.

E atuação que já é de uma vez a guerra. A mais absorvente de todas as atividades, aquela que se opõe mais diretamente à preguiça. Não é o trabalho, é a luta.

Ele está numa posição em que a qualquer momento pode iniciar o combate.

Está fazendo uma proclamação com os grandes braços abertos.

Como quem diz: “Isto é assim e não vai por menos, ai de quem negar o que proclamo, porque pego a espada…“. É a proclamação perfeita de quem anuncia e ameaça.

< Por outro lado, o cruzado permanece numa atitude contemplativa.

Sua fisionomia indica que ele não está vendo o que se passa em torno de si.

Está olhando dentro de si mesmo. E de dentro de si considera um ideal inteiramente superior, que lhe ilumina a alma: são os princípios a favor dos quais o homem é obrigado a combater.

Ele todo é um edifício de coerência, de metafísica, pronto para descarregar o golpe. Todas as razões do combate lhe estão presentes, tudo raciocinado, coerente, tudo positivo.

É um homem profundamente sério. Se acontecer qualquer coisa diante dele, sua visão será a da realidade inteira. Não irá exagerar, nem subestimar, nem torcer a realidade, nem mentir. Ele vê o que acontece e diz o que vê.

É o varão sério por excelência.

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Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 22 de abril de 1967. Sem revisão do autor.

À procura do Paraíso: as almas dos construtores da Idade Média

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 12:25

Para a mentalidade medieval esta terra é uma terra da exílio na qual, entretanto, há um paraíso: a Santa Igreja Católica, a única igreja verdadeira do único Deus verdadeiro. E os vitrais eram as janelas desse paraíso. Os romanos descobriram o vidro, mas nunca fizeram um vitral. Quando começou então a história do vitral? Quando nasceu o desejo do maravilhoso. Se as almas dos vitraleiros — se a palavra existe no português — não fossem ávidas deste azul, daquele verde, daquele dourado, eles teriam tomado o trabalho de encontrar essas cores? Eles preferiam ficar numa semi-pobreza a vida inteira até encontrar um verde ou um azul que sonhavam para o vitral de Nossa Senhora, ou do Anjo S. Gabriel, ou de um santo. E depois morriam contentes. “Ali vai haver tal azul, essa é a minha contribuição para todo o sempre para a glória de tal Santo”. A gente teria a vontade de imaginar que o Anjo que veio pegar a alma deles quando eles morreram, tinham santidades e virtudes análogas à cor com que eles sonharam. Essa era a morte do artesão que trabalhava o vitral. Ele podia dizer: “a minha vida está explicada, eu trouxe tal cor ao conhecimento dos homens, à piedade da Igreja, à glória de santo tal, ou de Nosso Senhor em tal mistério de sua vida. Ó sol tu que me antecedeste na criação, tu também, foste criado para que um dos seus raios passasse sempre por lá. Enquanto tu fores sol e o mundo for mundo, um dos teus raios atravessará o azul com que eu sonhei, e vai iluminar o chão de granito e vai enlevar alguma alma fiel que veja. Minha vida está explicada”. Por detrás da história do vitral está a história das almas que quiseram essas cores. Porém, há muito mais. É a história das almas irmãs destas que pensaram num maravilhoso muito mais global do que simplesmente uma cor. Desejaram o vitral inteiro. E, mais ainda, as almas que pensaram na catedral. O que é que é o vitral senão um elemento da catedral? Se quiserem, os vitrais são os olhos das catedrais. Ó alma da Idade Média que pensou nas catedrais, que pensou nos castelos e que queria mais, mais e mais. Quando é que nasceu essa alma? A alma da Idade Média, o espírito da Idade Média nasceu quando? Se nós nos pusermos estas perguntas, nós vamos remontando como um rio a história da Igreja. Todas essas almas que engendraram o gótico, elas desejavam coisas mais perfeitas, mais e mais. E haveria de vir um dia em que a perfeição da Igreja e da Civilização Cristã, da Cristandade seriam tais que o Reino de Maria estaria constituído na terra. E aí também, haveria um reflorescer incomparável das artes, da beleza, dos vitrais e quanta outra coisa! Nós estamos numa época de germinação do Reino de Maria. E se nós queremos conhecer o Reino de Maria como será, não se trata tanto de planejá-lo, nem de excogitá-lo, mas se trata de sentir a pulsação dele dentro de nós.

(Fonte: Plínio Correa de Oliveira, 15.8.81, excerto sem revisão do autor.)

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