Idade Média

5 outubro 2008

O vitral: cartão de visita de Deus e porta do Céu

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:59

Vitral gótico, Saint Remy, ReimsNo primeiro vitral que eu vi, eu tive a impressão que aquele mosaico de cores abria um buraco dentro da realidade material e conduzia meu olhar maravilhado para outra realidade que estava além do sensível.

O vitral me dava a impressão de que além da carapaça da matéria havia uma região aonde o maravilhoso se externava daquela maneira. O vitral, a bem dizer, é a porta dessa região.

Depois dessa porta há outra ordem de coisas. Está Deus. Aquele vitral é como que o cartão de visitas de Nosso Senhor, como que seu escudo heráldico.

O escudo heráldico não é a fotografia de um homem, mas é a descrição da mentalidade de uma família.

O vitral é a heráldica de Deus.

A luz criada por Deus penetrava no vitral e Deus como que dizia: “meu filho, sua alma dá para isso! sua vida existe para isso! tudo que está embaixo são coisas que na medida em que conduzem a isso estão bem”.

Resultado: alguém que voltando-se de olhar para a igreja de Saint Michel visse um grupo de punks dando risada da basílica, fazendo cambalhotas, e querendo, por exemplo, jogar lixo ali dentro, a posição natural e imediata seria …

Há uma proporção: quanto mais alto a alma subiu, mais essa reação seria definida. A reação é o termômetro exato do entusiasmo.

Mont Saint-MichelEsse estado de espírito maravilhado diante do Mont Saint Michel, da primeira torre, do primeiro vitral, do som deleitável do órgão, esses movimentos todos passam rápido demais em algumas almas.

Deixam, em outras, uma recordação que se fixa para todo o sempre se a alma continua fiel. Ali ela se encontra a si mesma, há uma espécie de identidade dela consigo mesma.

Deus criou aquela pessoa para viver nesse estado de espírito. Ela então vive disso.

Na medida em que ela não vive para isso, ela não tem a fisionomia que Deus quis para ela. Ela não sabe qual é sua verdadeira fisonomia.

De ali vem todos esses vazios, tristezas e frustrações que andam por ai.

Plinio Corrêa de Oliveira, 3/1/82. Texto sem revisão do autor.

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Cheverny: O maravilhoso do equilíbrio

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:55


Considero o panorama que se observa na fotografia ao lado de alta categoria. Trata-se do Castelo de Cheverny, de estilo renascentista e clássico, situado no vale do Loire, na França. Onde está a beleza dele? É preciso analisar elemento por elemento.

A grama é de um verde esmeralda, que em nossos trópicos não germina. No meio da grama, a coisa mais comum do mundo: uma estrada inteiramente reta. No fundo, um castelo.

O que tem esse castelo propriamente de maravilhoso? Não se vê uma estátua, não se observa quase ornato, nem é ele uma construção cara. É o maravilhoso do equilíbrio, maravilhoso do edifício bem pensado, estudado e construído com categoria. É o equilíbrio que se encontra nas coisas francesas, que contêm toda espécie de sabores.

* * *


Analisemos o prédio. Ele é composto de uma espécie de torreão central, que é o ponto monárquico da construção. Essa parte central é toda leve, toda esguia, mas de tal maneira é bem pensada, que não se apresenta como raquítica, de nenhum modo, em relação aos dois extremos atarracadões e bojudos, existentes num e noutro lado do ponto central. A parte reta da fachada está bem no centro: é a graça dominando a força; Jacó dominando Esaú. Os elementos pesados coordenados em torno do leve.

É a afirmação da superioridade do espírito. O triunfo da graça sobre a força, da inteligência sobre as coisas da matéria.

* * *

Entretanto, o contraste entre a parte central e os dois extremos é equilibrado — porque todo contraste, para ser equilibrado, tem que apresentar termos intermediários harmônicos — por dois corpos de edifícios iguais, que não são tão esguios quanto o corpo central, nem tão bojudos quanto os extremos, mas que se situam entre um e outro desses elementos, preparando a transição.

A altivez do castelo está no que ele tem de mais gracioso. É como quem diz: “Forte eu sou, mas sobretudo eu me prezo de ser inteligente. Em última análise, sou completo. Sou dotado de inteligência e de força. Sou equilibrado”.
O castelo, sendo talvez um pouco discreto demais, foi realçado pela perspectiva. Fica num grande parque, envolto por um simples, mas esplêndido tapete de esmeraldas para lhe servir de apresentação. Ao longe, arvoredos formando a moldura. Dir-se-ia que ele sai de dentro de um mundo de delícias e de mistérios. A clareza e a lógica cercadas pelos imponderáveis: outra forma de equilíbrio.

Não é verdade que um dos prazeres da vida, que tornam a existência humana digna de ser cristãmente vivida, é analisar as coisas dessa forma?
Mas analisar com os olhos postos no Céu. Porque esses são valores de espírito, e são assim porque a civilização que gerou tais valores foi cristã. São assim, porque foi derramado o precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tais valores são um reflexo da Igreja Católica. Se não fossem as virtudes cristãs, isto não teria sido assim. Então, não é um puro gáudio para os olhos que se tira dessa análise, nem um puro gáudio da inteligência. Mas por cima dos gáudios visual e da inteligência há uma alegria superior do espírito, que considera uma ordem transcendente de coisas. Ordem na qual existe um Deus pessoal e sobrenatural, no Qual todas as formas de equilíbrio realizam-se de modo tão insondável, que é impossível de ser imaginado por qualquer criatura.
Assim é a Terra como a bênção de Deus a fez e como a Civilização Cristã

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de maio de 196l. Sem revisão do autor.

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Chenonceaux: o castelo cisne

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:53

A impressão que o castelo de Chenonceaux causa, à primeira vista, é de entusiasmo!

Qual é a razão pela qual ele produz esse sentimento?

Imaginemos que fosse um castelo construído em terra, e que, em vez de correr um rio debaixo dele, passasse uma estrada poeirenta comum, permitindo o trânsito de carroças, automóveis, etc., etc.

Não é verdade que o castelo perderia pelo menos cinqüenta por cento de seu encanto?

Com isso, fica claro o que seu construtor explorou para produzir essa sensação de inebriamento.

Foi uma obra baseada no seguinte princípio: todas as coisas que se refletem na água ganham em beleza.

Tem-se uma sensação paradisíaca vendo as águas do rio fluírem tão plácidas, marcadas pelo azul do céu, e o castelo que nelas se reflete reproduzindo a imagem de si mesmo.

Vê-se que a maior beleza do castelo consiste na concretização dessa idéia originalíssima de construir uma parte dele sobre uma ponte. E isso de maneira tal, que ele, por assim dizer, parece um cisne em cima da água.

Esse é um castelo-cisne. Ele flutua sobre a água como se fosse uma fantasia, uma coisa irreal, um sonho!

* * *

Por outro lado, quanta harmonia foi posta, segundo o espírito francês, nessa portentosa obra de arquitetura.

O castelo é constituído por três elementos distintos. O primeiro deles é a ponte com os seus arcos, em cima da qual se construiu a ala mais leve do edifício. O segundo elemento é o corpo central do castelo. E por último, à esquerda, um torreão _ que deve ser o que restou de uma velha fortaleza medieval _ sólido, atarracado, grande, e que produz a sensação de estabilidade, ao último grau.

Chama a atenção o contraste entre os arcos da ponte, tão diáfanos e leves, e a base pesada da parte central. Esse misto de firmeza, de estabilidade e delicadeza forma um contraste harmônico de qualidades opostas, que acentua a sedução inerente a essa parte do edifício.

São os três elementos sucessivos que dão encanto ao castelo e explicam sua beleza.

Ao fundo, nota-se um jardim esplêndido. Um quadrilátero apresenta desenhos e vegetação lindíssimos, com aquela grama esmeraldina da Europa que aqui não se conhece.

Tal jardim é arranjado e “penteado” de tal maneira, que não o pode ser mais. Para compensar o extremo do arranjado, há ao seu lado uma arborização “despenteada”, puramente silvestre, que completa plenamente o panorama.

Em outros termos, tudo o que parece espontâneo foi estudado com uma sagacidade extraordinária, para provocar um efeito de conjunto. Mas com tal perfeição, que a noção de harmonia nasce sem que a maior parte das pessoas consiga explicitá-la.

O sumo da harmonia consiste exatamente em que não se possa precisar, à primeira vista, no que ela consiste, exigindo muita atenção para a definir …
_______

Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sem revisão do autor.

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Chambord: a harmonia da variedade na unidade

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:52

Chambord, aérea, castelos medievais
Veja o que é a arte! Quem construiu esse castelo não tinha idéia de que ele pudesse ser visto desde o ar. Ele foi construído com a preocupação artística comum, para as perspectivas comuns.

Dir-se-ia que ele é mais bonito ainda na perspectiva de onde os construtores não imaginavam que ele pudesse ser observado.

Um dos modos de se analisar o castelo é fazer uma distinção entre o telhado e aqueles mil torreões de um lado, e a parte de baixo construída de alvenaria.

São dois mundos diversos, porque a parte debaixo é sólida, até um pouco atarracada, com traços de fortaleza medieval.

Chambord, aérea, castelos medievaisChambord nitidamente não é medieval. Mas, considerando as duas grandes torres centrais, já concebidas para ter janelas e serem habitadas, mais as duas torres laterais, tem-se um esquema um pouco parecido com o de Valençay e de tantos outros castelos medievais.

Quer dizer que ainda há uma certa inspiração e perfume medieval presente nesse castelo.

As torres e as construções entre as torres são majestosas, bonitas, e ligeiramente carrancudas, um pouquinho pesadas.

Chambord, torres e chaminés, castelos medievaisSem o teto, a parte de alvenaria ficaria um tanto tristonha. Mas como os contrastes harmônicos são um dos segredos da arte, a parte de baixo, que daria uma falsa ilusão de pesada, é compensada por uma feeria no teto de chaminés, de torreõzinhos, de pequenos terracinhos com mais uma cúpula em cima, que dão a impressão de um concerto musical com mil notas que se desprendem pelo ar.

De maneira que, depois de a gente ter contemplado a majestade e a força da parte debaixo, olhando para a parte de cima, se fica embevecido simplesmente.

Vendo o conjunto se compreende exatamente o que é que é a harmonia, isto é unidade na variedade. Duas partes diretamente opostas constituem uma variedade. Mas essa variedade é um elemento de harmonia. A harmonia entre o teto e a parte de alvenaria do castelo é perfeita.

Chambord, fachada, castelos medievais

Plinio Corrêa de Oliveira. Sem revisão do autor.

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Se os homens tivessem continuado construindo castelos, até que patamares de beleza e elevação não teriam chegado?

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:47

Clerans, Castelos medievais
A Idade Média gerou grandes castelos de fábula, por exemplo o de Chenonceaux ou o de São Luís.

Mas também produziu centenas e centenas de castelos de graus menores de beleza e magnificência. E eles são muito bonitos e admiráveis também.

E, não só de castelos, mas casas senhoriais, burguesas e populares nas quais se espelhava qualquer coisa do brilho do grande castelo.

O universo dos castelos medievais não se compreende verdadeiramente, sem considerar esta dimensão social.

No período medieval o teor geral da vida possibilitou ao homem realizar na Terra não propriamente um mundo de gostosuras, mas sim um mundo de maravilhas e de realizações arquitetônicas, ultra-sapienciais e ultra-capazes de nos falar do Céu.

E por causa disso mesmo ultra-agradáveis para o homem peregrino nesta terra.

A beleza de Chenonceaux e dos castelos medievais não se exprime bem dizendo “que gostoso é morar aqui!” Porque há um critério profundo que explica esses castelos.

Perto de Rocamadour, castelos medievaisÉ a elevação de alma, a nobreza, a dignidade que engrandece o homem.

Não apenas ao senhor do castelo, mas até o jardineiro do castelo, como podemos ver na simpática casinha do encarregado do jardim (foto embaixo).

Nela, aliás, mora o atual proprietário de Chenonceaux, sendo o castelo continuamente visitado por turistas, viajantes e admiradores.

Os castelos cumpriam, e num grau enorme, a tão decantada “função social da propriedade privada”.

Mas, não ficava nisso.

O castelo medieval irradiava em torno de sim uma vida de feeria que elevava a vida do conjunto social a patamares que, no nosso massificado mundo hodierno, custa-nos imaginar.

Se esse movimento ascensional de conjunto não tivesse sido interrompido até onde a civilização católica teria chegado?

Chenonceaux, casa do jardineiro. Castelos medievaisPor certo, teria produzido uma imagem empolgante dos esplendores do Céu. Essa imagem teria ajudado imensamente à prática das virtudes.

E, portanto, até contribuiria possantemente para a salvação das almas. A cultura da morte, por exemplo, nem teria podido aparecer.

E se a Europa tivesse chegado a um patamar insonhado, até onde poderia ter chegado nosso Brasil sob a benéfica influencia da Civilização Cristã européia, da qual ele provém?

Na foto: a casinha do jardineiro de Chenonceaux

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A Conciergerie: Palácio de um rei santo em Paris

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:45

Conciergerie, Sainte Chapelle e Palais de Justice
A Conciergerie (literalmente = portaria) é parte do antigo palácio de São Luis em Paris.

Sua fachada é quase toda ela medieval.

O atual Palais de Justice junto com a Sainte Chapelle (foto ao lado) faziam parte do mesmo conjunto.

Para se ter uma idéia do que era a Cristandade na Idade Média, é preciso imaginar uma noite em Paris sem iluminação pública.

No escuro da noite, a cidade inteira dorme.

Nos conventos e numa ou noutra casa particular onde há pessoas especialmente piedosas, alguém reza.

Conciergerie, castelo de São Luiz IX, em ParisOs transeuntes são raríssimos. Mas às vezes são forçados a ir de uma casa para outra para falar com um doente, com alguém que está morrendo. Um tabelião que vai fazer um testamento, por exemplo.

Para protegerem esses raros transeuntes, patrulhas andam a cavalo para todos os lados e cantam canções para fazerem entender longe é só levantar um brado que eles acorrerão na direção daquele brado.

Estes são ruídos que apenas cortam de vez em quando a noite.

A cidade dorme.

Conciergerie, castelo de São Luis, ParisNa Sainte Chapelle, em Notre Dame, o Santíssimo está no sacrário.

No palácio de São Luís, dorme um Rei que é um santo, e que ordena com santidade todas as coisas do seu reino.

E assim, a história da França flui gloriosamente, tranqüilamente, como flui o Sena ao pés do palácio.

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A feliz junção da Europa medieval com a Igreja e a Religião

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:35

Na Europa medieval, as vidas dos conventos e dos castelos, dos santos e dos heróis se entrecruzaram indissoluvelmente.

El Escorial, castelos medievais
Por exemplo, o mosteiro do Escorial. Ele, aliás, não é medieval. Mas foi feito por homens que tinham mentalidade medieval. É, ao mesmo tempo, um convento e a residência pessoal do rei mais poderoso da Terra no seu tempo: Filipe II da Espanha.

Escorial, aposentos Felipe II. Castelos medievaisSem dúvida o Escorial é muito bonito. Mas, a gente pode pensar na salinha do Escorial, ou num dos salões, e ali imaginar Filipe II lendo uma carta de Santa Teresa de Jesus.

A gente pode imaginar por perto um Núncio gordalhão, bonachão, renascentista, contrário à reforma dos Carmelos, fazendo suas manobras. E Filipe II, que tinha uma alma maior do que todo o Escorial, decidindo.

Santa Teresa de Jesus e Filipe II: havia uma junção entre essas duas almas, porque Santa Teresa era ainda mais Escorial do que Filipe II. Ela encarnava o Escorial do Céu que olha para a Terra e Filipe II representava o Escorial da Terra que fica olhando para o Céu.

Escorial, aposentos Felipe II. Castelos medievaisNo Escorial há um entrecruzamento do temporal com o religioso. Por causa disso, a ordem temporal era sacral. Ela reconhecia e afirmava que nada de válido e autêntico podia brotar a não ser da verdadeira visão da Religião Católica, que os santos tiveram nos seus conventos.

Então nasciam as maravilhas da Civilização Cristã sob a sombra benigna e materna das instituições da Igreja Católica.

Foi assim que os santos geraram uma civilização católica, que antes de nascer palpitava na alma de santos como São Bento, São Remígio, e tantos outros.

Foi a junção da Europa medieval com a Igreja e a Religião que trouxe a paz de Cristo ao mundo.

No Céu nós teremos a Visão Beatífica e o Paraíso Celeste. Deus achou que a Visão Beatífica seria bem completada com o Paraíso Celeste. A prefigura da visão beatífica são as graças sobrenaturais. E a prefigura de Paraíso Celeste é a Civilização Cristã.

Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.

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Milagres de Nossa Senhora a Antiga, de Sevilha, vergaram o invasor maometano

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:23

Virgen de la Antigua, Catedral de Sevilha. Milagres medievais
A imagem remonta aos primeiros tempos do Cristianismo, anterior aos reinos góticos, motivo pelo qual recebeu o nome de “a Antiga”.

Pintada em um muro da catedral, foi muito venerada em toda a península até a Espanha ser invadida pelos muçulmanos. Muza se apoderou de Sevilha, e Abdelasis, seu filho, fez passar a fio de espada grande parte da população.

A catedral foi convertida em mesquita maior, foram destruídos os objetos de culto e se empenharam em fazer desaparecer a imagem de Nossa Senhora a Antiga. Rasparam-na duas, três e muitas vezes mais, porém logo que concluíam sua obra sacrílega a imagem voltava a aparecer, mais bela e resplandecente ainda.

Avisado, Abdelasis foi ver o que acontecia. Logo que se apresentou diante da milagrosa imagem, uma força extraordinária o obrigou a ajoelhar-se, bem como a todo o seu séquito.

Isto se repetiu cada vez que os muçulmanos insistiam em seu iníquo propósito. Para fazê-la desaparecer, resolveram então cobri-la com uma parede maciça de pedra. Mas muitos fiéis continuaram a ver a imagem, como se a parede fosse de cristal.

A lembrança de Nossa Senhora a Antiga perdurou indelével nos corações dos católicos, em meio à terrível opressão em que estavam. No reinado de Fernando III, que deu novo e vitorioso impulso à Reconquista, o paredão que Abdelasis havia mandado erguer começou a emitir raios de resplendor, o que os mouros tomaram como presságio de sua ruína. Não conseguiram encobrir esse novo milagre, e além disso começou a repetir-se o prodígio de obrigar a ajoelhar-se todo infiel que se atrevesse a olhá-la.

São Fernando, Alcacer de CordobaEm agosto de 1247, o Rei São Fernando iniciou o sítio de Sevilha. Conhecendo a história dessa gloriosa imagem da Virgem, tinha vivo desejo de venerá-la, o que lhe foi concedido já antes de completar a Reconquista.

Uma noite, foi guiado por um anjo, em meio à cidade ainda ocupada pelos mouros, até o lugar da mesquita onde Ela estava murada. Rezou ali, e é de supor que com fervor lhe tenha pedido auxílio para libertar com a maior presteza a imagem e a cidade da tirania muçulmana.

Depois voltou à tenda do seu acampamento, onde sua ausência já deixara a todos aflitos. Contou-lhes o Rei que estivera visitando Nossa Senhora a Antiga, “a cujo poder deveremos o próximo repouso dentro da cidade”.

Quatro dias depois, a 24 de novembro de 1248, o emir Abu-Asan entregava ao Rei santo as chaves da cidade rendida.

A Nossa Senhora a Antiga foi muito difundida também na América desde o início da Conquista, pelo estrito vínculo que teve Sevilha com tudo que se relaciona com a América, sendo especialmente venerada em São Domingos, no Panamá (a primeira missa que se celebrou ali, em 1513, foi em sua honra), em Quito, Lima e Cuzco, entre muitos outros lugares.

(Fonte: Conde de Frabaguer, “Imágenes de la Virgen Aparecidas en España” – Juan J. Martínez Editor, Madrid, 1861; J. M. Matovelle, “Obras completas”, Ecuador, 1981, pp. 394-397)

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Nossa Senhora da Vitória abriu as portas de Málaga aos exércitos católicos

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:20

Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Malága, Espanha
Em 1487 iniciou o rei católico Fernando o sítio de Málaga com um exército imponente. Uma vez estabelecido na proximidade, procurou persuadir seus habitantes a que lhe entregassem a praça, para evitar as destruições de um sítio.

O tirano que dominava a cidade, Hamet el Zegrí, mandou degolar os que participavam das tratativas, e então o Rei intimou a cidade a se render, mas ela se recusou.

Deu início então ao sítio, instalando diante dos muros de Málaga seus efetivos, e em meio a eles uma espécie de templo, onde mandou pôr uma imagem da Virgem, que sempre levava consigo.

Começou uma luta duríssima, em que a artilharia tinha muita parte. Antes de continuar a destruição da cidade, ainda foi feita uma segunda intimação a Zegrí, que a rechaçou mandando degolar uma comissão de muçulmanos que quis mostrar-lhe o perigo de prolongar um sítio sem esperanças de vitória.

Nossa Senhora da Vitória, padroeira de Malága, EspanhaObstinou-se na luta, apesar das muitas derrotas, praticando crueldades contra os seus. Depois do fracasso de uma sortida, fechou-se numa torre-fortaleza fora da cidade, abandonando-a à sua própria sorte. Ao se verem livres do jugo de Zegrí, os mouros pediram ao Rei que os deixasse voltar para a África ou viver em Castela, o que lhes foi recusado.

Declararam então os da cidade sitiada que, se não obtivessem isso, enforcariam nas ameias quinhentos cristãos cativos, ateariam fogo à cidade, exterminando suas famílias, e tratariam de morrer matando.

Estavam assim as coisas quando, a 18 de agosto, de improviso se rendeu a praça. Nela entraram imediatamente as tropas castelhanas, pondo a cruz nas torres do forte. Diante dele se ajoelharam os reis católicos e foi cantado o Te Deum.

Isabel e Fernando atribuíram a um milagre da Santíssima Virgem esse triunfo.

Para perpétua memória, em ação de graças mandaram edificar um templo no local em que estava a santa imagem que levavam. Desde então recebeu o nome de Nossa Senhora da Vitória, com o qual até hoje é venerada como padroeira de Málaga.

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Cavalaria e o conhecimento a serviço da Fé

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:14

Foulques V, Angers
Tal é o fundamento de todas estas idéias: a nobreza é chamada a proteger e purificar o mundo por meio do cumprimento do ideal cavalheiresco.

A vida reta e a reta virtude da nobreza são os meios de salvação para os maus tempos: o bem e a paz da Igreja e da Monarquia, o império da justiça, dependem dela.

Duas coisas há – isso se diz na vida de Boucicaut, um dos mais puros representantes do ideal cavalheiresco da última Idade Média – postas no mundo como dois pilares pela vontade de Deus, para sustentar a ordem das leis divinas e humanas; sem elas, o mundo seria só confusão; tais coisas são a cavalaria e a ciência, “chevalerie et science, que moult bien conviennent ensemble”.

“Science, Foy et Chevalerie” são os três lírios do “Chapel des Fleurs de Lys” de Philippe de Vitri. Representam três estados.

A nobreza é chamada a proteger e amparar os outros dois. A equiparação da nobreza e da ciência, que se revela também na inclinação a reconhecer no titulo de Doutor os mesmos direitos que no titulo de Cavaleiro, atestam o alto valor moral do ideal cavalheiresco.

Reis e cavaleirosHá nele a veneração de uma vontade e arrojo superiores, junto à de uma ciência e capacidade superiores.

Sente-se a necessidade de ver os homens elevados a uma potência superior, e trata-se de dar a esta necessidade a expressão de duas formas fixas e equivalentes de consagrar-se a uma tarefa vital superior.

Mas destas duas formas tinha o ideal cavalheiresco uma influência muito mais geral e poderosa, porque nele se uniam com o elemento ético tantos elementos estéticos que tornava-se compreensível para todo o espírito.

(Fonte: Johan Huizinga, “El Otoño de la Edad Media”, Revista de Occidente, Madrid, 1965, 6ª. Edición.)

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O Papa Gregório IX e o estabelecimento da Inquisição

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 23:12

Como evitar o envenenamento espiritual de toda a sociedade sem consentir em injustiças contra os inocentes ou contra os próprios hereges?

Como conduzir a nau em rumo seguro, entre a indiferença desesperadora de muitos Bispos ou sua susceptibilidade à política local, e de outro lado a impetuosidade das massas populares ou dos agentes imperiais?

O grande Papa (Gregório IX) certamente considerou profundamente este problema. Como Pai da Cristandade, não desejava a morte, mas a correção de seus filhos transviados.

Gregório teve entre suas preocupações uma feliz inspiração: por que não se servir das novas ordens mendicantes?

Até mesmo Lea (historiador contrário à Inquisição) lhes reconheceu a utilidade:

“O estabelecimento destas Ordens parece uma intervenção providencial para proporcionar à Igreja de Cristo aquilo que com grande urgência necessitava. À medida que foi se tornando patente a necessidade de tribunais especiais e permanentes, todas as razões favoreciam que elas estivessem acima das invejas e inimizades locais que podem induzir ao prejuízo do inocente, e acima dos favoritismos que podem conspirar a favor da impunidade do culpado. Se, além dessa ausência de partidarismos locais, os juizes eram homens especialmente adestrados para a descoberta e conversão dos hereges; se tinham renunciado ao mundo por votos irrevogáveis; se não precisavam de bens materiais e eram surdos aos apelos de prazer, parecia que estavam oferecidas todas as garantias possíveis de que suas importantes obrigações seriam cumpridas dentro da mais estrita justiça. E que, enquanto a pureza da Fé era protegida, não haveria desnecessariamente opressões, crueldades ou perseguições ditadas por interesses particulares ou por vinganças pessoais”.

Como Lea supõe, Gregório provavelmente não tinha a intenção de estabelecer um tribunal permanente. Legislou para fazer frente a uma necessidade urgente, e os dominicanos, com seus profundos conhecimentos de teologia, pareciam estar perfeitamente aptos para auxiliar os Bispos.

Naturalmente, isso não seria do agrado de todos. Havia Prelados muito melindrosos em matéria de intervenções exteriores, mesmo de Roma. Levando isso em conta, Gregório escreveu uma diplomática carta aos Bispos do sul da França explicando a situação:

“Vendo-vos envolvidos no torvelinho de inquietações e apenas podendo respirar sob a pressão de sombrias preocupações, cremos oportuno dividir vossa carga para ser levada mais facilmente. Portanto, resolvemos enviar frades pregadores (dominicanos) contra os hereges da França e províncias adjacentes, e vos suplicamos, advertimos e exortamos a que os recebais amavelmente e os trateis bem, dando-lhes favor, conselho e ajuda para que possam cumprir seu mandato”.

Desse modo foram enviados os dominicanos, e em menor proporção os franciscanos, aos lugares onde mais abundavam os hereges. Alguns foram para a Alemanha, mas até 1367 nenhum tribunal sério e permanente ali se estabeleceu.

São Domingos preside auto-da-féAlberico, um dominicano, foi enviado para a Lombardia com o título de “Inquisitor hereticae pravitatis” (Inquisidor contra a perfídia dos hereges). Um de seus sucessores morreu nas mãos das hordas. Outro, São Pedro de Verona, também dominicano, filho de pais maniqueus e fundador da Inquisição de Florença, foi assassinado pelos hereges na estrada de Como a Milão, em 1252.

Ser inquisidor era perigoso, pois os hereges freqüentemente possuíam influências, poder, fanatismo e desespero.

Nenhum jovem dominicano aspirava, por prazer, tirar os hereges de suas tocas. Tal era o caso especial do sul da França, onde os cátaros que sobreviveram à Cruzada, lutaram longa e tenazmente contra os novos tribunais monásticos.

Alguns hereges saquearam um convento dominicano em 1234. Oito anos depois o inquisidor Arnaud e vários frades pregadores foram assassinados. Então, os dominicanos rogaram ao Papa (Inocência IV) que os dispensasse de sua missão. A isto se recusou o Pontífice. Uma força armada de católicos destruiu a resistência dos cátaros, tomando de assalto Montségur, onde se tinham refugiado os assassinos dos dominicanos, e queimou sem julgamento prévio 200 hereges, como os levitas de Moisés mataram os idólatras.

Depois deste fato, a Inquisição foi aceita pelas autoridades seculares. Gregório IX enviou inquisidores à Espanha em 1238. Um deles foi envenenado pelos hereges.

Nas instruções a seus emissários o Papa estabeleceu a diferença entre a Inquisição medieval e as investigações dos Bispos e anteriores tentativas de tratar do problema da heresia. Os monges deveriam ir às cidades onde havia a infecção herética e proclamar publicamente que todos os que fossem culpados de delitos contra a Fé deveriam se apresentar e abjurar de seus erros.

Os que assim o fizessem, seriam perdoados. Deveria ser empreendida uma pesquisa. Se duas testemunhas afirmassem que um indivíduo era herege, deveria ser julgado. Naturalmente, os monges atuariam sempre em colaboração com o Bispo, e com seu prévio consentimento. Nada se indicava então sobre o uso da tortura; não foi utilizada a não ser vinte anos mais tarde.

São Domingos queima livro pestilenciais, Glória da Idade MédiaAparentemente, Gregório não tinha a intenção de fundar uma instituição nova. Apenas utilizava as Ordens religiosas para ajudar os Bispos no cumprimento de uma obrigação que sempre tiveram. O Bispo Donais, profundo conhecedor de documentos originais da primeira Inquisição, é de opinião de que (o Papa Gregório IX) também tentava se antecipar às intromissões de Frederico II, o qual já começara a queimar seus inimigos políticos sob o pretexto de defender a Fé.

Gregório estabeleceu que fossem teólogos peritos, e não políticos ou soldados, aqueles que julgassem os que eram católicos verdadeiros e os que não o eram. Uma vez decidido este ponto, a Igreja ficava livre de reconciliar ou excomungar o herege, e (neste último caso) se o Estado o considerasse perigoso, poderia aplicar-lhe a pena costumeira por alta traição.

Como Moisés na Antiguidade, Gregório desejou proteger do erro os filhos de Deus. Como Moisés, ordenou que se fizesse com toda diligência uma investigação ou inquisição, e exigiu ao menos o depoimento de duas testemunhas. Insistiu, como Moisés, para que os crimes contra Deus não ficassem impunes. Até aqui o paralelo é exato, mas não vai além.

Moisés, sob a antiga Revelação, e em tempos primitivos, não cuidou em distinguir o penitente do empedernido, o enganado do enganador: o culpado era lapidado até à morte. O desejo principal de Gregório era atrair novamente os hereges transviados à graça de Deus. Somente caso insistisse em continuar sendo inimigo de Deus (e inimigo, portanto, da sociedade) deveria ser expulso da igreja, e abandonado à parcimoniosa misericórdia do Estado.

Foi preciso tempo e não pouco esforço para conseguir o funcionamento da nova organização de modo a se realizarem os desejos do Papa.

Hoje está reconhecido que os Juizes (da Inquisição) eram muito superiores a seus contemporâneos dos tribunais seculares.

Fonte: William Thomas Walsh, “Personajes de la Inquisición”, Espasa-Calpe, S.A., Madrid, 1948, pp. 71 a 74.

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