Idade Média

24 outubro 2010

Torneio na reedificação do castelo de Windsor (3)

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 11:03

Torneio periodo medieval, Kaltenberg

continuação do post anterior

Depois de ter quebrado cada um três lanças, o Conde Guillaume saiu da liça, declarando-se vencido como o fizera o Conde de Derby, enquanto Eduardo, descontente com essas vitórias fáceis, retirava-se à sua tenda, começando a lamentar-se de não se ter misturado sob um nome desconhecido entre a multidão dos campeões, antes que designar-se como um dos “defensores”, como o fizera.

Acabava ele de entrar, quando a música fez retinir sons provocadores aos quais pensou-se de inicio que ninguém responderia, pois alguns minutos de silêncio se lhes seguiram. Cada um já se inquietava por esta interrupção, quando de repente ouviu-se soar uma só trombeta. Tocava uma melodia francesa, o que indicava que um cavaleiro dessa nação apresentava-se para combater.

Todos os olhares logo voltaram-se para a barreira que se abriu, dando passagem a um cavaleiro de mediana estatura, mas parecendo, pelo modo com que portava sua lança e manobrava o cavalo, ser tão vigoroso quanto hábil.

Cada um fixou os olhos sobre seu escudo para ver se apresentava alguma divisa pela qual pudesse ser reconhecido; o escudo trazia suas armas, que eram três águias de ouro com as bocas abertas e o vôo preparado, distribuídas em dois e uma, com uma flor de lys da França costurada no ápice.

Cavaleiro medieval, CambraiO Conde de Salisbury o reconheceu como sendo o jovem cavaleiro que, no dia seguinte do embate de Buironfosse, havia atravessado, sob as ordens do Rei da França, Philippe de Valois, o pântano que separava os dois exércitos e estivera, sem encontrar oposição, reconhecendo o bosque que cobria a encosta da montanha no cimo da qual, ele cravara sua lança.

Na sua partida, Philippe o armara cavaleiro com suas próprias mãos, e, quando retornou, contente com a coragem que dera prova, o havia autorizado a acrescentar a seu brasão uma flor de lys: isto em termos heráldicos denominava-se costurar no ápice.

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O jovem cavaleiro, ao entrar na liça, despertara um movimento de curiosidade tanto mais vivo quanto ele se apresentava com armas de guerra.

Avançou com a cortesia que, desde essa época, fazia distinguir a nobreza da França. Detendo-se primeiro diante da Rainha, a quem saudou ao mesmo tempo com a lança e a cabeça, abaixando a ponta da lança até a terra e inclinando a cabeça até o pescoço de seu cavalo; depois, fazendo-o empinar, forçou-o a girar sobre si mesmo.

Então, sem pressa nem vagar, ele próprio avançou, para tributar sem dúvida uma maior honra a seu adversário, rumo à tenda onde estava retirado Eduardo e, com o ferro de sua lança, tocou audazmente a targa de guerra.

Logo desceu à liça, fazendo a sua montaria executar os exercícios mais difíceis de equitação.

De seu lado, o Rei saiu de sua tenda, e fez trazer um outro cavalo coberto de armadura completa.

Justa medieval, CambraiMas, por mais seguro que ele pudesse estar de seus escudeiros, examinou com uma atenção toda especial o modo pelo qual estava equipado o corcel; tirando a seguir sua espada, certificou-se de que a lâmina era tão boa quanto a empunhadura era bela; depois, fazendo prender do pescoço uma outra targa, subiu em sua montaria tão agilmente como o podia fazer um homem coberto de ferro.

A atenção dos espectadores era grande, pois, ainda que Messire Eustache de Ribeaumont tivesse colocado no seu desafio toda a cortesia possível, não era menos evidente que desta vez era uma verdadeira justa, e ainda que não fosse animada por nenhum ódio pessoal, a rivalidade das duas nações devia lhe dar um caráter de gravidade que não podiam ter os embates que a precederam.

Assim, Eduardo foi tomar seu lugar na liça no meio do mais profundo silencio. Messire Eustache, vendo-o chegar, pôs sua lança em riste; Eduardo fez o mesmo; os juízes do campo bradaram com voz forte: “Deixai ir”, e os dois campões lançaram-se um contra o outro.

O cavaleiro tinha dirigido sua lança contra a viseira e o Rei a sua contra a targa, e os dois apontaram tão precisamente que o elmo de Eduardo lhe foi arrancado da cabeça, enquanto sua lança golpeara com tal força o cavaleiro que ela se quebrou a um pé do ferro, mais ou menos, e um pedaço ficou enfiado na armadura.

Por um instante pensou-se que Messire Eustache estava ferido; mas o ferro, atravessando a armadura tinha se detido na cota de malha; de sorte que, vendo pelo murmúrio que se elevara qual era o temor dos espectadores, ele próprio arrancou o ferro e saudou uma segunda vez a Rainha, como sinal de que não tinha nenhum mal.

O Rei retomou um outro elmo e outra lança e cada um tendo feito um giro e retornado a seu lugar, os marechais deram novamente o sinal. Desta vez, os campeões escolheram um alvo semelhante e golpearam-se em pleno peito.

Continua no próximo post

(Fonte : Alexandre Dumas, « La Comtesse de Salisbury », Calmann-Lévy, Editeur, Paris, 1878, T.I, pp.247 a 261)

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1 Comentário »

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    “Porque se a gente se calar, as pedras vão falar. E vai ser … uma vergonha muito grande se as pedras falarem porque os cristãos não se pronunciam.” (Padre José Augusto, sobre o PT na Canção Nova)

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    "Aquele que conhece a Verdade e não a proclama é um covarde miserável e não um cristão." – São Pio V

    Comentário por Site Aborto Não! PT Não! — 25 outubro 2010 @ 23:29 | Responder


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