Idade Média

7 novembro 2010

Torneio na reedificação do castelo de Windsor (4)

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Choque entre cavaleiros medievais, Warwick

Continuação do post anterior

O golpe foi tão violento que os dois cavalos levantaram as patas dianteiras mas seus donos permaneceram nas selas, semelhantes a pilares de bronze; quanto às duas lanças, romperam-se como vidro e os estilhaços saltaram até às arquibancadas onde estava o povo.

Os escudeiros aproximaram-se então com novas lanças; cada um armou-se da sua e, ganhando seu lugar, aprestou-se para uma terceira justa.

Por rápido que fosse o sinal, ele ainda se tinha feito esperar para o gosto de ambos adversários; pois, tão logo que foi dado, os cavalos se lançaram como se partilhassem os sentimentos de seus donos.

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Esta vez, Messire Eustache conservou o mesmo alvo; mas Eduardo, tendo mudado o seu, sua lança atingiu tão exatamente a viseira que arrebatou o elmo do cavaleiro, enquanto a lança deste golpeava em pleno peito com uma tal rijeza que o cavalo do Rei sentou e, neste movimento, o cinto tendo-se rompido, a sela deslizou ao longo do dorso, de sorte que Eduardo se achou de pé, mas em terra.

Cavaleiro, Hedingham CastleSeu adversário saltou em seguida à terra, e encontrou Eduardo já desembaraçado de seus estribos. Tirou incontinenti sua espada, cobrindo a cabeça com seu escudo.

Mas Eduardo lhe fez sinal de que não continuaria o combate enquanto ele não tivesse recolocado um outro elmo. Messire Eustache obedeceu e o Rei, vendo-lhe a cabeça coberta, tirou por sua vez a espada.

Mas, antes de deixá-los recomeçar o combate, dois escudeiros conduziram os cavalos cada um por uma porteira, enquanto dois lacaios recolhiam as lanças que os combatentes deixaram cair. A liça assim desobstruiria, escudeiros e lacaios se retiraram, e os juízes do campo deram o sinal.

Eduardo era um dos mais vigorosos homens de armas de seu Reino; assim, Messire Eustache compreendeu nos primeiros golpes que ele tinha necessidade de utilizar toda sua força e destreza.

Mas ele mesmo, como se pode ver, e como afirmam as crônicas do tempo, era um dos mais valentes cavaleiros de sua época; de sorte que não se surpreendeu nem da violência nem da rapidez do ataque, e respondeu golpe por golpe com um vigor e um sangue frio que provaram a Eduardo aquilo que ele já sabia sem dúvidas que se encontrava em face de um adversário digno dele.

De resto, os espectadores nada haviam perdido por esperar, e o que se passava diante deles esta vez era bem um verdadeiro combate. As duas espadas, nas quais se refletia o sol, pareciam dois gládios de fogo, e os golpes eram aparados e dados com uma tal rapidez, que não se percebia se eles haviam tocado o escudo, o elmo ou a couraça a não ser vendo jorrar as faíscas que deles saiam.

Elmo, KaltenbergOs dois campeões atacavam sobretudo o elmo; e sob as tentativas redobradas que haviam recebido, o de messire Eustache viu cair seu panache de plumas e o de Eduardo perdeu sua coroa de pedrarias.

Por fim a espada dele abateu-se com uma tal força que, qualquer que fosse a têmpera do elmo de seu adversário, lhe teria sem dúvida fendido a cabeça se messire Eustache não a tivesse aparado com seu escudo.

A lâmina terrível cortou o escudo pela metade, como se fosse de couro, tão bem que tendo sido partida uma das agarradoiras pelo choque, messire Eustache jogou para longe de si a outra metade, que se tornara mais um embaraço que uma defesa e, tomando sua espada com as duas mãos, desferiu por sua vez um tão rude golpe sobre a cimeira do Rei que a lâmina voou em pedaços e que só a empunhadura lhe restou na mão.

O jovem cavaleiro deu então um passo atrás para pedir outra arma a seu escudeiro; mas Eduardo, levantando vivamente a viseira de seu elmo deu por sua vez um passo em frente e, tomando sua espada pela ponta apresentou a guarda a seu adversário.

‒ Messire, disse-lhe com aquela graça que ele sabia tão bem tomar nessas ocasiões, vos agradaria aceitar esta? Tenho, como Forragus, sete espadas a meu serviço e todas são de uma têmpera maravilhosa. Seria deplorável que um braço tão hábil e vigoroso como o vosso não tivesse uma arma da qual se pudesse valer; tomai-a, pois, messire, e nós recomeçaremos o combate com mais eqüidade.

‒ Aceito, Monseigneur, respondeu Eustache de Ribeaumont, erguendo por sua vez a viseira de seu elmo, mas a Deus não compraza que eu ensaie o gume de uma tão bela arma contra aquele que m’a deu. Eu me reconheço, portanto, vencido, Sire, tanto por vossa coragem como por vossa cortesia, e esta espada me é tão preciosa que faço aqui o juramento sobre ela, e por ela, de jamais, nem em torneio nem em batalha, entregá-la a outro senão a vós.

O rei venceu a justa de aço, e Eustache de Ribeumont a justa da cortesia.

Fim

(Fonte : Alexandre Dumas, « La Comtesse de Salisbury », Calmann-Lévy, Editeur, Paris, 1878, T.I, pp.247 a 261)

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