Idade Média

30 outubro 2011

O rei e o feudalismo na sociedade e no Estado medievais

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 3:55
Carcassonne, fortaleza construída pelo rei São Luís IX

Bem entendido, em princípio o feudalismo com toda sua autonomia não existia à margem ou contra o rei, símbolo supremo do povo e do País.

Pelo contrário, existia abaixo do monarca, sob a sua égide tutelar e sob o seu poder supremo, para conservar em seu favor esse grande todo orgânico de regiões e de localidades autónomas, que era então uma Nação.

Mesmo nas épocas em que o esfacelamento de facto do poder real fora levado mais longe, jamais se contestou o princípio monárquico unitário.

Uma nostalgia da unidade régia – e até, em muitos lugares, da unidade imperial carolíngia, abarcativa de toda a Cristandade – jamais cessou de existir na Idade Média.

Assim, à medida que os reis foram recuperando os seus meios de exercer um poder efectivamente abrangente de todo o reino e representativo do bem comum deste, o foram exercendo.

Claro está que esse imenso processo de fixação, de definição e de organização, em nível local e depois regional, seguido de um não menor processo de rearticulação unificadora e centralizadora nacional, não se operou sem que aparecessem aqui ou acolá reivindicações excessivas, unilateral e apaixonadamente formuladas, da parte dos que representavam justas autonomias ou promoviam necessárias rearticulações.

Nobre entre um eclesiástico e um camponês

E tudo isto conduzia, em geral, a guerras feudais que eram por vezes longas e entrelaçadas com conflitos internacionais.

Tal era o duro tributo assim pago pelos homens em razão do pecado original, dos pecados actuais, da moleza ou da maior complacência com que resistem ao espírito do mal, ou então a este se entregam.

Sem embargo de todos estes obstáculos, o sentido profundo da história do feudalismo e da nobreza não se explica sem tomar em consideração o que ficou dito.

E desta forma se modelaram a sociedade e o Estado medievais.

Na realidade, as origens e o desenvolvimento do regime feudal e da hierarquia que o caracterizava deram-se aqui e lá de modos diversos, sob a acção de circunstâncias também diferentes, não se aplicando a todos os Estados europeus, mas a vários deles.

A título exemplificativo, entretanto, pode-se descrever como acima o processo constitutivo desse regime.

Muitos traços desse quadro encontram-se na história de mais de um reino que, entretanto, não teve um regime feudal no sentido pleno do termo. Exemplos frisantes de tal, são as duas nações ibéricas, Portugal e Espanha.

Camponeses cultivam a terra protegidos pelo senhor feudal e pela Igreja

Muitos historiadores vêem no feudalismo instituído em certas regiões da Europa, e nas situações fundiárias para-feudais formadas em outras, perigosos factores de desunião.

Entretanto, a experiência tem mostrado que a autonomia, considerada em si mesma, não é necessariamente factor de desunião.

Por exemplo, ninguém vê hoje em dia, na autonomia dos Estados integrantes das repúblicas federativas existentes no Continente americano, factores de desunião; pelo contrário, modos de relacionamento ágeis, plásticos, fecundos, de uma união entendida com inteligência.

Porque regionalismo não quer dizer hostilidade entre as partes, ou destas com o todo, mas autonomia harmónica, como também riqueza de bens espirituais e materiais, tanto nos traços comuns a todas as regiões, quanto nas características peculiares a cada uma delas.

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3 Comentários »

  1. Achei que ficou faltando informacoes sobre o rei cliquei para saber caracteristicas dele,e nao apareceu quase nada ou nada,so feudalismo mesmo igual aos outros istes que pesquisei

    Comentário por lola — 23 fevereiro 2013 @ 11:10 | Responder

    • também tive a mesma impressão…

      Comentário por Tiago — 21 janeiro 2014 @ 16:02 | Responder

  2. Também tive a mesma impressão. Na verdade acho que faltam documentos pra fundamentar o trabalho dos historiadores, porém por dedução chega-se a conclusão de que o rei já existiam desde antes das invasões romanas e com o fim do império/ início do feudalismo, ele continuou existindo. Já no fim do feudalismo o rei agregou ao seu poder administrativo um poder econômico ( por meio de uma aproximação com a burguesia) o que daria início a o absolutismo.

    Comentário por edivaldo neres — 11 agosto 2013 @ 10:06 | Responder


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