Idade Média

5 agosto 2012

O Pálio de Siena, relíquia palpitante de vida da Civilização Cristã (4)

Filed under: Uncategorized — idademedia @ 18:04

Palio di Siena, a cidade medievalContinuação do post  anterior

 Uma cidade revive seu passado

O cortejo histórico do Pálio de Siena é mais do que uma simples reconstituição arqueológica: é a revivescência da tradição de uma cidade, pela qual um povo toma consciência de si mesmo, de seu passado, de seus valores, de sua personalidade e de seus traços característicos.

No brilho e no pitoresco dos trajes medievais, com seu talhe esbelto, com a variedade de seus adornos, capacetes, couraças, plumas, emblemas, se refletem as glórias antigas da cidade.

Mas se espelha sobretudo a alma de um povo, com seu talento artístico, sua vivacidade, sua riqueza de expressão, suas virtudes.

Nada a ver com os espetáculos de massa das cidades hodiernas. É isto, mais que tudo, que explica o entusiasmo em meio do qual o desfile decorre.

Na frente surge o gonfaloneiro de Siena, a cavalo, acompanhado de seu escudeiro, rodeado por quatro capitães e precedido por seis maceiros ou mestres de armas. Ele comanda a fanfarra da cidade — doze outros músicos, que tocam uma marcha brilhante e festiva — e 36 pajens com as bandeiras dos burgos e castelos que pertenciam outrora à República.

Palio di Siena, a cidade medievalSegue-se um segundo grupo: o comandante das tropas de Siena, “Capitano del Popolo”, com seu escudeiro e um pajem que carrega sua espada e seu escudo. Atrás dele três centuriões com os estandartes dos “terzi” — os distritos urbanos da cidade — e outros três levando os das “masse”, distritos rurais anexos a ela.

Entram as contradas que vão concorrer. O espetáculo apresenta então suas notas mais pitorescas e encantadoras.

Cada contrada é representada por um tambor e dois “alfieri” (ou balizas) com bandeiras; pelo capitão, seus pajens e homens de armas; o jóquei num animal de parada, com seu valete; e o treinador conduzindo a pé o cavalo que disputará a corrida. Todos, como dissemos, com trajes medievais, predominando em cada contrada as cores da respectiva bandeira, numa profusão infinita de matizes e combinações.

Palio di Siena, a cidade medievalDe espaço em espaço as contradas param. O capitão saúda a multidão com sua espada, e cada alfiere começa a executar com sua grande bandeira a encantadora “sbandierata”: manobrando-a com graça e leveza, gira-a por trás do pescoço, passa-a por entre as pernas, recolhe-a sobre os ombros, passa-a pelas costas e arrasta-a pelo chão, levando-a novamente ao pescoço, e assim por diante, numa variedade sem fim de gestos e passes, mantendo a bandeira sempre inteiramente desfraldada, até que por fim, envolvendo-as no cabo, a um só tempo os dois comparsas da contrada atiram suas bandeiras oito, nove, dez metros para o alto, elas se cruzam no ar, e eles as apanham, cada um a do outro, antes que caiam no chão.

Palio di Siena, a cidade medievalApós doze pajens levando grinaldas de louros, seguem-se as sete contradas que não correrão dessa vez.

Surgem depois o Magistrado da Cidade, a cavalo, e os arautos das antigas corporações: tecelões de seda, tecelões de lã, joalheiros, pintores, ourives, boticários, ferreiros.

Atrás deles o Capitão de Justiça e seis cavaleiros com viseira abaixada, representando estes as contradas supressas.

Palio di Siena, a cidade medievalEntra por fim na praça o carro triunfal, o “Carroccio”, cópia daquele que os sienenses capturaram aos florentinos na batalha de Monteaperti, em 1216.

Puxado por quatro bois brancos, conduz o ambicionado pálio, que será dado como prêmio ao vencedor, e a bandeira branca e preta de Siena.

Palio di Siena, carroccio, a cidade medievalDentro dele quatro Magistrados da cidade e quatro trombetas; ao redor, sete cavaleiros que montam guarda; atrás, dezoito maceiros e uma multidão de soldados.

Palio di Siena, autoridades, a cidade medievalDiante do Palácio Público o cortejo pára. Todos os participantes ocupam a tribuna que lhes é reservada, e o pálio é levado à presença dos juízes, enquanto os alfieri, todos juntos, executam a última sbandierata.

A visão das 34 bandeiras coloridas esvoaçando simultaneamente é a coroa do cortejo e arranca aplausos incessantes da multidão.

Neste instante o sino da torre Mangia silencia: a corrida está prestes a começar.

Continua no próximo post 

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1 Comentário »

  1. Muito bem escito, bem documentado e inserido no seu contexto histórico. De realçar também a explicação para o apego que os sienenses ainda hoje dedicam a esta tradição, que embora possa atrair turistas, não tem essa finalidade.

    Comentário por mena torres — 7 março 2013 @ 17:31 | Responder


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