Idade Média

6 abril 2014

A coroação de Carlos Magno e a doutrina das duas espadas, símbolo dos poderes da Igreja e do Estado

São Leão III Papa sagra Carlos Magno

imperador do Sacro Império na noite de Natal do ano 800

Leia o post anterior: Não foi a alfabetização que gerou a sabedoria de Carlos Magno

A Igreja reconheceu e coroou na terra Carlos Magno que Deus por certo terá coroado no Céu, em virtude da promessa divina a São Pedro: “tudo o que atares sobre a terra será atado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos céus.(Mt 16, 19).

A coroação tem este lado de bonito, que é a ideia do poder de um Papa.

O Império Romano pagão não nasceu dos Papas. Ele foi feito pelo Senado romano.

O Senado romano é que criou a grandeza romana. Os imperadores romanos apareceram durante a decadência da república romana; uma instituição pagã, portanto, mas que se cristianizou com Constantino.

O Papa se julgava no poder de recompor o Império Romano! Recompôs e fundou o Sacro Império Romano, quer dizer, o Império Romano Sagrado, feito para a defesa da Fé.

Aí se realizava aquele diálogo misterioso de Nosso Senhor com São Pedro, no momento em que Nosso Senhor foi preso.

Os teólogos sempre interpretaram que quando Nosso Senhor, na hora de ser preso, perguntou a São Pedro se tinha espadas consigo, São Pedro respondeu: “Tenho duas”. Nosso Senhor respondeu: “Isto basta!”

Os bons teólogos dizem que é São Pedro afirmando que ele tinha os dois gládios na mão exprimiu simbolicamente o gládio da Igreja, que é espiritual, e o gládio do Estado, que é o poder da força militar, para reduzir as heresias e liquidar com o mal.

Carlos Magno no centro dos imperadores.

Cetro para a sagracão de Carlos VI, século XIV

Esses dois gládios bastam a São Pedro para cumprir a sua missão.

Nessa noite de Natal do ano 800, o Papa acabava de forjar na pessoa de CVarlos Magno um gládio de ouro, que era o Sacro Império Romano Alemão, com a missão de defender a Fé por toda a Cristandade.

Maravilhas, belezas! Elas nos lembram dias tão diferentes, que são os dias em que nós vivemos, em que tudo está exatamente no sentido oposto.

Mas há certos ideais que nunca morrem, porque eles são diretamente deduzidos da Fé, e são imortais como a Fé!

E quando a gente ouve contar esses fatos, a gente compreende que a História do mundo não pode terminar assim. E que ela não pode terminar simplesmente numa derrota.

Tem que haver uma monumental desforra. E a Revolução laicista e igualitária tem que ser pisada de maneira a se constituir o Reino de Maria, para o qual o mundo foi construído.

O mundo foi criado por Deus para que, em determinado momento, o reino dEle sobre o mundo fosse pleno. É preciso que isto se realize.

E nós então temos, da lembrança dessas coisas, uma esperança no futuro.

Nada de mais anacrônico do que o Império de Carlos Magno, mas é um anacronismo criador.

A lembrança desse Império cria uma esperança e a certeza de um futuro. Nós caminhamos para a restauração daquela ordem de que foi Carlos Magno um símbolo.

Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre  Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).
Carlos Magno, estatueta no museu do Louvre

Fundo: Guariento di Arpo (1310-1370).

Nós podemos pedir a Carlos Magno que reze por nós.

Nem todos os episódios da vida de Carlos Magno são inteiramente claros. A Igreja não se pronunciou bem exatamente sobre se ele é santo ou não santo.

Mas, em certas regiões da Europa, se festeja uma festa do bem-aventurado Carlos Magno que os antepassados dos progressistas tomados de zelo — porque nessas horas os progressistas têm zelo — quiseram abolir a festa de Carlos Magno.

Mas o Beato Pio IX lançou um Breve no qual ele declarava que, nos lugares onde Carlos Magno era cultuado como bem-aventurado, o culto podia continuar.

Nós podemos no interior de nossas almas, pedir a Carlos Magno que nos dê essa força invencível, para nós fundarmos o Reino de Maria, como ele fundou a Idade Média, da qual ele foi a pedra angular.

Santa Joana d’Arc recebia revelações do Céu, e ela sabia bem onde estariam Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, como ela disse, não é?

Então, digamos como Santa Joana d’Arc: Monseigneur São Luís e Monseigneur São Carlos Magno, rogai para que acabe o caos contemporâneo e que venha logo o Reino de Maria!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência pronunciada em 30/10/72. Sem revisão do autor)

Leia o post seguinte: Carlos Magno exorta bispos e abades a alfabetizarem todos os que possam aprender

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