Idade Média

22 setembro 2015

A Cavalaria: ideal das almas propulsoras na Idade Média

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Surge uma pergunta: não constituiriam os cavaleiros, enquanto membros da Cavalaria, um tipo de guerreiro mais bem equipado ou com poderes especiais, uma espécie de generais ou comandantes superiores?

Consideremos separadamente cada uma das duas questões envolvidas nesta pergunta. Em primeiro lugar, vejamos a questão do ornamento.

Antes de mais nada, parece que se o cavaleiro, enquanto membro da Cavalaria, representasse um guerreiro mais bem equipado, então provavelmente um dos requisitos indispensáveis para que alguém recebesse um feudo, ou o conservasse em sua posse, deveria ser o armar-se cavaleiro.

Com efeito, nenhum suserano certamente quereria ter um vassalo que não o pudesse defender da melhor maneira possível, ou que o acompanhasse à guerra com pouco armamento. Ora, esse requisito não era exigido, pois já vimos que Cavalaria e feudalismo são duas coisas distintas.

Além disso, para reforçar o argumento, basta lembrar que se a posse de um feudo estivesse ligada ao fato de o seu possuidor ser armado cavaleiro, então seria legítimo desapropriar esse feudo caso seu dono se recusasse a entrar na Cavalaria.

Ora, isso parece não constar da história judiciária medieval, pois, como já tivemos ocasião de ver, havia muitos vassalos que não entravam na Cavalaria, por causa das despesas da recepção.

Quanto ao problema de os cavaleiros representarem uma função nas batalhas enquanto membros da Cavalaria, também isso não parece sustentável.

Com efeito, um dos deveres dos cavaleiros era o respeito às obrigações feudais. Ora, entre estas havia a obrigação de seguir seus suseranos quando estes os convocassem à guerra.

Portanto esses suseranos eram naturalmente os comandantes de seus cavaleiros, e não o inverso.

A esse respeito, Léon Gautier, en “La Chevalerie”, comentando o 7º mandamento do Código de Cavalaria, assim se expressa:

“O seu objeto (do 7º mandamento) é o rigoroso cumprimento dos deveres feudais. O vassalo deve obediência a seu senhor em tudo quanto não seja contrário à Fé, à Igreja e aos pobres.

“Como já fizemos notar, sem dúvida alguma não se deve confundir Cavalaria e feudalismo, mas no momento em que a autoridade se subdividia, quando os perigos eram mais prementes do que nunca, é justo reconhecer que o feudalismo era necessário.

“O sistema feudal comportava, além disso, deveres recíprocos. O vassalo se obrigava a seguir fielmente o seu senhor, para desfrutar a segurança em que constantemente vivia. Daí a força incomparável do liame feudal”. (Léon Gautier, “La Chevalerie”, pp. 47-48)

Com isso podemos afirmar que o cavaleiro, enquanto membro da Cavalaria, não representava um guerreiro mais bem equipado que todos os outros guerreiros do exército feudal, ou ainda que possuísse maior autoridade que esses mesmos guerreiros.

Parece-nos que os guerreiros do exército feudal tinham o nome genérico de homens de armas. Entre os homens de armas havia as mais diversas hierarquias. Como já vimos, alguns recebiam o título de cavaleiro, embora não pertencessem à Cavalaria.

Ao lado disso, muitos homens de armas, fosse qual fosse o seu grau hierárquico, podiam ser armados cavaleiros, e então passavam a fazer parte da Cavalaria.

Para compreendermos bem a natureza da relação existente entre Cavalaria e o exército feudal, tomemos um fato militar moderno. Em todo exército moderno existe grande número de capitães.

Mas entre esses capitães pode haver alguns que possuem certas condecorações, obtidas em gloriosas campanhas. Essas condecorações não acarretam uma elevação do posto militar desses capitães, que com elas adquirem uma excelência honorífica.

Vejamos agora como isso se aplica à Cavalaria. O exército feudal era formado por homens de armas, muitos dos quais eram armados cavaleiros. Isso representava uma excelência honorífica, e não um poder ou graduação maior em relação aos outros membros do exército feudal.

Podemos talvez formar uma ideia do que seja a Cavalaria, fazendo outra comparação.

Tomemos uma classe de estudantes com muitos alunos. Aqueles que se esforçam mais recebem medalhas, figurando no quadro de honra. Analogamente, os homens de armas mais notáveis e que mais se empenhavam nas lutas mereciam ser armados cavaleiros.

Desta forma, a Cavalaria consistiu, ao menos na época do seu apogeu, numa família de almas propulsoras das virtudes militares, no seio da classe militar. A Cavalaria civil constituía um escol dos exércitos, e a Cavalaria religiosa uma elite inserida nesse escol que era a Cavalaria civil.

As Ordens Militares constituíam a fina ponta dessa elite, e dentre elas a Ordem dos Templários ocupava um lugar de destaque.

Enquanto esta Ordem, como que arquetípica, viveu plenamente sua regra e seus membros estiveram possuídos de alto fervor religioso, toda a Cavalaria, e mesmo a instituição feudal, alcançou seu apogeu.

Decaindo este Ordem, por via de consequência o espírito de Cavalaria começou também a decair. Este processo foi acelerado com a extinção da Ordem dos Templários em princípios do século XIV.

Amorteceu-se o impulso que essas almas propulsoras deveriam manter, e portanto toda a chama da Cavalaria medieval começou a desvanecer-se até se apagar, com a intensificação do processo revolucionário na época do Renascimento e da Pseudo-Reforma.

 

 

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